terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Missao anjo da guarda: capitulo 5: Um corpo... Duas almas


Pedro entrou em um beco e eu fui atrás. Ele parecia uma besta feroz, andando sem rumo.
De repente ele parou... e desferiu um soco contra uma caçamba de lixo, fazendo com que a mesma  se deformasse com o impacto.
– Eu disse...  – começou a sussurrar ao se voltar para mim. ­– Fica longe de mim!!! – rosnou
Seus olhos estavam completamente negros, era impossível ver algo ali. E ele não tinha aura, nenhuma aura, aquilo era impossível!
Uma fumaça negra começou a surgir a sua volta e isso fez com que eu desse um passo para trás. Aquilo não poderia estar acontecendo, eu só tinha que cuidar de um humano inferior, certo? Parecia que não.
– Eu sei quem você é... – a voz dele era grossa e assustadora. Definitivamente não parecia pertencer ao mesmo cara. –  An...jo...
Meus olhos se esbugalharam de susto. Como? Como ele sabia que eu era um anjo? A não ser que ele não fosse um simples humano.
– O que você é? – perguntei em meio a um berro. – Como sabe o que eu sou?
Umas manchas escuras foram surgindo no rosto dele como se fossem tatuagens. Seja lá o que ele fosse realmente não era humano. Se aquela missão era uma piada estava começando a ficar de muito mau gosto.
Ele torceu o pescoço de um jeito estranho e mostrou a língua para mim.
– Com medo, anjo? – ele riu alto.
– Eu não tenho medo de um humano. Vocês são como baratas. – tentei parecer ameaçadora.
– Eu não sou humano. – ele abriu a boca mostrando presas que antes não estavam ali. Grandes asas negras surgiram nas suas costas.
Eu saltei para trás e minhas asas se abriram pro reflexo.
– Demônio! – conclui perplexa.
– Exato!  Como demorou a perceber. – ele foi sarcástico.
– Pedro? – sussurrei confusa
Voei na direção dele e acertei seu rosto com um soco, um clarão de luz explodiu o beco. Fosse lá quem fosse aquele demônio, certamente não era a pessoa a qual eu deveria proteger.
Ele se ergueu do chão em meio à poeira e massageou o rosto queimado. Sacudiu suas roupas e agiu como se nada tivesse acontecido. Ainda exibia o mesmo sorriso sarcástico nos lábios.
– Acha mesmo que tenho medo de você? – ele riu. – Não passa de um simples anjo da guarda.
Fechei os meus olhos e uni as mãos. Eu poderia até ser um simples anjo da guarda mas não era assim tão fraca. Uma esfera de luz surgiu na minha mão e me impulsionei novamente voando na direção dele.
– Se eu fosse você não faria isso. – o demônio advertiu. – Se me machucar também o machuca. Somos duas almas em um mesmo corpo. Não pode fazer nada comigo sem fazer a ele também.
Parei com a esfera a alguns centímetros do rosto dele.
Ele fechou os olhos e abriu alguns instantes depois eles estavam castanhos e a marcas ou as asas nãos estavam mais lá.
Recolhi as asas e a esfera de luz imediatamente.
– O que aconteceu? – Pedro perguntou, piscando os olhos, confuso.
– Nada, você saiu com raiva e eu vim atrás. – murmurei. Certamente ele não conhecia o ser sombrio que habitava o seu corpo.
– Parece que toda vez que eu fico com raiva não lembro o que acontece em seguida. – ele balançava a cabeça, perdido. – Droga! Eu tenho que conseguir o dinheiro daquele cara. – respirou fundo. – Mas não sei como...
– De quanto precisa? – perguntei ao me aproximar dele.
–300 reais. – disse ao arrumar a postura do seu corpo.
– Talvez eu possa ajudar você. Desde que me prometa ficar longe de encrenca.
– Valeu, mas não preciso da esmola de ninguém. – ele virou as costas e saiu andando.
Repensei se não deveria ter matado aquele humano idiota junto com o demônio que há dentro dele quando tive a chance.
– Volta aqui! Prefere apanhar de um monte de brutamontes a aceitar a minha ajuda? – humano idiota!
– Pensando bem, você não vai poder me bater mesmo... – ele repensou se virando para mim novamente. – Mas já vou logo avisando que não sei quando vou pode te pagar.
– Tudo bem. – assenti. Sabia que ele não iria me pagar mesmo, contudo, no fim das contas era para salvar o pescoço dele que eu estava ali.
Voltamos para o buraco onde ele morava e eu peguei o dinheiro para ele.
Não conseguia parar de pensar no que havia acontecido, no que existia em alguma parte dele, no demônio que ocupava seu copo. Como destruir alguém sem poder matá-lo? Percebi que ser anjo da guarda talvez fosse muito mais complicado do que eu imagina.

Continua...

By Ashe

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Hunted hunter - capítulo 7 : Bloody Tears


Cap1
Cap2
Cap3
Cap4
Cap5
Cap6

     - Cadê ela? 
     - Eu não... sei...
Gabriel apertava o homem pelo pescoço. Em seu rosto, trazia uma expressão de ódio e frieza e em seus punhos, sangue humano.
***
Assolado por um mau pressentimento de que Sônia poderia estar em perigo, caçador voltou ao vilarejo Ravenest, logo após a morte de Laura.
Suas suspeitas estavam certas; logo que chegou, notou que as pessoas pareciam assustadas com a presença dele. Em seguida, passaram a ignora-lo, como se nunca o tivessem visto antes. Tentou conversar e fazer perguntas, mas ninguém lhe dava atenção, e o pior, não havia sinal de Sônia em parte alguma.
Irritado, ele começou a procurar por sí, quando então, dentro do estábulo achou a cruz de prata dela, caída no chão, com uma pequena mancha de sangue. Foi nesse momento, que dois valentões, dois dos mais altos e fortes moradores de Ravenest entraram, para dar um fim àquele visitante enxerido...
***
Um dos homens estava caído no chão, com os olhos roxos e alguns dentes quebrados, o outro, estava com Gabe sobre ele.Tinha uma garrafa quebrada enfiada na coxa esquerda, que jorrava sangue.
Soltou o pescoço dele, lhe dando uns segundos para recuperar o ar. A cruz de Sônia, caída no chão, lhe dava a certeza de que algo péssimo tinha acontecido, e aquele ataque a ele, justificava sua suspeita; aquelas pessoas sabiam exatamente onde ela estava, e quem a tinha levado.
Sônia Renard, 24 anos. Acompanhava Gabriel como caçadora de vampiros desde que ele iniciou sua missão sagrada. Ele nunca esperou que os dois tivessem uma vida longa e feliz, mas não esperava que seriam traídos por humanos que juraram proteger.
A fúria dele era quase incontrolável. Apesar da raiva que sentia, manteve uma postura calma. Seus olhos estavam injetado de sangue, mas sua voz soava calma. Ele iria matar aqueles dois e todos naquele vilarejo se não lhe dessem o que pedia. Sônia era sua humanidade, seu lado bom. Sem ela por perto, só sobrava rancor.
Pisou na ferida do homem, fazendo a garrafa quebrar, forçando os cacos a lhe penetrarem mais fundo na carne.

   - Eu sei que doi. Onde está a sacerdotisa?
O homem gritou de dor.
Os outros moradores do vilarejo estava reunidos do lado de fora do estábulo. Alguns com enxadas e forcados nas mãos. Quando ouviram o grito, a maioria deles estremeceu; aqueles dois eram os maiores e mais fortes deles.
    - Assassino! - gritou uma senhora, com uma pedra na mão.
Os demais se apressaram para calar a boca dela, mas ela resistiu:
   - É meu filho que lá dentro com aquele animal!
Do lado de fora estava um reboliço; alguns concordavam com ela, mas outros não queriam piorar as coisas. A discussão aumentou, alguns homens estavam pensando em entrar e ver o que estava acontecendo, mas então, sem que ninguém esperasse, a porta do estábulo abriu-se.
Gabriel a empurrou com o pé. Na mão direita trazia seu chicote, aquele que noite passada tinha estraçalhado os zumbis como se fossem papel. Na mão esquerda, a cruz de Sônia, com a adaga armada. Atrás dele, dentro do estábulo, puderam ver os dois fortões, terrivelmente espancados.
   - Eles estão vivos. - disse ele. - Mas ainda não me disseram onde está Sônia.
Apertou com firmeza a cruz na mão e os encarou.
Alguns homens avançaram uns passos, dando a entender que pretendiam ataca-lo. Gabe sorriu maldosamente quando fizeram isso e disse:
    - Antes de me atacarem em um numero tão grande, certifiquem-se que vocês tem espaço para tantos túmulos assim, naquele seu cemitério.
O sorriso demoníaco dele, somado ao sangue que estava espalhado por seu rosto, mais aquela ameaça de chacina eminente, fizeram os aldeões vacilarem.
   - Se não me disseram onde está Sônia, eu vou matar todos vocês. Vou me certificar que desta vez, Ravenest seja de fato, uma cidade cheia de mortos.
A segunda ameaça fez com quem uns sentissem raiva, mas a maioria estava visivelmente apavorada. Ele continuou:
   - Vou perguntar pela ultima vez. Onde está Sônia? 
   -  Ela foi levada daqui.
Era a voz de um homem idoso, vinda de trás do grupo que o cercava, parecia ser o líder ou chefe deles. A multidão abriu espaço para que o velho pudesse ser visto.
   - Onde está ela agora? Quem a levou? 
   - Se você puder se acalmar, eu lhe contarei tudo que sabemos, mas por favor, fique calmo.
   - Prossiga.
   - A umas semanas atrás, nossa vila recebeu uma visitante estranha. Uma moça de capuz preto que passou por nós e foi até nosso cemitério. A partir de então, os mortos começaram a levantar do túmulo, como você mesmo viu.
Os aldeões pareciam apreensivos, mas nada diziam. O velho continuou:
   - Mas, a alguns dias antes de voces chegarem, ela voltou a aparecer. Idenficou-se como uma vampira e que estava atrás de dois caçadores: um homem de cabelos compridos e um chicote e uma sacerdotiza. Nos disse que vocês estavam a caminho dessa cidade e que matariam todos os zumbis e depois, iriam se separar. Quando isso acontecesse, era para prendermos a mulher que ela viria para pega-la e depois disso, estariamos livres dela para sempre. 
   - Vocês entregaram Sônia para uma vampira? - gritou ele – depois de tudo que fizemos por vocês?
   - Estávamos sobre ameaça! Os vampiros controlam toda essa região! Somos escravos deles a vida toda.
   - Aquele vampiros estão todos mortos! Essa garota, quem quer que seja, é a ultima deles! Para onde ela a levou?
   - Ela nos disse onde estaria indo, até deixou um mapa de onde te esperaria, caso quisesse ir atrás dela.
    - E porque diabos não me deram essa porra desse mapa na hora que eu cheguei?
    - Nós não... achamos que...
    - Que não precisavam mais se meter em coisas de vampiros e que aqueles dois caipiras de roça seria mais do que o bastante para me silenciar?
    - Bem...é...
    - Me dá o mapa.
O caçador se aproximou do velho.

   - Me dê o mapa e eu vou embora, nunca mais vão me ver ou qualquer vampiro.
O velho senhor fez um gesto para uma jovem e ela lhe entregou um pedaço de papel dobrado.
   - Aqui está, ela está esperando em uma casa marcada aqui.
Gabe arrancou o papel das mãos dele; abriu-o e analisou: teria que pegar o caminho de volta à Crecent e depois seguir a noroeste. Havia um circulo vermelho na base de uma montanha.
Fechou o mapa e voltou-se para o estábulo.
   - Vou pegar um cavalo.
Houveram protestos, mas o líder do vilarejo mandou que todos ficassem quietos:
   - Deixem ele pegar um dos cavalos. Devemos isso a ele. Nós entregamos a amiga dele à vampira.
Antes de entrar e escolher um dos cavalos, Gabriel esfregou a mão nas roupas de um dos homens que estava com uma enxada na mão.
   - Ei! Que isso? O que você limpou em mim?
O caçador foi até a porta. Parou, olhou para trás e respondeu:
   - Minha fé na humanidade.
Respondeu secamente.
Chutou as portas e segundos depois, saiu galopando rapidamente, deixando aquele vilarejo maldito para trás.
Montanha Baljhet... já ouvira falar mas nunca teve motivos para ir até lá. O caminho não era difícil, mas o lugar não era exatamente perto. Forçou o velho cavalo de tração que encontrou, o máximo que pôde. Sua mente estava muito confusa; não parava de pensar em Sônia, e em quem poderia tê-la capturado. As palavras do Conde ainda ecoavam em sua cabeça: “ havia mais alguém”. Sabia que era uma garota vampira... Seria alguma sobrevivente do ataque insano de Laura aos vampiros de Olney? Mas se fosse o caso, porque pegaria Sônia?
Não parou a viagem nem para comer; devorou as rações ainda cavalgando, porém, pobre animal estava no limite da sua força. Não era culpa dele; os seres humanos são fracos e como todos os seres fracos, agem por medo. Uma pessoa normal teria enlouquecido... Laura jogou com ele a vida toda porque queria ser morta por suas mãos. E o conde... ele estava envolvido nisso, mas também estava sendo manipulado. Quem quer que espera naquela montanha, é a peça solta que resolve tudo.
Ao entardecer, Gabriel foi obrigado a soltar o cavalo, que estava para morrer, não tinha opção se não seguir a pé. Implorava mentalmente o tempo todo para que sua parceira estivesse bem... O pesar em seu peito era muito grande; suas ultimas palavras para ela foram agressivas. Partiu sentindo raiva dela.
   - Só mais dessa vez, aguente por favor...

***

O sol se escondia ao longe, quando chegou até o pé da montanha Baljhet. Como imaginava, havia um casarão lá. Sem medo, correu até ele, derrubando a porta com o pé.
O interior era ricamente decorado, como todo lorde vampiro gosta; cortinas grossas nas janelas, carpete ao chão, quadros lindos e caros pelas paredes... e uma escadaria para o andar de cima.
   - Oh Gabriel... - chamou uma voz feminina, do andar de cima – Gabriel, finalmente chegou! Aqueles caipiras tentaram ocultar o mapa de você por muito tempo?
A voz dela ecoava bem alto, como se estivesse na sala.
   - Suba as escadas. Sua amiga está aqui!
Subiu.
Lógico que ele esperava por uma armadilha, mas ele estava preparado; seus reflexos estavam a mil e nada o surpreenderia.
Logo que chegou ao topo da escada, um homem veio pelo corredor e lhe atacou com um machado. Gabe jogou o corpo para trás e o ataque acertou o corrimão da escada, deixando o machado preso.
O homem em questão era negro e tinha quase 2 metros de altura. Corpo sólido de músculo.
O caçador aproveitou a deixa para acertar um soco no rosto do sujeito, mas ele não parecia ter sentido muito. Com muita força, ele arrancou o machado que estava preso e o brandiu com violência. Gabriel evitou o ataque abaixando-se. Porém, desta vez o homem desferiu uma joelhada nele, acertou-o no queixo. O impacto jogou Gabe para trás; ele caiu no chão e rolou.
Sentiu os dentes baterem com força, enchendo a boca com gosto de sangue. Mal tinha se recuperado da pancada e se viu sendo obrigado a rolar mais uma vez: estava deitado no chão e o gigante estava tentando parti-lo ao meio com o machado. Rolou para esquivar, levantando-se habilmente com uma cambalhota. Tão logo ficou de pé, sacou o chicote e acertou o rosto do sujeito, com um movimento de arco.
O talho aberto no rosto dele o fez gritar de dor. Aproveitando o balanço do chicote, Gabriel girou o corpo todo, num salto de 360 graus, acertando o mesmo lado do rosto, mas desta vez com uma força muito maior. O estalo foi alto e o grito do gigante, ainda maior. Seu sangue tingiu a parede branca atrás dele.
Aproveitou-se do atordoamento causado pelo chicote para arrancar-lhe o machado das mãos e antes que pudesse reagir, acertou-o no peito com a arma. O machado cravou nas costelas do negro. Ele soltou um ultimo gemido de dor, antes de cair morto.
Havia uma porta à sua frente. Estava entreaberta.
   - Bravo! Bravo Gabriel!
Aquela voz, vinha daquela porta. Empurrou-a com a mão esquerda...
Era uma sala de jantar. Os pratos estavam postos, mas comida alguma estava servida. Na ultima cadeira, da ponta oposta a ele, estava uma moça: Estava vestida com vestido branco e preto, com babados, estilo gótico. Seus cabelos eram ruivos e curtos e os olhos, verdes e penetrantes.

   - Lembra de mim, Gabriel?
Ele arregalou os olhos. Não queria acreditar no que estava vendo, era...
   - Glória!? 
   - Sim! Sou eu! Quem diria hein? Sou uma vampira agora!
   - Mas...
   - Porque? É isso que quer saber? Vingança!
A garota atirou a taça de sangue que tinha nas mãos, estilhaçando ela na parede.
   - Vingança porque? 
   - Ainda pergunta? Você me humilhou, me rejeitou! Eu lhe ofereci amor sincero, uma vida boa, e o que você fez? Dispensou tudo! Me chamou de criança e se juntou com aquelazinha... Sônia Renard!
   - Cadê a Sônia?
   - Aquela sem graça? Bem ali.
Glória apontou para um canto. Lá estava Sônia. Algemada na parede. Suas roupas estavam rasgadas, haviam machucado em seu rosto e sangue em suas pernas.
    - Sônia! - gritou – O que fez com ela?
Glória riu.
    - Ela é tão chaaata! Não gritou em momento algum, nem quando meu guarda-costas... aquele morto ali fora... a estuprou.
Sentiu como se uma faca tivesse rasgado suas entranhas. Seu queixo caiu. Lágrimas vieram aos seus olhos.
   - Acho que aquela coisa de castidade já era não é? - riu mais uma vez, com a mão na boca.
O caçador baixou a cabeça. As lágrimas lhe escorriam pelo rosto.
   - Essa garota irritante... não gritou, não implorou.. isso me deu muita raiva. Olhe para ela! - gritou, ficando de pé. - Isso é culpa sua Gabriel! Você e essa sua sede de vingança! Você fez isso a ela!
Deu a volta na mesa, indo para mais perto dele.
   - Não vai dizer nada? Você está tão destruído assim? Juro que pensei que iria gritar e chorar... vocês dois, hunf! São dois chatos! Mas quer saber de algo realmente legal? - ela riu como uma criancinha – Sônia é a minha primeira cria... não é demais?
Rangeu os dentes. Não sentia vida na sua parceira. Pelo contrário, ela emanava o cheiro de túmulo que todo vampiro tinha.
Violaram seu corpo e a transformaram em vampira. Glória tirou tudo dela, sua vida e sua castidade...a raiva explodia nele, mas continuava sem ação. Sentia-se destruído.
   - Oh Gabriel... e agora meu amado? Você mata vampiros não é? Sônia é uma! E ai campeão da justiça? Vai mata-la tambem? Vai matar a nós duas? Eu e Laura manipulamos tudo, desde o inicio, quando eu a conheci num baile. Eu estava bebada e contei a ela de você e então ela propós um jogo, onde no final, a Sônia seria minha e você seria dela...mas a idiota se deixou matar...mas pelo menos ela me deu a vida eterna, como prometido. 
   - Porque... porque a Sônia? Seu problema era comigo.
   - Hun. Porque ela era sua querida parceira. Eu queria fazer dela o seu maior inimigo, e te forçar a mata-la. Você está com raiva não está? Vai me atacar agora e vai matar a nós duas não vai? Pois saiba que eu sei tu...

Um golpe rápido e brutal do chicote acertou o pescoço da vampira, enquanto ela falava e se gabava. Surpresa, ela não conseguiu reagir quando o caçador a puxou com força, fazendo-a voar até ele. Com toda fúria e brutalidade que seu ser conhecia, Gabriel acertou um soco no estomago da pequena vampira, com a cruz de prata em punho.
Num segundo ela estava se gabando do quão forte era como vampira e no segundo seguinte, estava debruçada sobre ele, com uma cruz enterrada no dentro de seu corpo.
O rombo na barriga fazia Glória sangrava todo o sangue que tinha sugado de Sônia. O choque havia paralisado seu corpo. Ela gemeu, olhando para ele, surpresa.
   - Ga..briel...?
Ele abriu os olhos lentamente, olhou-a nos olhos:
   - CRUX DIVINA!
Assim como Sônia tinha feito contra Vladimir, Gabriel invocou a crux divina. Uma explosão de luz branca cobriu toda sala, explosão esta que se originou dentro do corpo de Glória.
Quando o clarão passou, a pequena lady vampira estava caída a 3 metros dele. Todo seu corpo estava queimado e suas entranhas expostas, com o rombo em sua barriga. Ela gemia alto, sentindo uma dor indescritível.
   - Eu não... deveria estar sentindo tanta dor... eu sou uma lady vampira!
Gabe aproximou-se dela, a passos lentos, olhando-a.
    - Gabriel! Estou com medo! Por favor... me perdoe.
Ele mexeu no bolso e tirou uma moeda de cobre. Colocou a moeda na boca dela.
   - Entregue isso ao barqueiro, no mundo dos mortos. Adeus.
Ela arregalou os olhos, implorando por perdão. A porta da adaga que saía do cabo da cruz perfurou seu coração podre.
Glória era só um montinho de cinzas no chão.
Fechou os olhos e respirou fundo. Ainda não era hora de descansar. Ainda havia mais um vampiro.
   - Gabriel...
A sacerdotisa o chamou, sua voz estava trêmula e carregada de dor.
Ele foi até ela, cheio de pesar no coração.
   - Ah Sônia... o que fizeram com você?
Soltou-a das correntes. Não havia mais vida em seu corpo. Não bastando isso, seu corpo tinha sido violado. Tudo isso por causa dele, para atingi-lo. Tudo isso porque ele se recusou a se casar com uma maluca, a alguns anos atrás.
   - Me pegaram desta vez, parceiro. - respondeu ela, tentando ficar de pé. 
   - E agora? - perguntou ele, escorando o corpo dela ao seu. - o que acontece agora?
   - Você sabe o que acontece agora Gabe.
   - Não! Isso não! Não me peça isso!
   - Olhe pra mim! Olha o que sobrou de mim! Eu não posso mais viver. Me tiraram tudo. Tudo, menos você.
Tocou carinhosamente o rosto do amigo.
   - Não me negue isso – continuou ela – não permita que eu viva dessa forma.
Secou as lágrimas que lhe escorriam e concordou com a cabeça. Ela era uma vampira,a ultima vampira da região, e precisava ser destruída.
   - Me leve para fora. Quero ser morta pelo sol, pelas mãos e Deus. Por favor.
Sem muitas opções, ele a levou para fora. Ainda era noite. Teriam que esperar o amanhecer.
Sônia ajoelhou-se para orar e ele ficou ao lado dela, sem dizer uma palavra.
A tantas da manhã, depois de terminar suas orações, a sacerdotisa olhou para eu amigo e sorriu:
   - Você conseguiu usar a Crux divina. Fiquei impressionada. Eu levei muito tempo para conseguir usa-la. 
   - Aprendi com a melhor.
Os dois riram. O sol, ameaçava nascer. Sônia sentiu seus últimos momentos.
   - Gabriel. Antes de te conhecer, eu não temia nada. Eu vivia para servir a Deus e estava pronta para morrer por meu dever. Todo dia podia ser meu ultimo, e eu aceitava isso numa boa. Mas desde que fui escalada para ser sua parceira, eu passei a ter medo de tudo. Eu temia a perda, temia a morte.. Percebi que meu maior temor na verdade, era de me apegar. Você me trouxe uma dor que eu nunca quis. Uma dor que eu nunca pedi. Uma dor que aumentava a cada dia que eu passava com você. Sou muito grata por tudo que passamos juntos...obrigada Gabriel. Eu amo você.
Os raios de sol tocaram a pele alva dela.
Fechou os olhos e deixou que Deus a levasse. O sol a queimou gentilmente, transformando-a numa estátua de cinzas. Uma estátua que ainda sorria.
Ele não conseguia conter suas lágrimas. Tocou a amiga no rosto pela ultima vez, fazendo-a se desmanchar completamente...
O dia estava começando. Pegou a cruz, levantou-se, respirou fundo e se pós a caminhar. De volta para casa. Missão cumprida.
Na estrada, ele viu um homem de capuz negro, sorrindo para ele. Brincava com uma moeda de cobre entre os dedos finos esqueléticos...
***
Dias depois, ele estava na catedral de Roma. Reportou à seus superiores o sucesso da missão. Os padres fizeram uma missa pela alma da sacerdotisa morta.
Os dias e as noites voavam. Nada mais tinha sentido para ele. Estava sem ela pela primeira vez em muito tempo. Quase não saia do quarto. Quase não comia.
Até que, uma noite...
Deitado em sua cama, olhando para o teto, levou um susto quando um vento repentino soprou, escancarando a janela. Um som, como se fosse um suspiro soou pelo quarto. O vidro da janela ficou embaçado.
Levantou-se, olhando para a janela.
Uma mensagem começou a se escrever sozinha no vidro embaçado, como se dedinhos invisíveis estivessem escrevendo:

JUNTOS
PARA
SEMPRE
S.R.

Um sorriso lhe veio aos lábios, seguido por uma gargalhada. Sentia claramente a presença dela.
   - Senti sua falta.
Mais uma vez, ele ouviu aquele suspiro. Era o jeito dela de se comunicar.

***

Do lado de fora da catedral, um homem de vestes pretas atirava uma moeda de cobre para cima com os dedos. Ele sorriu, deu as costas e foi-se embora, sumindo nas sombras.


FIM.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Hunted Hunter - capítulo 6: Wicked child



Cap.1
Cap.2
Cap3
Cap.4
Cap.5

    O moinho de vento ficava cada vez maior diante de seus olhos, conforme se aproximava. Apertava o chicote com força, estava ansioso; desde que fora contratado para cuidar do caso dos vampiros adolescentes, estava no encalço desse lugar. Destruiu os três que assolavam vilarejo no leste o país e conseguiu deles a informação que precisava: a localização do esconderijo. A destruição desse lugar representaria uma grande investida contra os vampiros... Mas algo o incomodava muito. Depois de anos de busca infrutífera, Laura, a vampira que matou seu irmão, simplesmente surgiu em sua trilha. Não esquecia as palavras de Sônia, de que aquilo tudo parecia armação. Tinham sido guiados por uma série de desafios, ligados um no outro, de alguma forma. E no ultimo desafio: ele se viu de frente com a colina Olney.
"Você não acha estranho?" Perguntou Sõnia.
   Sim, Gabriel achava muito estranho, mas, se Laura estava mesmo fazendo isso tudo só para manipula-lo a ir até ela, ele tinha que ir, por mais que seja uma armadilha. Sua vida não era nada, ele era apenas um instrumento de Deus para limpar a terra dos vampiros e se tivesse que morrer, então morreria sem medo. Queria uma chance de poder olhar pra ela e lhe perguntar "porque".
"Porque não me matou também?"
   Essa pergunta não saia da cabeça dele, acompanhou-o a vida toda.
   Caminhando pensativo, ele quase não percebeu o homem que estava à sua frente, parado, olhando-o.
   Gabriel parou e encarou aquele que estava em seu caminho:

   Era pouco mais alto que ele, vestia uma túnica preta. Não tinha cabelos e em sua mão, segurava um bastão branco, de caminhada. O homem sorriu e falou:
   - Essa aura... você é o moleque Belmondo, não é?
   - Essa presença aterradora... você é a morte, correto?
   Ele riu baixo e consentiu com a cabeça.
   - Fico feliz que ainda se lembre de mim, Belmondo. Acho que sabe porque eu estou aqui.
   - Você quer eles. Você quer os vampiros, é isso?
   - Sim! aqueles trapaceiros! fugindo da morte! Mande-os para mim Gabriel! Sou um inimigo terrível mas também posso ser um aliado poderoso!
   - É bom ter a morte ao meu lado.
   O senhor Morte lhe sorriu gentilmente.
   - Aquilo que procura... encontrará. Agora siga seu caminho, complete seu destino. Espero demorar muitos anos para voltar a vê-lo.
   O caçador fez uma reverenciou e seguiu o caminho, a colina e o moinho, estavam tão próximos que eles já podia sentir o cheiro de defunto que exalavam. Agora, não havia qualquer duvida: Laura estava logo ali, naquele moinho. Estaria ela aliada com os vampiros dessa região? Gabriel tinha muitas perguntas em sua mente, mas ele sentia que isso não seria apenas mais uma invasão à covil de vampiros, tão pouco parecia ser apenas uma armadilha... Pela primeira vez, Gabe sentiu um calafrio.
   - Acho que dessa vez vai ser interessante!
   Disse ele olhando para trás, tinha se esquecido que Sônia não estava com ele. Não estava acostumado a ficar sem ela. Voltou-se para frente, a porta do moinho estava a 5 passos de distancia dele. Seu coração estava acelerado. O vento soprava, fazendo o moinho girar lentamente. Respirou fundo e abriu a porta...
   Mal a abriu e uma pessoa veio lá de dentro, tentando acerta-lo com um desajeitado ataque de mãos limpas. Gabe recuou com um salto para trás. A pessoa que o atacou estava exausta por algum motivo, e gemia de dor.
   Era uma garota.
   A pela dela era branca como leite, seus olhos tinham uma cor violeta que reluzia lindamente com a luz da lua. Vestia-se com um vestido preto estilo gótico. Era bem bonita.
   - Morra! eu vou proteger esse lugar!
   Ela também era uma vampira, o odor de túmulo dela era inconfundível.
   - Outra vampira adolescente!? o que há de errado com esses jovens?
   A menina estava cheia de cortes e sangue pelo corpo, parecia que tinha acabado de sair de uma luta terrível. 
   Seu primeiro impulso foi atravessar o peito dela com uma estaca, mas sentiu pena. Ela estava claramente nas ultimas, mas mesmo sem força, mostrava-se feroz com a ideia de defender seu esconderijo.
   - Onde estão os outros?
   - Só sobrou eu. Os outros morreram.
   Ela se apoiava na porta, seus joelhos tremiam. Gabriel nunca tinha visto um vampiro tão machucado assim. Geralmente eles usam o sangue que sugam dos outros para se regenerar. Aquela menina devia estar sedenta.
   - Como eles morreram?
   - Cale-se mortal! não fale comigo assim!
   Mais uma vez ela tentou acerta-lo com as garras, mas o caçador pegou o braço dela e torceu para trás.
   - Você não aguenta nem o peso do próprio braço. - jogou-a de cara na parede. - O que aconteceu aqui?
   Ao olhar para o interior da sala, ele viu muito sangue espalhado por toda parte, e muitos, MUITOS montinhos de cinzas no chão. Os mesmos que ficam quando um vampiro morre. Gabriel olhou para a menina que estava segurando e perguntou:.
   - Quem fez isso?
   - Eu fiz. Só sobrou eu. Sou a mais forte. - a voz dela tinha um tom de choro. - Ela disse que eu seria recompensada... ela disse que o mais forte nós, viraria um lorde ao lado dela!
   Gabriel sentiu um frio na espinha.
   - Quem é "ela"?
   - Ela apareceu a uns dias atrás, matou nosso líder sem motivo. Ordenou que nos matasse-nos ate que só um sobrasse e esse, o mais forte, reinaria como lorde ou lady ao lado dela. O medo e a oferta de poder nos subiu a cabeça. Nos atacamos como animais...agora que só eu sobrei, eu devo matar alguém que vai tentar entrar aqui essa noite e completar meu destino, e me tornar uma lady vampira!
   Aquilo era terrível, até mesmo com vampiros. Alguém manipulou os sentimentos deles e os forçou a matar os amigos.
   - Quem é ela? quem foi a vampira que te fez isso?
   - Laura... o nome dela é Laura.
   O choque que aquele nome causou fez com que Gabriel afrouxasse as mãos, permitindo a menina se desvencilhar dele.
   - Onde está ela? onde está Laura?
   A menina apontou para um alçapão aberto no chão.
   - Ela está lá embaixo, me esperando. Mas eu não vou retornar, nao é? Voce vai me matar, não vai?
   - Sim, eu vou. Sinto muito pelo que você passou.
   A menina se encosta na parede, sentindo-se completamente desolada. Isso fez com que o caçador ficasse com ainda mais pena dela.
   - Eu não... quero morrer. - lágrimas de sangue escorreram dos olhos violeta dela.
   - Você morreu a muito tempo atrás, menina.
   - Jessica. Meu nome é Jessica.
   Gabe puxou uma estaca do casaco.
   - Vou fazer a Laura pagar pelo que fez a você e seus amigos.
   Cravou a estaca fundo no coração dela. Jessica fez cara de dor. Olhou bem nos olhos dele:
   - Obrigada...
   Disse ela e se desfez em cinzas no segundo seguinte.
   Ele sentia-se arrasado; crianças vampiros sempre lhe causavam isso. A maldita Laura armou isso tudo para deixa-lo abalado para o confronto definitivo.
   Rangendo os dentes de raiva, ele desceu as escadas do alçapão, queria muito encontra-la e logo.
   O piso de baixo era finamente decorado, parecia o interior de um castelo; o chão era coberto por tapete vermelho, e haviam velas iluminando o corredor. Logo que desceu as escadas, Gabe notou um homem à alguns passos à sua frente, segurando um candelabro.
   - Olá Gabriel Belmondo, caçador de vampiros.
   - Eu conheço você...Você é o Conde Ainslead não é?
   - Sim, sou eu. Te contratei para salvar minha filha e você a matou. Lembra disso?
   - Sua filha estava além de qualquer salvação. Onde está Laura?
   Ele sorri. O conde era um homem de cabelos e barbas brancas. Vestia-se com elegância impecável e sua voz era baixa e severa. Gabriel podia sentir raiva nele, apesar dele tentar disfarçar.
   - Ela está esperando-o, caçador. Siga-me.
   Ele virou as costas e andou até uma porta. Abriu-a e entrou, com Gabriel logo atrás. Era uma biblioteca. Ao fundo, sentada em uma poltrona, estava uma mulher de longo vestido roxo e uma mascara branca no rosto.
   - Senhorita Laura, o senhor Belmondo está aqui. - disse o conde.
   Ele foi até ela, deixou o candelabro na mesa e posicionou-se ao lado da vampira.
   Gabriel sentiu o coração acelerar, então, finalmente, Laura!
   A mulher levantou-se e puxou uma espada longa e fina que estava ao lado de sua poltrona.
   - Gabriel Belmondo, fico feliz em te ver aqui. Vejo que seguiu minhas dicas, precisamente como previ.
   - Morra monstro, você não pertence a esse mundo. - disse ele, calmamente.
   - Tem seus motivos para me chamar assim, Gabriel, e eu não te culpo.
   - Porque me deixou viver? na noite que matou meu irmão, porque me deixou viver?
   - Gabriel, preste muita atenção no que vou te dizer agora. Eu e seu irmão, éramos amantes.
   Aquilo soou nele como um soco nas vísceras. Isso tinha que ser mentira!
    - Não diga besteiras.
    - É verdade. Nos amávamos.
    O conde pareceu irritado com a conversa:
   - Ei que papo é esse? você me disse que iria mata-lo! ele matou minha filha e eu entrei nessa pra trazer ele pra cá para te ver matando ele!
   - Cale-se, Ainslead. Este é meu momento com Gabriel.
   - Não! - gritou o velho. - Eu fiz tudo como você mandou. Você e aquela outra menina vem me dizendo o que fazer a meses, desde que esse desgraçado matou minha filha! E eu obedeci, porque prometeu que o mataria!
   - Eu disse pra calar a boca!
   Com um rápido movimento de espada, Laura decepou a cabeça do velhote. Seu corpo foi ao chão como uma boneca de pano.
   - Desculpe esse inconveniente. Gabriel, eu amava seu irmão. Eu o matei por fui tola, manipulada.
   - Como assim.
   - Seu irmão estava desenvolvendo um tipo de soro, que neutralizava a fome por sangue dos vampiros. Se esse soro se espalha-se poderia trazer problemas a muitos lordes e ladies vampiros que existem. Seu irmão tinha boas intenções, mas estava mexendo com quem não devia.
   Gabe estava atordoado com aquilo tudo, era muita coisa pra ele engolir. Ela continuou:
   - Fizeram minha cabeça para mata-lo. Ama-lo era um erro e ajuda-lo a prosseguir com esse plano, seria insanidade. Eu era uma vampira! deveria viver como uma" Reinar sobre os mortais e não ao lado deles! Como fui tola... caí no jogo deles, fui enganada... matei quem eu amava verdadeiramente... e para que?
   O caçador tremia, ele não sabia como reagir. Não podia acreditar que a Laura que caçou a vida toda, tivesse de fato amado seu irmão. Ele esperou por um demônio, e o que encontrou foi isso?
   - Por isso eu não te matei. No momento que tive seu irmão morto em minhas mãos, eu sabia que o que fiz era errado. Vampiros são maus, e manipulam tudo e todos sem se importar com nada. Eu não sou diferente. Todos os vampiros precisam ser destruídos. Por esse motivo eu não te matei. Todos esses anos eu te observo. Te ajudando a treinar, te guiando secretamente para covis de vampiros poderosos. Eu mesma matei alguns deles, como você mesmo notou na entrada desse covil.
   - Por que isso? porque tudo isso? não me matou, me guiou entre vários desafios, manipulou o Conde Ainslead... e pra que? estou aqui agora, Laura! vamos lutar e ver quem é o maior caçador de vampiros, é isso?
   - Não. - ela tirou a mascara e a deixou cair, revelando seu rosto. - Você vai me matar agora.

   O rosto de Laura era terrivel; sua boca e queixo eram negros e retorcidos como se tivessem sido queimandos. Os dentes dela eram negros e quebrados.
   - Gabriel, eu trai e matei quem eu amava. Eu não quer e nem mereço continuar existindo. Eu esperei todos esses anos ara que você pudesse ficar forte e me matar. - Ela deixa a espada cair. - Agora mate-me por favor. A maldita manipuladora e assassina, que você sempre odiou.
   - Você quer que eu a mate? - ele não acreditava no que ouvia.
   - Eu cuidei do seu futuro para que você pudesse se tornar forte e acabar com essa maldita raça de vampiros. Você é forte agora. Faça seu trabalho, caçador.
   Ele pegou uma estaca e se aproximou dela, olhando-a nos olhos.
   - O que aconteceu com seu rosto?
   Ela sorriu. Seu sorriso era medonho, porém sincero.
   - Eu bebi o soro do seu irmão. A única amostra que ele tinha produzido. Não estava boa ainda, presumo. Foi minha penitencia... Queimou meus dentes e minha boca e eu não consigo mais morder ninguém.
   Laura ajoelhou-se e abriu os braços, esperando o golpe final.
    Com muito receio, ele mirou seu peito e lhe golpeou com toda sua força, atravessando as costelas dela, perfurando seu coração.
   Laura cai de costas no chão, gemendo alto.
   - Jonathan! eu estou indo! eu finalmente estou...
   Com um longo suspiro, Laura se desmancha em cinzas.
   Morta, finalmente. Mas ao contrario do que esperava, Gabriel se sentia vazio. Era isso que ele tinha buscado a vida toda? O dia já estava amanhecendo. O conde Ainslead estava morto ao lado de Laura, ele fazia parte disso tudo, junto com outra pessoa...sim, o conde mencionou mais uma pessoa, pouco antes da Laura lhe cortar a cabeça. Tomado por um mau pressentimento, o caçador decide correr para o vilarejo de Ravenest.

continua...

by Kennen
.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Missao anjo da guarda: capitulo 4: Olhos negros



Eu acordei com um raio de sol que entrava por uma fresta da parede e batia diretamente nos meus olhos. Espreguicei e coloquei-me de pé. Precisava encontrar seja lá quem fosse o meu protegido e já havia perdido tempo demais.

Assim que abri a porta o morador do apartamento em frente saiu no mesmo instante. Nossos olhares se cruzaram por um breve instante e encarei aqueles obscuros olhos castanhos.

Era ele, não sabia explicar por que nem mesmo como. Mas eu tinha certeza, era ele!

– O que está olhando, garota? – Ele rosnou para mim.

–Quem é você?– indaguei.

– Eu que te pergunto, quem é você?– Ele me encarou.

– Isabela. Agora quem é você?

– Pedro. – Ele respondeu em um tom seco ao notar que eu ainda o observava. Ele era alto, tinha o cabelo curto e intensamente preto, tinha a pele bronzeada e deveria ter 18 ou 19 anos.


– Olha, eu tenho que ir – Disse me dando às costas.

– Ei, espera!– Gritei por impulso segurando o seu braço. Não acreditava que tinha feito aquilo, tocar um humano me dava nojo.

Ouvi um chiar e comecei a sentir um cheiro de carne queimada.

Ele puxou o braço de volta as pressas.

– Tire suas mãos de mim!– Ele rosnou como um bicho feroz. Seus olhos haviam mudado, estavam totalmente negros e assustadores.

Eu me afastei por impulso. Não era possível, um humano não reagiria assim ao toque de um anjo. Só se... Não, não podia ser...

Ele colocou o skate de baixo do braço e saiu andando. Comecei a andar atrás dele.

– Escuta aqui, não sei quem você é ou o que quer, mas fica longe de mim. – Ele disse ao se voltar para mim, seus olhos já haviam voltado ao normal.

–Aonde você vai?

–Para a escola.

– Vou com você.

Ele socou a parede ao meu lado, fazendo com que essa se deformasse. A força dele era muito superior a de um humano normal.

Só agora eu havia notado ele não tinha aura. Mas aquilo não era possível!

– É surda, garota?! Eu falei para ficar longe de mim.

– E eu disse que vou com você.

– Você por acaso trabalha pros tiras? Se trabalha eu estou limpo, okay? Estou longe das drogas à um ano, tá legal. Minha condicional acabou a um mês.

Nossa, que maravilha eu tinha que proteger o senhor encrenca. Por que não simplesmente o deixavam morrer e poupavam o trabalho? Os humanos eram tão inferiores ainda mais um como aquele.

– Não sou tira. – Respondi.

– Então o que quer comigo?

– Ir para a escola tbm.– Disse de imediato.

Ele me encarou nem um pouco convencido.

– Garota estranha. – Sussurrou. – Tá bem, mas fica longe de mim.

Ele saiu andando. O segui.

Ainda não podia acreditar que estava ali, deveria estar no céu, com os outros anjos da morte e não naquele lugar fétido protegendo um humano metido a encrenqueiro.

Caminhamos alguns minutos até um lugar com muros altos e completamente pichados e onde adolescentes se aglomeravam perto do portão.

– Oi, Pedro– sussurram algumas garotas para ele. Idiotas!

– Olha só quem resolveu aparecer. – Ouvi alguém dizer atrás de nós.

Virei-me e vi um cara mal encarado cercado por um bando. Ele parecia ter mais que vinte anos e exibia uma cicatriz que atravessava o lado direito da sua face.

– Imagino que já tenha o meu dinheiro.

– Ainda não, mas... – Pedro gaguejou.

– Como assim não tem o meu dinheiro?! Tá me achando com cara de palhaço é?

–Não, claro que não. Vou dar um jeito de conseguir seu dinheiro cara, mas só preciso de mais tempo.

– Não sou relógio para te dar tempo, sacou?– O garoto estava enfurecido. –Deem uma lição nele!– Ordenou aos seus capangas.

Os caras avançaram na direção de Pedro. E um deles desferiu um soco contra o rosto do meu protegido fazendo com que esse caísse ao chão. Pedro se levantou massageando o rosto. Seus olhos estavam completamente negros novamente.


– Eu disse que ia conseguir o dinheiro! – Ele rosnou como um cão, feroz.

Entrei entre ele e os homens que avançavam.

– Fiquem longe dele! – Ordenei.

O líder do bando começou a rir.

– Olha isso, Pedro precisa de uma garota para defender ele.

Esse comentário deixou Pedro ainda mais furioso. Ele me encarou com os olhos ainda negros.

– Eu disse para ficar longe de mim– sua voz tinha um tom áspero assustador.

– Estou tentando ajudar você!

– Eu não preciso da sua ajuda!

Graças à coragem da sua namoradinha você tem até amanhã para me trazer o dinheiro ou vai levar mais do que um soco. – O homem ainda estava rindo de deboche.

Pedro me olhou pela última vez e saiu andando. Eu o segui. Não acreditava o que estava fazendo.



Continua...

by Ashe

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Destrutivo



Morte. Palavra familiar.
Redenção. Palavra desconhecida.
As sirenes do outro lado do vidro são audíveis. Preciso me mover, preciso sair daqui, mas como?Pergunto-me. Como deixar o palco da encenação?
Viver dos momentos ludibriadores que permanecem ao meu redor? Jamais!
Entregar-me? Não é uma opção!
Sinto minha mandíbula se contrair, meus dentes comprimidos pela força aplicada. Corpos diferentes; constituem par de ação e reação...
Ainda assimilo o breve pensamento que tive antes de me comprometer: O quê está pensando?!Eles vão te pegar! – Não!! (jurei para mim mesmo) Nunca! Sou o melhor no que faço!
É real. Sou mesmo o melhor no que faço. Indiscutível.
Um ano atrás, um maníaco assume o posto de líder. Fecho meus olhos e penso na ira que me domina quando penso em tudo o que ele fez. Retomo os passos que fiz até alcançar o meu objetivo.
Estou na rua. Luzes cintilantes, neons para ser exato. Noite alta, vasta multidão, muita música, mulheres, homens, outras espécies...
Pelos cantos, os desvalidos, os cansados, crianças, idosos, pessoas que passaram a ser ignoradas, acusadas e torturadas por serem julgadas como impróprias para habitarem no meio da sociedade. O homem que consumia o próprio homem. Ao menos seria essa a lógica se eu ainda julgasse como humanos as criaturas manipuláveis e cruéis que gostavam da carniça dos que um dia foram os seus iguais.
As vozes altas e baderneiras, os odores fortes, o gosto intragável daquela multidão. Carniça! Odeio isso... pessoas nojentas e que se mostram superiores, quando na verdade são piores do que os próprios excrementos.
Loucos. Depravados. Mentes sórdidas e pútridas que desejam se unir ao asco de sua existência, ou ao menos levar consigo um maior número de adeptos desse estilo.
Como podem fazer tal coisa? Como podem cogitar o verdadeiro prazer como um ato imprudente e repugnante do que julgam ser a alegria? Aversão já não é mais o senso correto pelo qual entregaria tais espécimes... Talvez ‘filhos do mundo’... os verdadeiros (ódio interno... posso senti-lo).
‘Filhos do mundo’, mistura tola e irracional pela qual definem todos aos quais não pertencem ao seu segmento. Com se pudessem de fato prever todos aqueles cuja mente e bolso são confiáveis o suficiente para estarem no meio desses vadios imundos.
Ha,ha... sarcasmo... como diriam: tenham fé meus fiéis, pois afinal, quem pode prever as atrocidades as quais estamos sujeitos por culpa dos filhos do mundo...
O discurso político é evidente, mas isso é assunto para outro instante. Respondendo: EU posso prever, EU sei o que esperar, como e quando esperar, SOU capacitado... Responsável pela justiça - não o julgamento, pois eles se autocondenam- tolos e imbecis acham que podem escapar, mas não, nunca podem!
E hoje era a vez do grande desastre para o chefe deles. Aquele cuja mente se prediz capacitada para o auto controle e dominação das massas. Sua figura tão calma e serena esconde de todos a maior infecção jamais vista por aqueles que o cercam, ou ao menos aqueles que se deixam dominar por ele. Esta noite ele conhecerá a verdadeira justiça divina.
Os aposentos dele eram luxuosos. Luxuosos demais para alguém que vivia se dizendo santo e humilde servo. Humildade nunca foi palavra para aquele ser. Humilhação será a palavra ideal.
Devido as ideias repulsivas daquela mente, hoje a sociedade se encontrava em organização destrutiva. Os assim chamados “mais fortes” agora possuíam poderes diretos sobre qualquer um que considerassem mais fracos ou descartáveis para o mundo.
Era horrendo! Pessoas cometendo atrocidades contra as outras por se acharem nesse direito. E eu percebi que elas nunca iriam parar se o líder não fosse deposto.
Meu ódio por eles era intenso, a minha boca secava cada vez que minha mente recordava o motivo maior que me levou até aquele lugar. Receber o corpo do meu filho. O corpo inerte e frio, um garoto de quinze anos, fuzilado. Um menino esperto, inteligente, que possuía uma vida inteira pela frente.
Meu filho. Morto. Um mês depois eu recebo o disparate de um pedido de desculpas enviado pelo correio. Diziam que meu filho havia sido confundido com um dos ‘filhos do mundo’. O ódio cresceu, a vontade de vingança surgiu. Mas ódio e vingança acumulados me fizeram criar forças, fizeram cada passo se tornar único e cego até atingir o objetivo.
E hoje eu estava ali, naquele lugar. O alarme já havia sido soado, mas eu não desistiria. Eu o encontraria e depois mostraria sua cabeça despregada de seu corpo para todos que ali estivessem.
Levantei-me e comecei a andar pelo local. Era uma fortaleza enorme, mas meus instintos já estavam treinados e meu ódio crescia cada vez que sentia estar chegando perto. Eu o mataria e deixaria o sangue escorrer pelos meus dedos.
Atravessei todos os corredores e alcancei uma porta enorme. Sem pensar duas vezes saquei a arma que carregava e entrei no local. A minha frente havia um monitor, uma espécie de tela gigante e apenas uma cadeira. Assentado nessa cadeira havia alguém. Ele.
Apontei a arma em sua direção.
_Vire-se...bem devagar... quero olhar nos seus olhos enquanto eu o faço pagar por tudo isso.
A cadeira foi virada e o rosto familiar apareceu. Era idêntico aos dos inúmeros programas e cartazes distribuídos por todos os locais. O homem velho e grisalho.
_Assassino...
Meu dedo já estava no gatilho. Minha mente já estava preparada. Mas não precisei puxar o gatilho para ouvir o barulho da bala. Foi então que notei. Atrás de mim havia mais alguém. Esse alguém havia acabado de matar o homem a minha frente.
Não me virei rápido, mas quando o fiz, meus olhos não acreditaram naquilo que estavam vendo. O garoto sorria enquanto abaixava a própria arma lentamente. Depois me encarou e eu gelei com aquela expressão.
_Olá... papai.