Mostrando postagens com marcador Hunted Hunter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hunted Hunter. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Hunted hunter - capítulo 7 : Bloody Tears


Cap1
Cap2
Cap3
Cap4
Cap5
Cap6

     - Cadê ela? 
     - Eu não... sei...
Gabriel apertava o homem pelo pescoço. Em seu rosto, trazia uma expressão de ódio e frieza e em seus punhos, sangue humano.
***
Assolado por um mau pressentimento de que Sônia poderia estar em perigo, caçador voltou ao vilarejo Ravenest, logo após a morte de Laura.
Suas suspeitas estavam certas; logo que chegou, notou que as pessoas pareciam assustadas com a presença dele. Em seguida, passaram a ignora-lo, como se nunca o tivessem visto antes. Tentou conversar e fazer perguntas, mas ninguém lhe dava atenção, e o pior, não havia sinal de Sônia em parte alguma.
Irritado, ele começou a procurar por sí, quando então, dentro do estábulo achou a cruz de prata dela, caída no chão, com uma pequena mancha de sangue. Foi nesse momento, que dois valentões, dois dos mais altos e fortes moradores de Ravenest entraram, para dar um fim àquele visitante enxerido...
***
Um dos homens estava caído no chão, com os olhos roxos e alguns dentes quebrados, o outro, estava com Gabe sobre ele.Tinha uma garrafa quebrada enfiada na coxa esquerda, que jorrava sangue.
Soltou o pescoço dele, lhe dando uns segundos para recuperar o ar. A cruz de Sônia, caída no chão, lhe dava a certeza de que algo péssimo tinha acontecido, e aquele ataque a ele, justificava sua suspeita; aquelas pessoas sabiam exatamente onde ela estava, e quem a tinha levado.
Sônia Renard, 24 anos. Acompanhava Gabriel como caçadora de vampiros desde que ele iniciou sua missão sagrada. Ele nunca esperou que os dois tivessem uma vida longa e feliz, mas não esperava que seriam traídos por humanos que juraram proteger.
A fúria dele era quase incontrolável. Apesar da raiva que sentia, manteve uma postura calma. Seus olhos estavam injetado de sangue, mas sua voz soava calma. Ele iria matar aqueles dois e todos naquele vilarejo se não lhe dessem o que pedia. Sônia era sua humanidade, seu lado bom. Sem ela por perto, só sobrava rancor.
Pisou na ferida do homem, fazendo a garrafa quebrar, forçando os cacos a lhe penetrarem mais fundo na carne.

   - Eu sei que doi. Onde está a sacerdotisa?
O homem gritou de dor.
Os outros moradores do vilarejo estava reunidos do lado de fora do estábulo. Alguns com enxadas e forcados nas mãos. Quando ouviram o grito, a maioria deles estremeceu; aqueles dois eram os maiores e mais fortes deles.
    - Assassino! - gritou uma senhora, com uma pedra na mão.
Os demais se apressaram para calar a boca dela, mas ela resistiu:
   - É meu filho que lá dentro com aquele animal!
Do lado de fora estava um reboliço; alguns concordavam com ela, mas outros não queriam piorar as coisas. A discussão aumentou, alguns homens estavam pensando em entrar e ver o que estava acontecendo, mas então, sem que ninguém esperasse, a porta do estábulo abriu-se.
Gabriel a empurrou com o pé. Na mão direita trazia seu chicote, aquele que noite passada tinha estraçalhado os zumbis como se fossem papel. Na mão esquerda, a cruz de Sônia, com a adaga armada. Atrás dele, dentro do estábulo, puderam ver os dois fortões, terrivelmente espancados.
   - Eles estão vivos. - disse ele. - Mas ainda não me disseram onde está Sônia.
Apertou com firmeza a cruz na mão e os encarou.
Alguns homens avançaram uns passos, dando a entender que pretendiam ataca-lo. Gabe sorriu maldosamente quando fizeram isso e disse:
    - Antes de me atacarem em um numero tão grande, certifiquem-se que vocês tem espaço para tantos túmulos assim, naquele seu cemitério.
O sorriso demoníaco dele, somado ao sangue que estava espalhado por seu rosto, mais aquela ameaça de chacina eminente, fizeram os aldeões vacilarem.
   - Se não me disseram onde está Sônia, eu vou matar todos vocês. Vou me certificar que desta vez, Ravenest seja de fato, uma cidade cheia de mortos.
A segunda ameaça fez com quem uns sentissem raiva, mas a maioria estava visivelmente apavorada. Ele continuou:
   - Vou perguntar pela ultima vez. Onde está Sônia? 
   -  Ela foi levada daqui.
Era a voz de um homem idoso, vinda de trás do grupo que o cercava, parecia ser o líder ou chefe deles. A multidão abriu espaço para que o velho pudesse ser visto.
   - Onde está ela agora? Quem a levou? 
   - Se você puder se acalmar, eu lhe contarei tudo que sabemos, mas por favor, fique calmo.
   - Prossiga.
   - A umas semanas atrás, nossa vila recebeu uma visitante estranha. Uma moça de capuz preto que passou por nós e foi até nosso cemitério. A partir de então, os mortos começaram a levantar do túmulo, como você mesmo viu.
Os aldeões pareciam apreensivos, mas nada diziam. O velho continuou:
   - Mas, a alguns dias antes de voces chegarem, ela voltou a aparecer. Idenficou-se como uma vampira e que estava atrás de dois caçadores: um homem de cabelos compridos e um chicote e uma sacerdotiza. Nos disse que vocês estavam a caminho dessa cidade e que matariam todos os zumbis e depois, iriam se separar. Quando isso acontecesse, era para prendermos a mulher que ela viria para pega-la e depois disso, estariamos livres dela para sempre. 
   - Vocês entregaram Sônia para uma vampira? - gritou ele – depois de tudo que fizemos por vocês?
   - Estávamos sobre ameaça! Os vampiros controlam toda essa região! Somos escravos deles a vida toda.
   - Aquele vampiros estão todos mortos! Essa garota, quem quer que seja, é a ultima deles! Para onde ela a levou?
   - Ela nos disse onde estaria indo, até deixou um mapa de onde te esperaria, caso quisesse ir atrás dela.
    - E porque diabos não me deram essa porra desse mapa na hora que eu cheguei?
    - Nós não... achamos que...
    - Que não precisavam mais se meter em coisas de vampiros e que aqueles dois caipiras de roça seria mais do que o bastante para me silenciar?
    - Bem...é...
    - Me dá o mapa.
O caçador se aproximou do velho.

   - Me dê o mapa e eu vou embora, nunca mais vão me ver ou qualquer vampiro.
O velho senhor fez um gesto para uma jovem e ela lhe entregou um pedaço de papel dobrado.
   - Aqui está, ela está esperando em uma casa marcada aqui.
Gabe arrancou o papel das mãos dele; abriu-o e analisou: teria que pegar o caminho de volta à Crecent e depois seguir a noroeste. Havia um circulo vermelho na base de uma montanha.
Fechou o mapa e voltou-se para o estábulo.
   - Vou pegar um cavalo.
Houveram protestos, mas o líder do vilarejo mandou que todos ficassem quietos:
   - Deixem ele pegar um dos cavalos. Devemos isso a ele. Nós entregamos a amiga dele à vampira.
Antes de entrar e escolher um dos cavalos, Gabriel esfregou a mão nas roupas de um dos homens que estava com uma enxada na mão.
   - Ei! Que isso? O que você limpou em mim?
O caçador foi até a porta. Parou, olhou para trás e respondeu:
   - Minha fé na humanidade.
Respondeu secamente.
Chutou as portas e segundos depois, saiu galopando rapidamente, deixando aquele vilarejo maldito para trás.
Montanha Baljhet... já ouvira falar mas nunca teve motivos para ir até lá. O caminho não era difícil, mas o lugar não era exatamente perto. Forçou o velho cavalo de tração que encontrou, o máximo que pôde. Sua mente estava muito confusa; não parava de pensar em Sônia, e em quem poderia tê-la capturado. As palavras do Conde ainda ecoavam em sua cabeça: “ havia mais alguém”. Sabia que era uma garota vampira... Seria alguma sobrevivente do ataque insano de Laura aos vampiros de Olney? Mas se fosse o caso, porque pegaria Sônia?
Não parou a viagem nem para comer; devorou as rações ainda cavalgando, porém, pobre animal estava no limite da sua força. Não era culpa dele; os seres humanos são fracos e como todos os seres fracos, agem por medo. Uma pessoa normal teria enlouquecido... Laura jogou com ele a vida toda porque queria ser morta por suas mãos. E o conde... ele estava envolvido nisso, mas também estava sendo manipulado. Quem quer que espera naquela montanha, é a peça solta que resolve tudo.
Ao entardecer, Gabriel foi obrigado a soltar o cavalo, que estava para morrer, não tinha opção se não seguir a pé. Implorava mentalmente o tempo todo para que sua parceira estivesse bem... O pesar em seu peito era muito grande; suas ultimas palavras para ela foram agressivas. Partiu sentindo raiva dela.
   - Só mais dessa vez, aguente por favor...

***

O sol se escondia ao longe, quando chegou até o pé da montanha Baljhet. Como imaginava, havia um casarão lá. Sem medo, correu até ele, derrubando a porta com o pé.
O interior era ricamente decorado, como todo lorde vampiro gosta; cortinas grossas nas janelas, carpete ao chão, quadros lindos e caros pelas paredes... e uma escadaria para o andar de cima.
   - Oh Gabriel... - chamou uma voz feminina, do andar de cima – Gabriel, finalmente chegou! Aqueles caipiras tentaram ocultar o mapa de você por muito tempo?
A voz dela ecoava bem alto, como se estivesse na sala.
   - Suba as escadas. Sua amiga está aqui!
Subiu.
Lógico que ele esperava por uma armadilha, mas ele estava preparado; seus reflexos estavam a mil e nada o surpreenderia.
Logo que chegou ao topo da escada, um homem veio pelo corredor e lhe atacou com um machado. Gabe jogou o corpo para trás e o ataque acertou o corrimão da escada, deixando o machado preso.
O homem em questão era negro e tinha quase 2 metros de altura. Corpo sólido de músculo.
O caçador aproveitou a deixa para acertar um soco no rosto do sujeito, mas ele não parecia ter sentido muito. Com muita força, ele arrancou o machado que estava preso e o brandiu com violência. Gabriel evitou o ataque abaixando-se. Porém, desta vez o homem desferiu uma joelhada nele, acertou-o no queixo. O impacto jogou Gabe para trás; ele caiu no chão e rolou.
Sentiu os dentes baterem com força, enchendo a boca com gosto de sangue. Mal tinha se recuperado da pancada e se viu sendo obrigado a rolar mais uma vez: estava deitado no chão e o gigante estava tentando parti-lo ao meio com o machado. Rolou para esquivar, levantando-se habilmente com uma cambalhota. Tão logo ficou de pé, sacou o chicote e acertou o rosto do sujeito, com um movimento de arco.
O talho aberto no rosto dele o fez gritar de dor. Aproveitando o balanço do chicote, Gabriel girou o corpo todo, num salto de 360 graus, acertando o mesmo lado do rosto, mas desta vez com uma força muito maior. O estalo foi alto e o grito do gigante, ainda maior. Seu sangue tingiu a parede branca atrás dele.
Aproveitou-se do atordoamento causado pelo chicote para arrancar-lhe o machado das mãos e antes que pudesse reagir, acertou-o no peito com a arma. O machado cravou nas costelas do negro. Ele soltou um ultimo gemido de dor, antes de cair morto.
Havia uma porta à sua frente. Estava entreaberta.
   - Bravo! Bravo Gabriel!
Aquela voz, vinha daquela porta. Empurrou-a com a mão esquerda...
Era uma sala de jantar. Os pratos estavam postos, mas comida alguma estava servida. Na ultima cadeira, da ponta oposta a ele, estava uma moça: Estava vestida com vestido branco e preto, com babados, estilo gótico. Seus cabelos eram ruivos e curtos e os olhos, verdes e penetrantes.

   - Lembra de mim, Gabriel?
Ele arregalou os olhos. Não queria acreditar no que estava vendo, era...
   - Glória!? 
   - Sim! Sou eu! Quem diria hein? Sou uma vampira agora!
   - Mas...
   - Porque? É isso que quer saber? Vingança!
A garota atirou a taça de sangue que tinha nas mãos, estilhaçando ela na parede.
   - Vingança porque? 
   - Ainda pergunta? Você me humilhou, me rejeitou! Eu lhe ofereci amor sincero, uma vida boa, e o que você fez? Dispensou tudo! Me chamou de criança e se juntou com aquelazinha... Sônia Renard!
   - Cadê a Sônia?
   - Aquela sem graça? Bem ali.
Glória apontou para um canto. Lá estava Sônia. Algemada na parede. Suas roupas estavam rasgadas, haviam machucado em seu rosto e sangue em suas pernas.
    - Sônia! - gritou – O que fez com ela?
Glória riu.
    - Ela é tão chaaata! Não gritou em momento algum, nem quando meu guarda-costas... aquele morto ali fora... a estuprou.
Sentiu como se uma faca tivesse rasgado suas entranhas. Seu queixo caiu. Lágrimas vieram aos seus olhos.
   - Acho que aquela coisa de castidade já era não é? - riu mais uma vez, com a mão na boca.
O caçador baixou a cabeça. As lágrimas lhe escorriam pelo rosto.
   - Essa garota irritante... não gritou, não implorou.. isso me deu muita raiva. Olhe para ela! - gritou, ficando de pé. - Isso é culpa sua Gabriel! Você e essa sua sede de vingança! Você fez isso a ela!
Deu a volta na mesa, indo para mais perto dele.
   - Não vai dizer nada? Você está tão destruído assim? Juro que pensei que iria gritar e chorar... vocês dois, hunf! São dois chatos! Mas quer saber de algo realmente legal? - ela riu como uma criancinha – Sônia é a minha primeira cria... não é demais?
Rangeu os dentes. Não sentia vida na sua parceira. Pelo contrário, ela emanava o cheiro de túmulo que todo vampiro tinha.
Violaram seu corpo e a transformaram em vampira. Glória tirou tudo dela, sua vida e sua castidade...a raiva explodia nele, mas continuava sem ação. Sentia-se destruído.
   - Oh Gabriel... e agora meu amado? Você mata vampiros não é? Sônia é uma! E ai campeão da justiça? Vai mata-la tambem? Vai matar a nós duas? Eu e Laura manipulamos tudo, desde o inicio, quando eu a conheci num baile. Eu estava bebada e contei a ela de você e então ela propós um jogo, onde no final, a Sônia seria minha e você seria dela...mas a idiota se deixou matar...mas pelo menos ela me deu a vida eterna, como prometido. 
   - Porque... porque a Sônia? Seu problema era comigo.
   - Hun. Porque ela era sua querida parceira. Eu queria fazer dela o seu maior inimigo, e te forçar a mata-la. Você está com raiva não está? Vai me atacar agora e vai matar a nós duas não vai? Pois saiba que eu sei tu...

Um golpe rápido e brutal do chicote acertou o pescoço da vampira, enquanto ela falava e se gabava. Surpresa, ela não conseguiu reagir quando o caçador a puxou com força, fazendo-a voar até ele. Com toda fúria e brutalidade que seu ser conhecia, Gabriel acertou um soco no estomago da pequena vampira, com a cruz de prata em punho.
Num segundo ela estava se gabando do quão forte era como vampira e no segundo seguinte, estava debruçada sobre ele, com uma cruz enterrada no dentro de seu corpo.
O rombo na barriga fazia Glória sangrava todo o sangue que tinha sugado de Sônia. O choque havia paralisado seu corpo. Ela gemeu, olhando para ele, surpresa.
   - Ga..briel...?
Ele abriu os olhos lentamente, olhou-a nos olhos:
   - CRUX DIVINA!
Assim como Sônia tinha feito contra Vladimir, Gabriel invocou a crux divina. Uma explosão de luz branca cobriu toda sala, explosão esta que se originou dentro do corpo de Glória.
Quando o clarão passou, a pequena lady vampira estava caída a 3 metros dele. Todo seu corpo estava queimado e suas entranhas expostas, com o rombo em sua barriga. Ela gemia alto, sentindo uma dor indescritível.
   - Eu não... deveria estar sentindo tanta dor... eu sou uma lady vampira!
Gabe aproximou-se dela, a passos lentos, olhando-a.
    - Gabriel! Estou com medo! Por favor... me perdoe.
Ele mexeu no bolso e tirou uma moeda de cobre. Colocou a moeda na boca dela.
   - Entregue isso ao barqueiro, no mundo dos mortos. Adeus.
Ela arregalou os olhos, implorando por perdão. A porta da adaga que saía do cabo da cruz perfurou seu coração podre.
Glória era só um montinho de cinzas no chão.
Fechou os olhos e respirou fundo. Ainda não era hora de descansar. Ainda havia mais um vampiro.
   - Gabriel...
A sacerdotisa o chamou, sua voz estava trêmula e carregada de dor.
Ele foi até ela, cheio de pesar no coração.
   - Ah Sônia... o que fizeram com você?
Soltou-a das correntes. Não havia mais vida em seu corpo. Não bastando isso, seu corpo tinha sido violado. Tudo isso por causa dele, para atingi-lo. Tudo isso porque ele se recusou a se casar com uma maluca, a alguns anos atrás.
   - Me pegaram desta vez, parceiro. - respondeu ela, tentando ficar de pé. 
   - E agora? - perguntou ele, escorando o corpo dela ao seu. - o que acontece agora?
   - Você sabe o que acontece agora Gabe.
   - Não! Isso não! Não me peça isso!
   - Olhe pra mim! Olha o que sobrou de mim! Eu não posso mais viver. Me tiraram tudo. Tudo, menos você.
Tocou carinhosamente o rosto do amigo.
   - Não me negue isso – continuou ela – não permita que eu viva dessa forma.
Secou as lágrimas que lhe escorriam e concordou com a cabeça. Ela era uma vampira,a ultima vampira da região, e precisava ser destruída.
   - Me leve para fora. Quero ser morta pelo sol, pelas mãos e Deus. Por favor.
Sem muitas opções, ele a levou para fora. Ainda era noite. Teriam que esperar o amanhecer.
Sônia ajoelhou-se para orar e ele ficou ao lado dela, sem dizer uma palavra.
A tantas da manhã, depois de terminar suas orações, a sacerdotisa olhou para eu amigo e sorriu:
   - Você conseguiu usar a Crux divina. Fiquei impressionada. Eu levei muito tempo para conseguir usa-la. 
   - Aprendi com a melhor.
Os dois riram. O sol, ameaçava nascer. Sônia sentiu seus últimos momentos.
   - Gabriel. Antes de te conhecer, eu não temia nada. Eu vivia para servir a Deus e estava pronta para morrer por meu dever. Todo dia podia ser meu ultimo, e eu aceitava isso numa boa. Mas desde que fui escalada para ser sua parceira, eu passei a ter medo de tudo. Eu temia a perda, temia a morte.. Percebi que meu maior temor na verdade, era de me apegar. Você me trouxe uma dor que eu nunca quis. Uma dor que eu nunca pedi. Uma dor que aumentava a cada dia que eu passava com você. Sou muito grata por tudo que passamos juntos...obrigada Gabriel. Eu amo você.
Os raios de sol tocaram a pele alva dela.
Fechou os olhos e deixou que Deus a levasse. O sol a queimou gentilmente, transformando-a numa estátua de cinzas. Uma estátua que ainda sorria.
Ele não conseguia conter suas lágrimas. Tocou a amiga no rosto pela ultima vez, fazendo-a se desmanchar completamente...
O dia estava começando. Pegou a cruz, levantou-se, respirou fundo e se pós a caminhar. De volta para casa. Missão cumprida.
Na estrada, ele viu um homem de capuz negro, sorrindo para ele. Brincava com uma moeda de cobre entre os dedos finos esqueléticos...
***
Dias depois, ele estava na catedral de Roma. Reportou à seus superiores o sucesso da missão. Os padres fizeram uma missa pela alma da sacerdotisa morta.
Os dias e as noites voavam. Nada mais tinha sentido para ele. Estava sem ela pela primeira vez em muito tempo. Quase não saia do quarto. Quase não comia.
Até que, uma noite...
Deitado em sua cama, olhando para o teto, levou um susto quando um vento repentino soprou, escancarando a janela. Um som, como se fosse um suspiro soou pelo quarto. O vidro da janela ficou embaçado.
Levantou-se, olhando para a janela.
Uma mensagem começou a se escrever sozinha no vidro embaçado, como se dedinhos invisíveis estivessem escrevendo:

JUNTOS
PARA
SEMPRE
S.R.

Um sorriso lhe veio aos lábios, seguido por uma gargalhada. Sentia claramente a presença dela.
   - Senti sua falta.
Mais uma vez, ele ouviu aquele suspiro. Era o jeito dela de se comunicar.

***

Do lado de fora da catedral, um homem de vestes pretas atirava uma moeda de cobre para cima com os dedos. Ele sorriu, deu as costas e foi-se embora, sumindo nas sombras.


FIM.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Hunted Hunter - capítulo 6: Wicked child



Cap.1
Cap.2
Cap3
Cap.4
Cap.5

    O moinho de vento ficava cada vez maior diante de seus olhos, conforme se aproximava. Apertava o chicote com força, estava ansioso; desde que fora contratado para cuidar do caso dos vampiros adolescentes, estava no encalço desse lugar. Destruiu os três que assolavam vilarejo no leste o país e conseguiu deles a informação que precisava: a localização do esconderijo. A destruição desse lugar representaria uma grande investida contra os vampiros... Mas algo o incomodava muito. Depois de anos de busca infrutífera, Laura, a vampira que matou seu irmão, simplesmente surgiu em sua trilha. Não esquecia as palavras de Sônia, de que aquilo tudo parecia armação. Tinham sido guiados por uma série de desafios, ligados um no outro, de alguma forma. E no ultimo desafio: ele se viu de frente com a colina Olney.
"Você não acha estranho?" Perguntou Sõnia.
   Sim, Gabriel achava muito estranho, mas, se Laura estava mesmo fazendo isso tudo só para manipula-lo a ir até ela, ele tinha que ir, por mais que seja uma armadilha. Sua vida não era nada, ele era apenas um instrumento de Deus para limpar a terra dos vampiros e se tivesse que morrer, então morreria sem medo. Queria uma chance de poder olhar pra ela e lhe perguntar "porque".
"Porque não me matou também?"
   Essa pergunta não saia da cabeça dele, acompanhou-o a vida toda.
   Caminhando pensativo, ele quase não percebeu o homem que estava à sua frente, parado, olhando-o.
   Gabriel parou e encarou aquele que estava em seu caminho:

   Era pouco mais alto que ele, vestia uma túnica preta. Não tinha cabelos e em sua mão, segurava um bastão branco, de caminhada. O homem sorriu e falou:
   - Essa aura... você é o moleque Belmondo, não é?
   - Essa presença aterradora... você é a morte, correto?
   Ele riu baixo e consentiu com a cabeça.
   - Fico feliz que ainda se lembre de mim, Belmondo. Acho que sabe porque eu estou aqui.
   - Você quer eles. Você quer os vampiros, é isso?
   - Sim! aqueles trapaceiros! fugindo da morte! Mande-os para mim Gabriel! Sou um inimigo terrível mas também posso ser um aliado poderoso!
   - É bom ter a morte ao meu lado.
   O senhor Morte lhe sorriu gentilmente.
   - Aquilo que procura... encontrará. Agora siga seu caminho, complete seu destino. Espero demorar muitos anos para voltar a vê-lo.
   O caçador fez uma reverenciou e seguiu o caminho, a colina e o moinho, estavam tão próximos que eles já podia sentir o cheiro de defunto que exalavam. Agora, não havia qualquer duvida: Laura estava logo ali, naquele moinho. Estaria ela aliada com os vampiros dessa região? Gabriel tinha muitas perguntas em sua mente, mas ele sentia que isso não seria apenas mais uma invasão à covil de vampiros, tão pouco parecia ser apenas uma armadilha... Pela primeira vez, Gabe sentiu um calafrio.
   - Acho que dessa vez vai ser interessante!
   Disse ele olhando para trás, tinha se esquecido que Sônia não estava com ele. Não estava acostumado a ficar sem ela. Voltou-se para frente, a porta do moinho estava a 5 passos de distancia dele. Seu coração estava acelerado. O vento soprava, fazendo o moinho girar lentamente. Respirou fundo e abriu a porta...
   Mal a abriu e uma pessoa veio lá de dentro, tentando acerta-lo com um desajeitado ataque de mãos limpas. Gabe recuou com um salto para trás. A pessoa que o atacou estava exausta por algum motivo, e gemia de dor.
   Era uma garota.
   A pela dela era branca como leite, seus olhos tinham uma cor violeta que reluzia lindamente com a luz da lua. Vestia-se com um vestido preto estilo gótico. Era bem bonita.
   - Morra! eu vou proteger esse lugar!
   Ela também era uma vampira, o odor de túmulo dela era inconfundível.
   - Outra vampira adolescente!? o que há de errado com esses jovens?
   A menina estava cheia de cortes e sangue pelo corpo, parecia que tinha acabado de sair de uma luta terrível. 
   Seu primeiro impulso foi atravessar o peito dela com uma estaca, mas sentiu pena. Ela estava claramente nas ultimas, mas mesmo sem força, mostrava-se feroz com a ideia de defender seu esconderijo.
   - Onde estão os outros?
   - Só sobrou eu. Os outros morreram.
   Ela se apoiava na porta, seus joelhos tremiam. Gabriel nunca tinha visto um vampiro tão machucado assim. Geralmente eles usam o sangue que sugam dos outros para se regenerar. Aquela menina devia estar sedenta.
   - Como eles morreram?
   - Cale-se mortal! não fale comigo assim!
   Mais uma vez ela tentou acerta-lo com as garras, mas o caçador pegou o braço dela e torceu para trás.
   - Você não aguenta nem o peso do próprio braço. - jogou-a de cara na parede. - O que aconteceu aqui?
   Ao olhar para o interior da sala, ele viu muito sangue espalhado por toda parte, e muitos, MUITOS montinhos de cinzas no chão. Os mesmos que ficam quando um vampiro morre. Gabriel olhou para a menina que estava segurando e perguntou:.
   - Quem fez isso?
   - Eu fiz. Só sobrou eu. Sou a mais forte. - a voz dela tinha um tom de choro. - Ela disse que eu seria recompensada... ela disse que o mais forte nós, viraria um lorde ao lado dela!
   Gabriel sentiu um frio na espinha.
   - Quem é "ela"?
   - Ela apareceu a uns dias atrás, matou nosso líder sem motivo. Ordenou que nos matasse-nos ate que só um sobrasse e esse, o mais forte, reinaria como lorde ou lady ao lado dela. O medo e a oferta de poder nos subiu a cabeça. Nos atacamos como animais...agora que só eu sobrei, eu devo matar alguém que vai tentar entrar aqui essa noite e completar meu destino, e me tornar uma lady vampira!
   Aquilo era terrível, até mesmo com vampiros. Alguém manipulou os sentimentos deles e os forçou a matar os amigos.
   - Quem é ela? quem foi a vampira que te fez isso?
   - Laura... o nome dela é Laura.
   O choque que aquele nome causou fez com que Gabriel afrouxasse as mãos, permitindo a menina se desvencilhar dele.
   - Onde está ela? onde está Laura?
   A menina apontou para um alçapão aberto no chão.
   - Ela está lá embaixo, me esperando. Mas eu não vou retornar, nao é? Voce vai me matar, não vai?
   - Sim, eu vou. Sinto muito pelo que você passou.
   A menina se encosta na parede, sentindo-se completamente desolada. Isso fez com que o caçador ficasse com ainda mais pena dela.
   - Eu não... quero morrer. - lágrimas de sangue escorreram dos olhos violeta dela.
   - Você morreu a muito tempo atrás, menina.
   - Jessica. Meu nome é Jessica.
   Gabe puxou uma estaca do casaco.
   - Vou fazer a Laura pagar pelo que fez a você e seus amigos.
   Cravou a estaca fundo no coração dela. Jessica fez cara de dor. Olhou bem nos olhos dele:
   - Obrigada...
   Disse ela e se desfez em cinzas no segundo seguinte.
   Ele sentia-se arrasado; crianças vampiros sempre lhe causavam isso. A maldita Laura armou isso tudo para deixa-lo abalado para o confronto definitivo.
   Rangendo os dentes de raiva, ele desceu as escadas do alçapão, queria muito encontra-la e logo.
   O piso de baixo era finamente decorado, parecia o interior de um castelo; o chão era coberto por tapete vermelho, e haviam velas iluminando o corredor. Logo que desceu as escadas, Gabe notou um homem à alguns passos à sua frente, segurando um candelabro.
   - Olá Gabriel Belmondo, caçador de vampiros.
   - Eu conheço você...Você é o Conde Ainslead não é?
   - Sim, sou eu. Te contratei para salvar minha filha e você a matou. Lembra disso?
   - Sua filha estava além de qualquer salvação. Onde está Laura?
   Ele sorri. O conde era um homem de cabelos e barbas brancas. Vestia-se com elegância impecável e sua voz era baixa e severa. Gabriel podia sentir raiva nele, apesar dele tentar disfarçar.
   - Ela está esperando-o, caçador. Siga-me.
   Ele virou as costas e andou até uma porta. Abriu-a e entrou, com Gabriel logo atrás. Era uma biblioteca. Ao fundo, sentada em uma poltrona, estava uma mulher de longo vestido roxo e uma mascara branca no rosto.
   - Senhorita Laura, o senhor Belmondo está aqui. - disse o conde.
   Ele foi até ela, deixou o candelabro na mesa e posicionou-se ao lado da vampira.
   Gabriel sentiu o coração acelerar, então, finalmente, Laura!
   A mulher levantou-se e puxou uma espada longa e fina que estava ao lado de sua poltrona.
   - Gabriel Belmondo, fico feliz em te ver aqui. Vejo que seguiu minhas dicas, precisamente como previ.
   - Morra monstro, você não pertence a esse mundo. - disse ele, calmamente.
   - Tem seus motivos para me chamar assim, Gabriel, e eu não te culpo.
   - Porque me deixou viver? na noite que matou meu irmão, porque me deixou viver?
   - Gabriel, preste muita atenção no que vou te dizer agora. Eu e seu irmão, éramos amantes.
   Aquilo soou nele como um soco nas vísceras. Isso tinha que ser mentira!
    - Não diga besteiras.
    - É verdade. Nos amávamos.
    O conde pareceu irritado com a conversa:
   - Ei que papo é esse? você me disse que iria mata-lo! ele matou minha filha e eu entrei nessa pra trazer ele pra cá para te ver matando ele!
   - Cale-se, Ainslead. Este é meu momento com Gabriel.
   - Não! - gritou o velho. - Eu fiz tudo como você mandou. Você e aquela outra menina vem me dizendo o que fazer a meses, desde que esse desgraçado matou minha filha! E eu obedeci, porque prometeu que o mataria!
   - Eu disse pra calar a boca!
   Com um rápido movimento de espada, Laura decepou a cabeça do velhote. Seu corpo foi ao chão como uma boneca de pano.
   - Desculpe esse inconveniente. Gabriel, eu amava seu irmão. Eu o matei por fui tola, manipulada.
   - Como assim.
   - Seu irmão estava desenvolvendo um tipo de soro, que neutralizava a fome por sangue dos vampiros. Se esse soro se espalha-se poderia trazer problemas a muitos lordes e ladies vampiros que existem. Seu irmão tinha boas intenções, mas estava mexendo com quem não devia.
   Gabe estava atordoado com aquilo tudo, era muita coisa pra ele engolir. Ela continuou:
   - Fizeram minha cabeça para mata-lo. Ama-lo era um erro e ajuda-lo a prosseguir com esse plano, seria insanidade. Eu era uma vampira! deveria viver como uma" Reinar sobre os mortais e não ao lado deles! Como fui tola... caí no jogo deles, fui enganada... matei quem eu amava verdadeiramente... e para que?
   O caçador tremia, ele não sabia como reagir. Não podia acreditar que a Laura que caçou a vida toda, tivesse de fato amado seu irmão. Ele esperou por um demônio, e o que encontrou foi isso?
   - Por isso eu não te matei. No momento que tive seu irmão morto em minhas mãos, eu sabia que o que fiz era errado. Vampiros são maus, e manipulam tudo e todos sem se importar com nada. Eu não sou diferente. Todos os vampiros precisam ser destruídos. Por esse motivo eu não te matei. Todos esses anos eu te observo. Te ajudando a treinar, te guiando secretamente para covis de vampiros poderosos. Eu mesma matei alguns deles, como você mesmo notou na entrada desse covil.
   - Por que isso? porque tudo isso? não me matou, me guiou entre vários desafios, manipulou o Conde Ainslead... e pra que? estou aqui agora, Laura! vamos lutar e ver quem é o maior caçador de vampiros, é isso?
   - Não. - ela tirou a mascara e a deixou cair, revelando seu rosto. - Você vai me matar agora.

   O rosto de Laura era terrivel; sua boca e queixo eram negros e retorcidos como se tivessem sido queimandos. Os dentes dela eram negros e quebrados.
   - Gabriel, eu trai e matei quem eu amava. Eu não quer e nem mereço continuar existindo. Eu esperei todos esses anos ara que você pudesse ficar forte e me matar. - Ela deixa a espada cair. - Agora mate-me por favor. A maldita manipuladora e assassina, que você sempre odiou.
   - Você quer que eu a mate? - ele não acreditava no que ouvia.
   - Eu cuidei do seu futuro para que você pudesse se tornar forte e acabar com essa maldita raça de vampiros. Você é forte agora. Faça seu trabalho, caçador.
   Ele pegou uma estaca e se aproximou dela, olhando-a nos olhos.
   - O que aconteceu com seu rosto?
   Ela sorriu. Seu sorriso era medonho, porém sincero.
   - Eu bebi o soro do seu irmão. A única amostra que ele tinha produzido. Não estava boa ainda, presumo. Foi minha penitencia... Queimou meus dentes e minha boca e eu não consigo mais morder ninguém.
   Laura ajoelhou-se e abriu os braços, esperando o golpe final.
    Com muito receio, ele mirou seu peito e lhe golpeou com toda sua força, atravessando as costelas dela, perfurando seu coração.
   Laura cai de costas no chão, gemendo alto.
   - Jonathan! eu estou indo! eu finalmente estou...
   Com um longo suspiro, Laura se desmancha em cinzas.
   Morta, finalmente. Mas ao contrario do que esperava, Gabriel se sentia vazio. Era isso que ele tinha buscado a vida toda? O dia já estava amanhecendo. O conde Ainslead estava morto ao lado de Laura, ele fazia parte disso tudo, junto com outra pessoa...sim, o conde mencionou mais uma pessoa, pouco antes da Laura lhe cortar a cabeça. Tomado por um mau pressentimento, o caçador decide correr para o vilarejo de Ravenest.

continua...

by Kennen
.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hunted hunter - Capitulo 5: Cross Fear



Não esqueça de conferir os capitulo anteriores:

cap.1- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/10/hunted-hunter-capitulo-1-bloodlines.html

cap.2- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/11/hunted-hunter-capitulo-2-vampire-killer.html

cap.3- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/11/hunted-hunter-capitulo-3-dance-in.html

cap.4- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/11/hunted-hunter-capitulo-4-crystal.html


   
  
  
   Em algum lugar...
   - Você estava certo. Ele está mesmo vindo para cá.
    Uma mulher mascarada em um longo vestido roxo, olhava por uma janela, encarando a chuva do lado de fora. Falava com um senhor à suas costas, um cavalheiro de cabelos e barba brancas. O senhor sorriu para ela:
   - Eu te dou o que você quer, e você me dá o que eu quero.
   A mulher sorriu por baixo da mascara e assentiu com a cabeça.
   Uma mocinha de vestido dourado e cabelos vermelhos se aproximou do senhor e lhe tocou os ombros.
   - Está na hora - disse ela - temos trabalho a fazer.
   O cavalheiro consente e deixa a sala com a moça de dourado. A mascarada toca o vidro da janela e suspira:
   - Gabriel...


                                                                              ***

  " Nada pior que uma chuva para atrapalhar a viagem de duas pessoas que viajam a pé!"
   Gabriel repetiu essa frase varias vezes, resmungando por terem sido pegos por uma chuva inconveniente no meio da sua viagem. Sônia suspirava cada vez que ele repetia aquela frase, preferia que ele ficasse quieto, mas... Gabriel tem que ser Gabriel...
   - Poderia ficar mais calmo por favor? - pediu ela - tem uma aldeia logo ali.
   Sônia apontou para uma placa entre umas arvores que indicava um caminho na mata. Ao se aproximarem, puderam ler  placa:" Ravenest". Mais abaixou, pintado de tinta vermelha, uma frase: "Entre por conta e risco!"
   - Parece que é bem o nosso tipo de lugar. - disse Gabriel, sorrindo de canto. - Um fosso fodido e possivelmente assombrado.
   - Não faça graça! essas pessoas podem estar precisando de ajuda!
   - Ok. Vamos dar uma olhada, até porque não parece que temos muita opção, precisamos de um lugar pra passar a noite e recarregar.
   A dupla tomou o caminho para Ravenest, acelerando o passo; a chuva estava fazendo escurecer mais depressa.
   Sairam da floresta onde estavam e correram por um caminho de barro molhado até encontrarem um vilarejo. Várias casinhas com telhado de palha, coberto por escuridão. Nenhuma luz de nenhuma das janelas.
   - Abandonada? - perguntou Sônia.
   - Não, tem alguém ali.
   Entre as casinhas, havia um homem parado, na chuva. Estava escuro, mas era possível vê-lo ali, quase imóvel.
   - Ei. Ei você! - chamou ele, se aproximando.
   O homem no entanto não se moveu. Sônia empunhou sua cruz, estava com um pressentimento terrível. Seguiu de perto seu parceiro, que adentrava a vila.
   As casas estavam todas fechadas, não era como se estivessem sido abandonadas... tinha algo muito estranho ali.
   - Ei! eu falei com você! - Gabriel tocou o homem no ombro e o virou para si.
   O homem rosnou para ele. Seu rosto era cadavérico, parcialmente comido. Suas roupas estavam sujas de barro. Suas mãos eram como o rosto; podres e corroídas. Os caçadores deram um pulo para trás, com o susto. O homem começou a andar na direção deles, arrastando uma das pernas.
   - Mas que diabos tá acontecendo aqui?
   A sacerdotisa ficou costa-a-costa com seu parceiro.
   - Gabe? acho que temos um probleminha aqui.

   Estavam cercados. À volta deles, dezenas de outros camponeses apodrecidos. Não apenas adultos, algumas crianças também. O caçador desenrolou o chicote.
   - Quanta miséria - lamentou ela - Em nome de Deus, eu não posso permitir que essas pessoas sofram dessa forma.
   O chicote cortou o ar, abrindo um talho incandescente no peito do zumbi que se aproximava.
   - Vamos dar descanso a eles.
   Sônia apontou para frente sua cruz e orou:
   - Fugata daemones et spiritus nequam
   Os camponeses zumbis recuaram com a luz divina que emanava do corpo da sacerdotisa. Eles pareciam sentir medo da presença dela. 
   Se separaram; cada um com seu estilo;Gabriel espancava e rasgava os zumbis com brutalidade, e Sônia usava a presença de Deus para livra-los daquela dor pós morte.
   - Auferte! 
   Ela apontava a cruz e os zumbis naquela direção desmanchavam como lama. Quando o ultimo deles foi destruído, os dois se reencontraram no centro da vila, onde havia um poço.
   - Acho que esses foram os últimos. Você está bem? - perguntou ele, enrolando o chicote.
   - Estou bem, mas ainda tem algo que em incomoda.
   - A mim também. Esse lugar não parece abandonado. Esse poço está em ótimas condições, e eu vi umas plantações ali atrás... E esses casas...
   Ele deu um passo em direção a uma das casas e gritou:
   - Saiam daí!
   - Gabriel! seja mais delicado!
   - Nós sabemos que vocês estão escondidos aí!
   - Nós nos livramos de todos os monstros, não precisam mais ter medo!
   Alguém abriu uma fresta na janela...


                                                                  ***

   O vilarejo de Ravenest e seus habitantes tinham uma vida dupla: de dia, eles trabalhavam e cuidavam do crescimento da vila, eram felizes. De noite, todos se trancavam em suas casas, pois os mortos, seus mortos, levantavam do túmulo e assombravam as ruas. No começo, eles não entendiam o que acontecia e muitos foram mortos pelos ataques surpresas dos mortos. Foi então que descobriram que se ficassem trancados em casa sem fazer barulho, os mortos passariam a noite nas ruas e voltariam aos túmulos, ao amanhecer, sem ferir ninguém.
   A chuva ainda caia do lado de fora. No centro da casa, uma fogueira os aquecia ao mesmo tempo que esquentava agua em uma chaleira. Gabriel e Sônia estavam enrolado em toalhas, sentados no chão, ouvindo as historias da família que os acolheu.
   - Sentimos muito por seus mortos - falou Gabe - mas acho que eles não voltam mais.
   - Mas o que poderia ter causado isso? - perguntou a Sacerdotisa
   O homem coçou a barba e os olhou:
   - Não sabemos com certeza mas... a umas semanas, uma moça apareceu por aqui. Estava toda coberta com um manto preto. Ela passou pela vila e foi em direção do nosso cemitério, e então...
   - Foi terrível! - falou a esposa do homem - ver nossos familiares e amigos que morreram, assombrando as ruas, arranhando as portas das nossas casas...
   - Depois que a chuva passar, nós vamos dar uma olhada nesse cemitério.
   Os aldeões tentaram argumentar que isso era loucura, mas a dupla de caçadores não demonstrava qualquer medo
   A chuva parou, tomaram chá e se aqueceram à fogueira. O homem não levou-os até ao cemitério, ele ainda tinha medo de sair de casa durante a noite, mas lhes indicou como chegar lá, não era muito longe; ficava numa pequena colina, à norte da vila.
   Abriram a porta e saíram da pequena casa. Na rua, os restos dos zumbis jaziam espalhados pelo chão. Sônia notou que conforme eles deixavam o lugar, vários olhinhos curiosos os olhavam por frestas de portas e janelas.
   Gabriel caminhava à frente com o chicote na mão, e logo atrás dele, Sônia carregava um lampião, iluminando um pouco o caminho. 
   Alguns minutos de caminhada depois, os dois estavam de frente a um portão de ferro enferrujado, que levava até uma pequena colina, onde ficava o cemitério. 
   Cautelosamente,  adentraram no lugar. Muitos túmulos estavam abertos e vazios, mas outros ainda continuavam fechados.
   - Eu sinto uma energia estranha vinda to túmulo ali do topo - disse Sônia com voz trêmula. - Necromancia...
   No tal túmulo que ela indicou, havia um símbolo estranho desenhado com sangue. Não era nada que Gabriel recordasse já ter visto, mas Sônia continuava afirmando que era trabalho de um necromante.
   - É necromancia fraca - disse ela - só para perturbar os mortos  os fazer andar por ai.
   - Então quem fez esse feitiço é fraco nas arte das trevas?
   - Ou só tá querendo brincar com o sentimentos das pessoas...
   - Você pode desfazer isso?
   - Claro, só vou precisar de um tempo.
   A sacerdotisa ajoelhou-se no chão e começou o ritual de purificação do símbolo,para remove-lo. Espalhou sal e agua benta por toda a marca, ao mesmo tempo em que orava. Gabe por sua vez, sentou-se em um dos túmulos, para descansar. Olhou o paisagem lá cima, era noite, mas mesmo assim, viu algo que o deixou intrigado.
  
- Fugata daemones et spiritus nequam!
    Uma fumaça negra subiu da marca no chão e ao longe, eles puderam ouvir uivos de dor, como se varias pessoas estivessem sofrendo.
  - Pronto. - disse ela, levantando-se - eles vão encontrar seu caminho agora. vão descansar.
   - Você é muito boa nisso.
   - Deus está comigo. Tudo que eu faço é porque ele me permite.
   - Amém. Ei, eu tava pensando... aquilo mais adiante, parece um moinho, não parece?
   Ela apertou os olhos por uns segundos e depois respondeu:
   - Sim, parece sim. Eu imaginei que estávamos perto de Olney, mas parece que estávamos mais perto do que pensávamos.
   - Então ali é o esconderijo daqueles vampiros. Vamos para lá agora mesmo!
   - Não vamos. - ela disse firmemente.
   - O que? vamos sim, é pra isso que viemos aqui!
   - Gabriel, essas pessoas precisam de nós agora. Temos que ajuda-las a limpar os corpos nas ruas, orar por eles e sepulta-los mais uma vez.
   - Nem pensar! já perdemos tempo demais. Desde que fomos contratados para encontrar aquela menina, a Ashlotte Ainslead, buscamos esse lugar. Eliminar os vampiros que se escondem alí é nosso objetivo! Vamos limpar os vampiros dessa parte da Europa.
   - É isso que você realmente quer? salvar pessoas? banir os vampiros? ou simplesmente saciar seu ódio, espancando e matando vampiros? Isso não vai trazer o seu irmão de volta!
   - Deixe Jonathan fora disso! - ele arfava de raiva.
   - Pense um pouco, não acha estranho o que ta acontecendo? TUDO que nos aconteceu nos últimos meses nos guiou ate aqui, até este ponto que por um acaso, fica bem de frente com o moinho de vento da colina Olney.
   - Então o que? ta dizendo que é algum tipo de armadilha?
   - Não! mas há a possibilidade! Não se atire ao perigo dessa forma!
   - Acho que daqui para frente nossos caminhos divergem. Eu tenho minhas escolhas e você tem as suas.
   - Eu não vou abandonar essas pessoas em um momento tão delicado.
   - Me desculpe, mas eu não sou um padrezinho, tenho coisas mais importantes pra resolver. 
   - Então meu trabalho não é tão importante quanto o seu, é isso que ta dizendo?
   - Entenda como quiser.
   Ele virou as costas e começou a descer o cemitério.
   Voltaram ao vilarejo. Ela estava muito contrariada, sentia um aperto forte no peito.
   - Não tem como te convencer a ficar? 
   Perguntou Sônia, vendo que ele estava mesmo de partida.
   - Não tem como eu te convencer a vir? - respondeu.
   - Meus deveres estão aqui.
   - Os meus, estão lá. Eu volto para te buscar.
   - Que Deus acompanhe você.
   Gabriel assentiu com a cabeça a partiu. Ainda estava escuro, mas ele sabia que o momento que ele esperou a vida toda, finalmente tinha chegado. Ainda estava com raiva de Sônia, mas não podia deixar de ficar feliz por ter certeza de que ela não iria se envolver com aquilo. Se Laura estava mesmo por trás disso... não vai ser bonito.
   A distancia entre os dois ficava cada vez maior e ela não conseguia deixar de olhar o parceiro se afastando, sumindo na escuridão. Queria estar com ele, mas precisavam dela aqui. Só lhe sobrava orar para que Deus o proteja.

Continua...

by kennen

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Hunted Hunter - Capítulo 4: Crystal Teardrops


Não esqueça de acompanhar os capítulos anteriores:

Cap.1- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/10/hunted-hunter-capitulo-1-bloodlines.html

Cap.2 - http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/11/hunted-hunter-capitulo-2-vampire-killer.html

Cap.3- http://kenneneashespace.blogspot.com.br/2013/11/hunted-hunter-capitulo-3-dance-in.html


     Com a missão cumprida, os caçadores fazem o caminho de volta à cidade de Crescent. Gabriel estava levemente de mau humor naquela manhã, por isso, decidiram que Sônia faria a parte diplomática; ele pode ser bom com armas mas não é muito hábil com as palavras, ainda mais para dar noticiais delicadas à senhorita O´hara: "Sua irmã virou vampira e eu matei ela, cadê nosso dinheiro?". Seria melhor não. Sônia era mais indicada a tal tarefa, ela sabia disso e se quisessem algum dinheiro pelo trabalho, deveriam ser o mais cautelosos o possível.
     Eles nunca tinham visto sua contratante; logo que chegaram à Crescent, um homem os abordou enquanto estavam na igreja. Esse homem se apresentou como enviado da família O´hara, uma rica família local, cuja uma das filha desapareceu. Ofereceu-lhes dinheiro, à pedido de Scarlet O´hara, a mais velha filha da família O´hara. Sua irmã mais nova, Melissa, tinha sido a ultima garota a sumir.
    Gabriel e Sônia tinham ouvido rumores sobre garotas sumindo nas proximidades do bosque. O enviado dos O´hara alegou ser obra de um lorde vampiro da região...
     ***
      Logo que chegaram à cidade, os dois foram até a residência O´hara. Era uma grande casa cercada por cerca de madeira. Eles devem ser bem ricos, pensou Gabe.
    - Lembre-se, fique em silencio, deixa eu eu cuido da conversação. 
    - Não vou estragar sua diplomacia... - respondeu ele com mau humor. - Precisamos do dinheiro.
    No portão, foram recebidos por um empregado; um homem alto e bem vestido. Sônia se identificou como os caçadores contratados e requisitou uma audiência com Scarlet. O empregado torceu o nariz; pediu para que esperassem do lado de fora enquanto iria verificar se a senhorita estava disponível.
     A sacerdotisa agradeceu ao homem que se retirou em seguida. Gabriel cruzou os braços tentando não transparecer o quão ranzinza estava. Tomou um ar e olhou à sua volta; o jardim da casa era lindo: a grama muito bem aparada, flores de várias cores e uma arvore com um balanço amarrado em um dos galhos. Fixou os olhos no balanço por um momento; não podia deixar de imaginar Melissa brincando nele. Ficou estático, com a cena da criança brincando e se divertindo no jardim... Ainda não aceitava o destino daquela menina.
      - Ei. - disse Sônia, com uma mão no ombro dele.
      Despertou do transe com o toque dela.
      - Estou bem.
      - É o balanço? quer se sentar nele enquanto esperamos? Eu sei que você não teve infância, então não faz ideia de como é divertido se balançar.    
      - Estou bem.
      - Eu empurro você. - disse com um sorriso.
      - Já disse que estou bem. Eu só estava... imaginando a menina brincando nele...
     Sônia suspirou e baixou a cabeça. Crianças vítimas de vampiros sempre o deixavam assim. Era triste, mas no final, tudo virava combustível para o ódio dele, o que de certa forma, o dava forças.
       Voltou-se para a amiga e sorriu:
      - Vou ficar bem. Eu sempre fico.
      Nesse momento, o empregado voltou pela porta da frente:
      - A senhorita vai recebe-los agora, por favor me acompanhem.
      Logo que terminou de falar, ele deu as costas e entrou na casa, seguido de perto pela dupla. A casa era ainda mais linda por dentro; extremamente elegante e impecavelmente arrumada. Foram guiados até uma sala com poltronas de veludo vermelha, carpetes ricamente trabalhados, janelas enormes coberta por cortinas azuis. Ao fundo da sala, uma lareira acesa e sobre ela, um retrato de uma jovem moça em frente à propriedade.

     Ao lado da lareira, de costas para eles, havia uma pessoa trajando um vestido parecido com aquele da pintura.
    - Senhorita, aqui está o caçador e a freira.
    - Obrigada. Deixe-nos a sós.
      O empregado fez um sinal com a cabeça e deixou a sala. A moça continuava de costas para eles.
     - Senhorita O´hara? é um prazer conhece-la finalmente. - disse Sônia.
     - Minha irmã não está com vocês, caçadores. Devo presumir que o pior aconteceu?
      Gabe estava encostado na parede, com os braços cruzados, tentando ser imparcial. Sônia prosseguiu:
      - Sentimos muito, senhorita. Quando chegamos, sua irmã já havia sido transformada em vampiro. - a sacerdotisa apertava as próprias vestes com as mãos, nervosa. - Então...
      - Então vocês a mataram - Scarlet finalmente virou-se, encarando-os. - Como fizeram coma  filha do Conde Ainslead?
        Scarlet era jovem, mas seu rosto trazia a expressão de uma mulher muito sábia. No fundo dos seus olhos e do seu tom de voz, era possível notar tristeza. Assim mesmo, ela permanecia firme.
       - A filha o Conde estava perdida. Quando a encontramos, ela já havia matado muitas pessoas. Sua alma já não era mais humana.
        - E a Melissa? ela também era um monstro?
       Gabriel fez uma expressão de dor, mas continuou quieto.
       - Quando a encontramos ela estava perdida, sem controle das próprias atitudes. Mas ela ainda pensava em você, senhorita Scarlet. Depois que destruímos o vampiro, ela chorou e disse que não queria ser vista pela família, naquele estado lastimável...
         Sônia mentiu. Gabriel estranhou a atitude, mas não se manifestou.
       - Pobre Melissa... era tão jovem... - Scarlet secou as lágrimas com um lenço. - E depois? como ela...
       - Eu orei pela alma dela. Pedi a nosso senhor que a aceitasse em seu reino... Isso foi tudo que sobrou. - Estendeu a mão, mostrando a ela um pingente de cristal em forma de lágrima.
       Scarlet aproximou-se e pegou a lágrima de cristal. Apertou-a na palma da mão e fechou os olhos, deixando mais lágrimas escorrerem.
       - Nossa mãe deu isso a ela, quando ela era bem pequena... Obrigada por terem trazido de volta.
       - Fizemos tudo a nosso alcance, sinto muito senhorita. Essa noite vou orar pela almas das garotas que se perderam para aquele vampiro.
       - Sou muito grata, tenho certeza que ela e nossa mãe ficaram muito felizes... mas agora, acho que tenho uma conta para acertar com os senhores.
       Os dois estremeceram. Não se sentiam bem com aquela situação, mas o dinheiro poderia ser muito útil. A senhoria caminhou até a escrivaninha, de onde tirou um pequeno saco de pano. Abriu-o e conferiu o conteúdo.
       - Eu espero que 700 libras em ouro sejam o bastante por seus problemas. - disse, entregando o saco para Sônia.
       - São mais do que o bastante, senhorita, obrigada.
       - Que bom, fico feliz, agora, se me dão licença eu...
       - Tenho uma pergunta, senhorita O´hara.
       Gabriel se desencostou da parede e aproximou-se um pouco, olhando-a nos olhos. Sônia sentiu o corpo arrepiar; o que ele estava pensando em fazer?
       - Pois muito bem. Faça sua pergunta.
       - Como sabia que estávamos na cidade? Digo, quando nos contratou.
        Scarlet ficou surpresa com a pergunta. Alisou o vestido com as mãos, sorriu e respondeu:
       - Vocês dois tem certa fama, sabiam?
       - Temos? Você nos abordou com seu empregado, um adiantamento em dinheiro e um plano pronto. Achei estranho.
        Ela suspirou e continuou calmamente:
        - Sim o plano do disfarce com o vestido. Eu imaginava que quem quer que fosse que estava sequestrando as garotas, poderia ter interesse em mim. E quanto ao lorde vampiro... não era segredo, é só perguntar pela cidade. Mas respondendo sua pergunta: sim, eu esperava vocês dois. Soube que o Conde Ainslead contratou caçadores recentemente.
       - Então presumiu que nó fôssemos os tais caçadores?
     - Eu tinha certeza. E digamos, Gabriel, que nós dois temos uma amiga em comum. Lembra da Glória? Glória Sizemore? ela lembra de você.
       - hnnn.  Ok. Adeus, senhorita O´hara.
        Fez uma reverencia e virou as costas. Sônia agradeceu pela ultima vez e o seguiu.

    Glória Sizemore era uma amiga de infância de Gabriel. O avó dela é muito amigo do avó dele e por isso, cresceram juntos uma boa parte da infância. Depois de Jonathan foi assassinado, os dois passaram a se ver com menos frequência. A ultima vez que se viram foi no aniversário de 15 anos dela; um grande baile em sua residência. Ele não queria ter ido mas ela insistiu muito. Dançaram juntos e antes de ir embora, Glória propôs a ele esquecer essa historia de caçar vampiros para se casar com ela. Ele recusou e eles discutiram. Já fazem 2 anos desde então.
      Sônia sabia que Gabe odiava o assunto, mas ainda assim, sentiu a necessidade de espeta-lo:
       - Ela ainda pensa em você.
       - Não me importa.
       - Ela gosta de você. Pelo visto, fala bem de você.
       Gabe virou-se para sua parceira  deu de dedo na cara dela:
      - Já chega. Temos coisas para comprar com esse dinheiro. Ainda temos que visitar o esconderijo dos amiguinhos da Ashlotte Ainslead, lembra-se? Colina Olney?
     - Não tão rápido. Eu quero passar a noite aqui em Crescent. Quero orar na igreja, precisamos...
        - Não! o que precisamos fazer é continuar viagem.
       Sônia afastou o dedo dele que ainda estava apontado para o nariz dela e falou com muita seriedade:
        - Nós vamos descansar hoje. Que tal comer algo decente pra variar? e um banho? eu não me importo se você gosta de ficar sujo, mas eu quero um banho! E que tal uma cama, Gabriel? Uma cama quente, só hoje? A quanto tempo não dormimos em uma cama? Hoje descansamos. Esse dinheiro é tão seu quanto meu, não me negue comida, banho e uma boa cama.
       Deixaram a casa dos O´hara; Sônia à frente, emburrada e Gabriel atrás,com o humor ainda pior.

***
      Além de suprimentos básicos de viagem, Gabriel também comprou algumas lâminas de arremesso, um corselete de couro e duas braçadeiras de tecido com bolsos para pequenos vidros de agua benta. Agua benta guardadas na braçadeiras era uma jogada estratégica que ele tinha inventado; ficariam bem disfarçadas e prontas para serem arremessadas de surpresa. 
       Pegaram um quarto na estalagem e tomaram um bom banho quente. Gabriel também tomou o banho, ele não tinha nada contra ficar limpo, ao contrario do que Sônia pensava; já que a ordem do dia era descansar, um banho era uma ótima maneira de relaxar o corpo. A noite, Gabe acompanhou a parceira até a igreja, onde oraram pelas meninas mortas. Scarlet juntou-se a elas na oração.
       Depois da oração, voltaram à estalagem para jantar...
                   ***

       Um grande pedaço de carne com batatas assadas foi o que pediram. Uma caneca de cerveja para Gabriel e agua para Sônia. Era a melhor refeição que eles tinham em muitos dias. Sem falar no banho e na cama macia que teriam essa noite. Estavam felizes por ter essa pequena pausa. Gabriel também estava feliz, apesar de não admitir; era bom ter passar uma noite em um lugar limpo, iluminado e com pessoas que não querem mata-los. A carne estava deliciosa e realmente precisavam comer algo mais saudável e consistente do que as rações de viajantes que sempre comiam; ma mistura de carne seca com queijo, não muito bom, mas dura muitos dias na bolsa e enche o estomago.
      - É tão bom comer comida de verdade. - Disse ela. - Eu to enjoada dessa ração de viagem.
     - Aproveite sua carne e batatas, pois vamos voltar a comer as rações a partir de amanha. A colina Olney não é muito perto daqui.
        Sônia mastigou um pedaço de batata e bebeu um longo gole de agua.
       - Eu estive pensando...
       - Você e essa sua mania...
       - Deixa eu terminar? eu estou preocupada. Com a Laura...
       Gabriel quase derrubou a caneca de cerveja.
        - Como...?
       - E se ela estiver de alguma forma por trás disso tudo? o Vladimir mencionou ela. Ela sabia que você iria até ele.
      Soltou o pedaço de carne que estava comendo e baixou a cabeça, pensativo. Ela sentiu-se mal por trazer esse assunto, mas não podiam ficar evitando pensar nele. Principalmente se ela estiver certa sobre a vampira.
       - A vida inteira eu esperei pelo dia que a encontraria. Eu sei o que fazer se isso acontecer, e quer saber? que venha! Tenho contas a acertar com ela!
          - Eu sei! eu confio em você, mas não confio nela! Ela pode estar tramando algo.
          - Eu vivo só pra isso. Seja como for, vou encarar sem medo.
          Sônia suspirou, se soltando na cadeira. Não tinha como falar com ele. Só o que a restava fazer era rezar por ele.
         Depois do jantar, subiram para dormir, partiriam de manhã.
         Naquela noite, Gabriel sonhou com Laura, mais uma vez...

        Jonathan estava morto no chão. Um buraco atravessava seu estomago. A vampira tinha sangue escorrendo pelo pescoço.
         - Não! você matou ele! 
         Pulou de trás da arvore onde estava, gritando para a vampira.
         Ela encarou a criança que gritava e chorava. Era o irmão daquele que jazia no chão.
         Coma s mãozinhas tremulas, o menino pegou uma pedra do chão.

         - Você matou meu irmão! você matou ele!
         Atirou a pedra nela, mas infelizmente, sua mira não era muito boa, acertou-a na perna.
        - Moleque idiota! - gritou ela, pulando em cima dele.

       Acordou. estava soado e assustado. Na cama ao lado, Sônia dormia profundamente. Pensou em acorda-la, mas achou melhor deixa-la descansar, ela merecia. Cobriu-se para tentar voltar a dormir. Estava certo que o confronto com o fantasma do seu passado estava cada vez mais próximo.





continua...

By Kennen.