quarta-feira, 2 de abril de 2014
Missão anjo da guarda: capitulo 7:Enfrentando o demônio
Passei o último
mês vivendo o meu pior pesadelo. Não adiantava mais fingir que aquilo não estava
acontecendo ou era uma piadinha de mau gosto que logo iria acabar, pois há aquela
altura já estava claro que não. Já tinha
chorado, esperneado, perdido a todos os anjos superiores e de nada adiantou. Eu
era um anjo da guarda agora e ponto.
Proteger Pedro
era de longe a coisa mais fácil do mundo. Ele era briguento, irresponsável, possuía
todos os tipos de inimigos imagináveis. Como se isso já não fosse o bastante
ainda havia o demônio dentro dele com o qual eu não sabia lidar, e que me
impedia de tocar no garoto sem que eu o machucasse.
Se você acha
que ser anjo é uma coisa legal, é porque nunca se imaginou no meu lugar. Oh mundo
cruel, ainda tinha certeza de que não merecia aquilo.
– Isabela! –
ouvi alguém gritar batendo na minha porta. – Isabela, acorda ou vamos nos atrasar
para aula. – Pedro não parava de berrar do outro lado.
– To indo. –
resmunguei sem querer me levantar.
Droga! Como eu
odiava aquilo.
– Isabela! –
ele insistiu
Ah, até que
ele era um humano legal... Ahmmm? No que eu estava pensando? Ele é só um humano
inferior.
– Isabela!
– To indo!!!
Saltei da
cama e corri para o banheiro pegando uma muda de roupa no caminho. 15 minutos
depois eu abri a porta do quarto e ele esta lá, escorado na parede, olhando
para mim. Por um breve instante ele pareceu um garoto normal, como se não
houvesse uma criatura perversa habitando o corpo dele.
– Achei que não
iria sair nunca. – ele resmungou caminhando pele corredor e eu o segui.
Ignorei o
comentário dele.
– Você é
sempre assim? – ele parou de andar e se virou para mim.
– Assim
como?
– Tão
arrogante.
– Não sou
arrogante.
– Imagina. –
ele disse sarcástico e voltou a andar. – Ah – ele parou novamente. – Trouxe o
seu café senhorita altruísta. – ele me estendeu um saco de papel marrom.
Nossos dedos
se cruzaram por um breve segundo, ele tirou a mão como se tivesse encostado em
uma panela quente. Seus olhos ficaram negros por um breve segundo.
– Já ouvi
casos de pessoas que tomam choque ao encostar em outras. Mas isso é estranho. –
ele resmungou.
– Vai saber o
porquê, nunca fui muito boa em física mesmo. – desconversei, dando uma mordida
no pão com queijo que ele me trouxe.
Ele começou
a rir.
– O que foi?
– perguntei sem entender o motivo da graça.
– A senhora
perfeita admitiu que não é boa em alguma coisa.
Fechei a
cara e ele continuou a rir.
Caminhei até
a escola, ao lado dele, em completo silêncio. Estava pensativa. Será que eu era
mesmo assim? Bobagem! Eu era um anjo, uma criatura divina, perfeita.
– Olha só
quem vem ali. – resmungou um dos valentões da escola quando nos aproximamos. – Pedro
e a namoradinha dele.
– Ela não é
minha namorada. – Pedro rosnou.
– Oh, se é
assim . – disse o garoto que deveria ter vinte e poucos anos, era alto, gordo,
usava um boné para trás, roupas surradas e fedia como uma caçamba de lixo. Ele se
aproximou de mim até ficar a poucos centímetros. – ela pode ser A MINHA
namorada.
Pedro segurou
a mão do cara no ar, antes que a mesma me tocasse.
– Tire suas
mãos imundas dela. – Pedro rosnou.
– Ou o que? –
o encrenqueiro desafiou em meio a uma gargalhada.
– Você não
sabe do que eu sou capaz. – a voz de Pedro soou grave e assustadora. A partir
dos olhos dele começaram a sair manchas negras que foram tomando conta do seu
rosto.
Os curiosos
que assistiam saíram correndo com medo. O cara tentou fazer o mesmo, no entanto
Pedro segurava o seu braço com uma força descomunal.
– Pedro, ei Pedro,
calma. – tentei interferir.
– Cala a
boca, anjo! – ele rosnou em minha direção.
Seus dentes estavam pontudos e assustadores.
Há aquela
altura o encrenqueiro já havia feito xixi nas calças. Eu era capaz de apostar
que ele pensaria centenas de vezes antes de mexer com alguém novamente.
Sabia que Pedro
não estava mais no controle, aquele a minha frente era o demônio.
– Você pode
lutar Pedro! Você pode escolher.
– Cala a boca!
– o demônio gritou novamente.
– Eu não tenho
medo de você. – disse olhando-o nos olhos.
– Deveria
ter. – ele soltou o cara e andou na minha direção.
O garoto
saiu correndo como um cometa, sem nem ao menos olhar para trás.
Estávamos sozinhos,
um Pedro inconsciente, o demônio e eu.
– Você só
aparece quando ele perde o controle. – comecei a dizer. – Sabe muito bem que se
ele quiser pode lutar contra você.
– Isso é
mentira! Eu sou um demônio, mais forte do que qualquer humano medíocre.
Foi a minha
vez de rir. Havia menosprezando os humanos toda a minha existência e estava ali
dizendo para um demônio que a mesma criatura que eu julgava inútil era mais
forte que ele. Foi engraçado. E por mais engraçado que fosse eu acreditava
naquilo.
Permaneci olhando
profundamente nos olhos de Pedro. Sabia que ele estava ali em algum lugar. Costumava
ouvir que os olhos eram a janela da alma, mas como essa era uma dádiva apenas
dos humanos eu não tinha certeza.
– Pedro você
pode, lute contra ele.
Abri as
minhas assas e deixei que a minha luz tomasse conta do ambiente ao meu redor.
– Vá embora,
anjo enxerida! – o demônio berrou.
–Isabela! –
ouvi a voz de Pedro ecoar baixinha. – Isabela!
– Não! –o demônio
berrou.
A voz do
mesmo foi se perdendo e a de Pedro se tornando mais forte.
Aquela luta
pareceu interminável, até que os olhos de Pedro voltaram ao normal e eu soube
que ele estava ali novamente. Mais forte, vitorioso!
– Isabela, você...
eu? – ele me encarou surpreso enquanto eu recolhia as minhas asas.
– Longa
história. – resmunguei.
– Não to a
fim de assistir as aulas de hoje mesmo.
Virei às
costas comecei a andar, ele me seguiu. Acabamos sentando as margens de um rio.
Permaneci em
silêncio, não sabia o que podia ou não contar para ele, porém
Achava que
ele merecia saber.
Contei “Ei,
tem um demônio dentro de você” e “Eu sou um anjo” da forma mais fácil que
consegui. No fim do meu discurso ele estava me olhando com os olhos
esbugalhados em um misto de surpresa e incredulidade. Reação dentro do
esperado.
– Você quer
dizer que toda vez que eu apagava e não lembrava de nada depois era porque um demônio
tomava conta do meu corpo?
–
Basicamente.
– Caramba! –
ele estava chocado demais para dizer qualquer coisa.
– Acho
melhor irmos trabalhar. – foi a melhor coisa que consegui dizer.
– Ta bem. –
ele concordou e começou a andar. – Mas se você é um anjo por que não simplesmente
cria dinheiro? –perguntou curioso.
– Já me fiz
a mesma pergunta, mas não funcionou. – lamentei.
Não conversamos
muito durante o expediente. Acho que ele precisava de tempo para digerir tudo
aquilo. Se não tivesse visto com os próprios olhos jamais acreditaria em mim.
Quando voltei
para o meu quarto, na pensão barata e abri a porta tomei um grande susto.
Havia um
anjo de pé ao lado da minha cama.
Engoli seco. Comecei a me perguntar mentalmente qual era a
punição pior do que me tornar um anjo da guarda.
Continua...
By Ashe
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Sonic . EXE
Olá.
O que passo a relatar aqui será visto como insano, ou sonho. É o
que todos dizem para mim, por mais que eu tente provar, mas eu vi, eu
sei que vi. Cabe a você, quem quer que seja, acreditar ou não.
Como toda criança na
minha época, eu era fã do Sonic. Sonic e Mario eram os jogos
favoritos de quase todo mundo, mas, alguns ficavam mais com o Sonic e
outros com o Mario. Eu era mai da turma do azulzinho veloz; meus pais
não em deixavam brincar na rua e me davam videogames para passar o
tempo, acho que esse foi um dos principais motivos de eu sempre
gostar mais do Sonic, ele é livre, pode correr para qualquer lugar e
é super rápido; tem muitos amigos e salva os animais. No entanto
conforme o tempo passava, a franquia começou a crescer e ganhar
plataformas em 3d, o que mudou muito a jogabilidade original e eu aos
poucos fui deixando de gostar da saga.
A vida passa, a infância
acaba e a vida adulta chega; hora de deixar o velhos herois de lado e
encarar a realidade. Adultos não jogam, adultos estudam e trabalham
e foi o que eu fiz entrei pra faculdade;mal tinha tempo para as
coisas que eu gostava, quem dirá, jogar vídeo game, que era coisa
de criança a toa.
Um dia porém, mexendo
numa caixas de coisas velhas, encontrei meu empoeirado e antigo mega
drive. Ao toca-lo, foi como se todas as boas memórias e infância
tivessem voltado á mim, lembrei das tardes que passava sentado no
chão da sala, tomando coca e jogando ele, e das madrugadas, que
jogava escondido da minha mãe. Rejuvenesci na mesma hora: as
musicas, os sons, as sequencias de botões, tudo veio à mente, junto
com uma enorme vontade de jogar mais uma vez.
Tirei o pó de cima dele
e o liguei na tv do meu quarto e para meu espanto, funcionou! Meu
cartucho do Sonic não funcionava mais, infelizmente, entao, coloquei
Streets of rage para jogar um pouco, mas logo cansei, não era bem o
que eu queria. Então, calcei o tênis, vesti um boné e saí para o
centro da cidade, procurar uma dessas lojinha de eletrônicos, onde
se encontra coisas velhas quem ninguém mais quer.
Depois de algum tempo
procurando, eu encontrei uma dessas lojas, fui ao vendendo e
perguntei: Você teria ai o cartucho do Sonic? aquele antigão mesmo.
Mal
terminei a pergunta o o cara respondeu:
- Tenho um
aqui sim.
Ele buscou atrás do
balcão e me entregou um cartucho totalmente preto, sem rotulo,
apenas um uma fita branca colocada na frente com o dizeres "Sonic".
Torci o nariz, com razão, e o homem continuou:
- Esse cartucho ta
sempre voltando pra cá e considerando as péssimas condições dele,
eu te faço por 10 reais, o que acha?
Considerando que aquilo
fosse mesmo Sonic, estava o preço muito bom, afinal, o valor
sentimental que eu tinha por aquele jogo era muito maior do que isso.
Como eu tinha exatamente 10 reais no bolso comprei-o, atirando a nota
sobre o balcão quase automaticamente.
Corri pra casa para pode
jogar logo; em todos aqueles anos que eu deixei de lado os vídeo
games, que me forcei a crescer, eu esqueci como é legal e divertido
gastar um tempo relaxando com games eletrônicos, e eu estava prestes
a reviver isso tudo. Mas antes não tivesse.
Liguei
o jogo e fiquei feliz em ver que era mesmo Sonic. A tela de entrada,
com sorrindo sorrindo confiante e agitando o dedo como sempre,
porém.... quando apertei start, algo muito bizarro aconteceu que me
fez pular do sofá: o céu ficou totalmente escuro, o mar, vermelho
como sangue. O sorrio confiante de Sonic era agora um sorriso maligno
e seus olhos totalmente negros com um ponto vermelho no meio, era
como se a tela de inicio tivesse ido para inferno!
O jogo nao começou como
antes. A invés de ir para Green Hill zone, fui levado a uma tela
vermelha com save files, porém, sem a opção de escolhe-los, a não
ser uma delas. As outras duas estavam trancadas com um ícone de
cadeado, e a musica do fundo era assustadora! era uma versão
distorcia e demoníaca da musica da "data select" de sonic,
mas num tom melancólico e macabro, como nunca ouvi antes. O Slot
disponível tinha apenas a figura de Tails selecionada, tentei
apertar tudo, mas parece que apenas poderia jogar com Tails sozinho.
Eu odiava ele, queria o Sonic, mas não parecia ter opção, era como
se o jogo quisesse que eu fosse o Tails. Apertei start para
seleciona-lo... a luz do meu abajur oscilou quase que na mesma hora.
gelei.
Uma tela preta apareceu
na sequencia, onde normalmente estaria escrita o nome da fase(
Greenhill zone) apareceu uma mensagem em inglês "Bem vindo de
volta". Como assim? o jogo estava falando comigo? em seguida sou
jogado na Greenhill zone, mas tudo é apenas uma reta. Começo a
correr com Tails e a musica do fundo para estar tocando de trás pra
frente. Aquele som estava entrando na minha mente como uma agulha. Passo por varias árvores e pedras normais do cenários mas eis que
então começam a aparecer rastros de sangue e destroços de animais
por toda parte. Continuo a correr para frente, pois a tela trava e
não me deixava recuar. Continuei a correr por aquele cenário
horrível até que encontrei Sonic. Tails pára de correr, e sem que
eu pudesse controla-lo ele caminhou até Sonic. Sonic que estava de
braços cruzado e olhos fechados, abriu-os e seus olhos estavam
vermelhos como na tela de abertura. A tela escureceu e eu ouvi uma
risada que parecia vir de todos os cantos do meu quarto e uma
mensagem apareceu na tela, " VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO?"
Em seguida, surgiu a
mensagem de título de fase, como aparece em todas a fases que você
acaba de entrar, mas ao invés de aparecer o nome de uma fase,
apareceu ": esconde esconde".
A tela seguinte era
pavorosa: estava tudo em chamas, Tails estava parado com uma
expressão de medo e ele apontava para mim! isso mesmo, para mim, ou
para algo atrás de mim.
Naquela hora senti um arrepio subindo pelas
costas, mas resisti a tentação de olhar para trás. Peguei o
controle, suando e comandei Tails a correr por entre aquela terra
abrasada. Tão logo ele começou a correr, aquela risada assustadora
mais uma vez pode ser ouvida por todo meu quarto, e a imagem do Sonic
demoníaco surgiu, correndo atrás de Tails. Eu apertava com força o
controlador para que ele fugisse, mas Sonic estava cada vez mais
perto, e o que era pior, aquela musica desesperadora de quando se
está morrendo afogado no jogo, começou a tocar. Conforme a musica
acelerava, Sonic chegava mais e mais perto de Tails.
Eu estava muito
apavorado, eu sabia que algo bom não iria sair daquilo. Quando Sonic
finalmente tocou Tails, ele sumiu... e então eu vi Tails, me
encarando e chorando. Eu nunca vi tal animação antes, Tails estava
olhando para mim e chorando desesperadamente como se implorasse minha
ajuda....
Então Sonic apareceu do
nada, na frente dele, com as mãos em sua direção agarrou-o... em
toda minha vida, eu nunca tinha ouvido um grito tão aterrador, tão
assustador... a tela escureceu, mas o grito de Tails continuou por
uns segundos, ecoando meu quarto todo...e meu abajur oscilou mais uma
vez.
Silêncio.
Mais uma vez ouvi aquela
risada e então outra mensagem na minha tela: "VOCÊ FOI MUITO
LENTO. QUER BRINCAR DE NOVO?"
Mais uma vez a tela de
"data select" apareceu, mas desta vez, Tails estava
cinzento e com lágrimas de sangue escorrendo pelo rosto. Meu deus!
Tails estava morto? Sonic o matou enquanto eu jogava? isso não pode
ser real, é só um jogo! e jogos são coisas de crianças! coisas
divertidas!
A tela de data select
agora indicava que era a vez de Knuckles, o outro amigo, que eu
também não achava legal... Sonic queria que eu o visse morrrer?
Estava apavorado, mas muito curioso. Apaguei meu abajur e apertei
start, selecionado-o.
O nome da próxima
fazer era "VOCÊ NÃO PODE CORRER" . Era a chemical Plant,
mas estava tudo destruído. Knuckles corria para direita e como
tails, nao podia voltar, Corri. A certo ponto, o chão começou a
ficar coberto por sangue. Continuei a correr sem me importar,quando,
a maldita risada de Sonic, que sempre que causava a arrepios soou de
novo. Ele aparecia e sumia em flashes, cercando Knuckles, a cada
aparição, eu tinha menos espaço para me movimentar, quando então
Knuckles cai ao chão exausto e Sonic aparece por trás dele com
aquela cara demoníaca....
A tela apagou e mais uma
vez ouvi um grito, dessa vez, de Knuckles. O grito era tão terrível
e assustador quanto o de Tails... Meu coração estava acelerado,
quem seria agora?
De volta à tela de data
select, assim como Tails, Knuckles estava cinzento e sem vida,
chorando sangue, e, para minha surpresa, o próximo slot pertencia ao
Dr. Robotinik. Mesmo sabendo o que aconteceria a seguir, eu apertei
start.
A fase seguinte se
chamava " ..."
Robotinik estava seu
laboratório, ma haviam marcas de sangue por toda parte. Comecei a
correr com ele, mas era um pouco diferente, ele parecia chorar
enquanto corria, era como se ele soubesse do que estava por vir;
todos morreram, só sobrava ele. Seu laboratório em ruínas passava
por ele, enquanto eu o fazia correr desesperadamente.
A maldita risada de
Sonic ecoava por toda parte e muitas vezes eu sentia como se ele
estivesse bem atrás de mim! como se aquilo fosse um castigo por
tê-lo esquecido por tanto anos!
Robotinik
correu até a saída do laboratório, onde Sonic o esperava, com um
largo sorriso e olhos vermelhos. O Doutor chorava desesperado, quando
então a tela escureceu e num flash, surgiu uma imagem que nunca mais
consegui esquecer, que sempre que fecho os olhos, eu vejo na minha
mente. O rosto de Sonic, deformado, enorme na minha televisão,
dizendo "EU SOU DEUS."
Essa imagem permaneceu
estática ai, não importava o que eu fizesse. Apertei o start mais
uma vez e a tela mudou para uma cena com Tails, Knuckles e Ronotinik
com as cabeças decepadas, e entre eles, Sonic, olhando para mim, com
aquele par de olhos frios, como se me dissesse " você é o
próximo".
Pra mim chega! corri até
o console para tirar aquele cartucho dali, nunca mais queria vê-lo
de novo! minha infância fora totalmente destruída e eu jamais
poderia fechar os olhos novamente sem lembrar daquele olhar, mas para terminar meu desespero, logo puxei o cartucho, a imagem sumiu, e mais uma vez pude ouvir aquela risada, agora, com a tela toda escura, o console desligado e o cartucho na minha mão... Sonic estava mandando uma mensagem para mim.... eu queria ter...Oh Deus...
( esta carta foi
encontrada dias depois, no corpo de um homem de 23 anos, trancado no
banheiro. Seu cadáver estava em posição fetal e era difícil
identificar a causa da morte. Nas paredes, uma frase escrita em
sangue: você não pode correr.)
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quinta-feira, 27 de março de 2014
Crush
Por que fui ouvir meu coração ?
E me deixei levar pela vontade de te abraçar,
Mal sabia que estava me condenando a uma prisão,
Da qual não existe forma de escapar;
E me deixei levar pela vontade de te abraçar,
Mal sabia que estava me condenando a uma prisão,
Da qual não existe forma de escapar;
Apenas me lançando um sorriso,
Você me deixa completamente perdido,
Me faz sentir que perdi o juízo;
Faz com que todo o resto perca o sentido,
Você me deixa completamente perdido,
Me faz sentir que perdi o juízo;
Faz com que todo o resto perca o sentido,
Então tenho que encarar a verdade,
De que estou completamente a sua mercê,
Pois quando me pedem para pensar em felicidade,
A única coisa que consigo pensar é você.
De que estou completamente a sua mercê,
Pois quando me pedem para pensar em felicidade,
A única coisa que consigo pensar é você.
By Talon
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Por entre as rosas
O raio de
sol atravessou as frestas da janela, atingindo os olhinhos de garota
que dormia. Ela torceu o rosto, fazendo uma careta devido à luz. Em
seguida veio um longo bocejo. Tentou abrir os olhos, mas precisou
esfregá-los com as mãos, antes de conseguir abri-los totalmente.
No
segundo seguinte, pulou da cama, jogando o edredom para o lado; era
como se sua preguiça matinal estivesse acabado em um segundo.
Cambaleou até a janela e abriu com pressa. O sol brilhava suave no
céu, parece ser um lindo dia, mas ela estava pouco interessada no
quão bonito ou feio o clima poderia estar. Seus olhinhos correram
pelo chão de grama e pela cerca de madeira branca. A cerca era
formada de tabuas brancas enfileiradas. Rente à cerca, uma roseira
de rosas vermelhas da sua mãe, e do outro lado, a casa de Jaqueline,
sua vizinha.
Apertou
os olhos em um ponto, entre as rosas e achou o que procurava: um
envelope de carta de cor amarela estava preso por entre as frestas da
cerca, em meio às rosas. Um largo sorriso cortou seu rosto de ponta
a ponta. Correu para fora do quarto, ainda só de camisola; abriu a
porta com rapidez e ainda mais rápida atravessou o corredor até a
cozinha.
A
cozinha estava impregnada com cheio de café e torradas; a mãe
preparava a refeição da manhã.
- Bom
dia mãe. – disse ela correndo para a porta da cozinha.
- Bom
dia Miranda...
Mal
pôde terminar a frase e a filha já estava do lado de fora, pisando
na grama com pés descalços.
- Calce
um chinelo menina! – gritou a mãe, mais pra si mesma do que pra
filha.
Ela não
ouvia. Para Miranda, a única coisa que sua mente conseguia pensar
era naquela carta. Enfiou a mão por entre as rosas e puxou-a da
fresta com delicadeza. No espaço do remetente havia um nome:
Jaqueline.
Apertou
a carta contra o peito, sorrindo de olhos fechados. Olhou mais uma
vez para o envelope, confirmando o nome nele escrito. Sim, era mesmo
dela.
Desde
que tivera conhecido Jaqueline, as duas tornaram-se melhores amigas
muito rapidamente. A vizinha tinha o costume de lhe enviar cartas e
bilhetes pela cerca. Quase todas as manhãs, uma cartinha nova
surgia. Eram vizinhas e estudavam na mesma escola. Entre elas não
havia segredos, era como se dividissem a mesma alma:
13/03/2002
Querida
Miri
Desde
que nos conhecemos, penso em você todos os dias. É a melhor amiga
que uma garota poderia querer ter. Ontem quando andamos de patins
juntas na praça, foi muito divertido. Eu acho muito fofo o jeito que
você patina, sabe, toda torta, quase caindo rsrsrsrsrs ^^
Quando
vamos de novo? Eu quero te ensinar a patinar direito para que você
não caia igual ontem! Eu achei que você tinha se machucado e fiquei
assustada, meu coração quase pulou pra fora! Que bom que não foi
nada serio, eu não sei se iria agüentar te ver chorando ou
machucada...
Você
sabe que eu amo seu sorriso, seu lindo sorriso é só meu, você sabe
né?
Com
amor, Jacky.
14/03/2002
Querida
Jacky
Desculpe
a demora para responder sua cartinha. Só pra constar, eu amei muito!
Adorei também essa sua idéia de passar cartas pela fresta da cerca!
Essa é a primeira que eu estou tentando mandar, então, não fique
brava comigo se ela amassar ou ficar feia! Você já me mandou tantas
até hoje e eu nunca respondi nenhuma, mas hoje isso vai mudar!
Eu sei
que eu não andar de patins muito bem, mas com você me ensinando eu
vou aprender bem rapidinho! Você segura minha mão e me puxa pra
junto de você. Eu gostei muito, menos aquela hora que eu caí, quase
caiu em cima de você! Que sorte que não me machuquei, que sorte
minha que você tava lá comigo! Tenho sorte de ter você como amiga.
Meu sorriso é só seu, se o seu for só meu.
Com
amor, Miri.
16/03/2002
Oi
Miri!
Você
parecia meio tristinha hoje na saída da escola. O que aconteceu?
Tirou alguma nota baixa? Por favor, me diga por que estava tão
triste. Você sabe que pode me contar tudo que você quiser, não
sabe? Somos as melhores amigas do mundo todo, não somos? Eu não
confio em ninguém a não ser você. No recreio quando saímos para
lanchar juntas foi muito legal, espero que possamos fazer isso todos
os dias! Podemos até trocar lanche se você quiser.
Por
favor me responda tá?
Sua
Jacky.
17/03/2002
Oi
Jacky.
Não é
nada serio não, quer dizer, não muito. Sabe a Giovana da minha
sala? Nós brigamos hoje. Foi bobagem, e eu acho que eu tava meio
errada, sei lá. A professora nos colocou juntas para um trabalho. Eu
queria pintar os mapas de verde e vermelho, mas ela não quis. Foi
bobo sabe? Mas eu não quis dar o braço a torcer e aí acabamos
discutindo... Ela me chamou de gorda, e ai eu fiquei triste, mas foi
só isso, não precisa se preocupar ta? Eu tava triste mas quando vi
sua cartinha por entre as rosas, eu dei um sorrisão tão grande que
toda minha tristeza foi embora.
Lógico
que podemos lanchar juntas todos os dias! É o que eu quero. Só não
sei sobre trocar de lanche, eu gosto do lanche da minha mãe.
Rsrsrsrs
Com
amor
Miri.
19/03/2002
Oi
Miri, tudo bem?
Eu
soube que a Giovana se machucou hoje na aula de educação física.
Ouvi as meninas dizendo que ela caiu e machucou a boca no chão. Não
sei quanto a você, mas eu não senti nada quando me disseram, sabe?
Quer dizer, bem feito pra ela! Ninguém gosta dela mesmo, e alem do
mais, ela te xingou, e isso faz eu gostar ainda menos dela. Quem sabe
agora ela não aprender a ficar de boca fechadinha quando pensar em
xingar alguém, né? Vamos tomar um sorvete no shopping amanha? Eu
pago desta vez certo? O próximo é por sua conta!
Com
muito carinho, Jacky.
21/03/2002
Querida
Jacky
Eu
queria agradecer o sorvete que você me deu. Eu sei que já fiz isso
pessoalmente, mas acho importante falar por carta, por que assim,
fica escrito e você pode ler sempre que quiser. Eu leio suas cartas
o tempo todo sabia? Eu as guardo em um baú embaixo da minha cama.
Guardo em um baú por que pra mim é um grande tesouro muito lindo e
valioso. Você guarda as minhas cartinhas também? Espero que sim
viu? Se não, eu paro de sorrir pra você ta?
Sabe
Jacky, me disseram hoje uma coisa que eu não gostei. Disseram que
você empurrou a Giovana na Educação física. É verdade? Eu não
gosto da Giovana, mas não queria que ela se machucasse assim.
Pensando
em você.
Miri.
22/03/2002
Miranda.
Que
absurdo é esse? Como você duvida de mim? Você me conhece e sabe
que eu não faria algo assim. Não gostei não ta? Não sei quem te
falou isso, mas com certeza foi alguém que tem inveja de nós duas.
Não acredite!
Jaqueline.
22/03/2002
Oi
Jacky...
Puxa
vida, fala comigo! Eu te dei um oi hoje e você não respondeu. Fui
te procurar para lanchar e não te achei. Por favor, não fica brava
comigo, eu sei que você não fez aquilo. Me desculpe ferir seus
sentimentos, você sabe que eu te amo. Me desculpa.
Com
amor, Miri.
28/03/2002
Olá
Miri.
Já
faz uns dias que não trocamos cartas. Eu fui muito rude com você.
Me desculpe ter feito você chorar, por favor. Eu também chorei
muito, eu não podia acreditar quando você me perguntou se era
verdade que eu tinha mesmo feito aquilo. Eu estava brava, mas te ver
me olhando todos os dias na escola, acenando pra mim... Cortou meu
coração. Eu tentei Miri. Tentei ficar brava com você e tentei não
pensar mais em você.
Eu te
perdôo, se você me perdoar também.
Eu te
amo.
Jacky.
29/03/2002
Querida
Jacky.
Sua
carta de ontem me deixou sem fala. Eu achei que você me odiava e que
não queria mais me ver, mas eu tava enganada! Você também sofreu
né? Eu juro Jacky. Eu juro que não vou deixar ninguém me enganar
com mentiras. Elas são todas invejosas porque nós temos umas as
outras e elas só tem amigas falsas!
Hoje
quando você me abraçou na escola, eu chorei tanto em você que
molhei sua roupa com minha lagrimas. Todo mundo olhou estranho pra
gente, rsrsrsrsrs.
Sabe
Jacky, eu não ligo pra isso, eu não ligo pra nenhum deles. Eu gosto
de você e eu quero ficar sempre com você.
Juntas
pra sempre
Miri.
02/04/2002
Bom
dia Miri.
Eu
queria falar algo com você, mas acho mais fácil falar por carta, já
que este é nosso meio especial de conversar. Quem é aquele menino
de cabelo loiro que tava falando com você ontem na saída da aula? O
que ele queria com você? É amiga dele? E por que você sorriu pra
ele? Seus sorrisos são só meus e os meus só seus.
Triste,
Jacky.
03/04/2002
Bom
dia Jacky.
Fica
calma, por favor! Ele se chama Raphael, é só um amigo que me fez um
favor. Eu esqueci o livro de Geografia em cima da minha mesinha e ele
me emprestou o dele, só isso. Eu usei o livro dele e ele dividiu um
livro com o amigo dele, simples. Eu tava agradecendo ele depois. Eu
não sorri pra ele como sorrio pra você, aquele foi só um sorriso
de agradecimento. Jacky, você tem muito mais do que meu sorriso,
você tem meu coração. Não precisa ter ciúmes assim.
Não
fique triste. Te amo.
Miri.
04/04/2002
Olá
Miranda.
Fico
triste sim. Eu não esperava ver aquilo. Eu não sorrio pra ninguém,
não dependo de ninguém. Eu não quebro minha promessa de não
sorrir pra mais ninguém.
Talvez
esteja na hora de você ver se realmente me ama, Miranda. Amor não é
algo só da boca pra fora. Eu só volto a confiar em você, quando
suas palavras condisserem com seus atos.
Pense
nisso.
Jaqueline.
05/04/2002
Querida
Jacky.
Porque
faz isso comigo? Assim você parte meu coração em milhões de
pedaços! Estou tremendo e chorando agora, escrevendo essa carta. Não
seja assim, por favor. Eu me afastei do Raphael, eu não falo mais
com ele. Eu juro. Sinto saudades.
Sua
Miri.
08/04/2002
Jacky
Fala
comigo, por favor! Eu não te reconheço mais. Você costumava ser
carinhosa mas agora parece uma roseira: linda mas cheia de espinhos.
Acordo todos os dias e vou olhar para a fresta da cerca, mas não
encontro nada por entre as rosas. Será que você está lendo minhas
cartas?
Sinto
saudades
Miri.
11/04/2002
Querida
Jacky.
Você
faltou hoje de novo... Faz tempo que não sei nada de você. Por
favor, apareça, fale comigo! Você continua pegando minhas cartas?
Ou é alguém mais que ta pegando elas?
Te
amo. Miri.
20/04/2002
Miranda...
Eu vi
Miranda. Então é assim que você me “ama”? Eu te vi brincando
com um cachorrinho hoje na praça. Parece que já me esqueceu bem
rápido hein? Sou menos que um cachorro pra você. É isso? Cada vez
que você o abraçava e sorria pra ele, eu imaginava minhas unhas
rasgando a pele dele. Eu odeio esse cachorro. Livre-se dele Miranda!
Jaqueline.
21/04/2002
Jacky...
Quando
vi sua carta no meio das rosas essa manhã, eu quase não acreditei.
Eu to chorando tanto ultimamente que quase não tenho mais forças
pra nada. Eu tava tão sozinha, você some e não diz pra onde vai
nem o que aconteceu. Minha mãe me deu um cachorrinho sim, o nome
dele é Nico. Por favor Jacky, não odeie o Nico, ele é nosso. Vamos
cuidar dele juntas. Vai ser só eu, você e o Nico, e mais NINGUEM na
nossa vida.
Miri
22/04/2002
Miranda
Você
fez a sua escolha então. Prefere me “dividir” com esse saco de
pulgas asqueroso, então ta tudo bem! Sabe, eu bem que podia me
atirar na frente de um carro e ser atropelada, quem sabe assim você
se arrependeria do mal que você me faz! Você não tem o direito de
bagunçar minha vida desse jeito Miranda, não tem! Você não sabe
quem eu sou, de onde vim e do que sou capaz! Aguente as consequências
agora.
Jaqueline.
23/04/2002
Jaqueline.
EU to
te fazendo mal? Eu quase desmaio todos os dias de tanto chorar por
sua causa e você me diz isso? Me ameaça e ainda diz que vai se
jogar na frente de um carro pra eu me arrepender? Eu não desisti de
amar você, mas você foi longe demais agora! Eu amo o Nico e amo
você. Posso amar os dois. Posso sorrir para os dois. Não somos mais
tão pequenas assim ta? Não precisa agir feito criancinha pra ganhar
atenção! E mais outra. Só fale comigo agora se for pra pedir
desculpas. Eu te amo e posso te dar outra chance.
Miranda.
Naquela
noite, Miranda foi dormir com Nico embaixo da cama, como sempre. A
diferença era que desta vez ela não estava chorando; estava com
raiva. Jacky tivera passados dos limites e precisava se desculpar.
Fechou
os olhos, rolou na cama e tentou ignorar a raiva para dormir logo.
Teve um sonho horrível: sonhou que Jacky tinha pele vermelha,
chifres e dentes pontudos na boca, como um demônio. No sonho, Jacky
estava com os olhos injetados de sangue e dizia que ela iria se
arrepender, que não deveria sorrir pra mais ninguém.
Acordou. Já estava quase amanhecendo. O sonho fora terrível, mas
agora já havia acabado. Levantou-se, vestiu os chinelos e caminhou
ate a porta.
Parou no meio do caminho, deu meia volta e encarou a janela fechada.
Foi até ela e a abriu, sem muitas esperanças. Mas para sua
surpresa, estava enganada. Por entre as rosas, um envelope amarelo.
Não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim, mas resolveu ir ate lá
assim mesmo. Era muito cedo, sua mãe ainda dormia. Miri andou ate o
lado de fora e esticou a mão pela roseira e pegou a carta. Abriu-a.
Cuidado onde pisa.
Apenas isso.
De inicio ela não entendeu muito, mas então, decidiu olhar para
baixo. O chão onde pisava era de barro e parecia que havia algo
enterrado bem onde pisava. O desespero tomou conta da garota; largou
a carta, caiu de joelhos e começou a cavar a terra úmida com as
mãos. Seu coração estava acelerado e lágrimas começaram escorrer
de seus olhos.
Seu corpo todo travou ao encontrar um saco de pano no buraco. Um saco
de pano manchado de sangue. Com as mãos sujas e trêmulas, ela abriu
o saco...
Era Nico. Estava cheio de cortes por toda parte e com uma enorme
ferida na cabeça, parecia que tivera sido surrado ate a morte com
uma garrafa. Miri sentiu as entranhas serem corroídas pela dor de
ver seu cachorrinho daquela forma; como se fosse um pedaço de carne
no açougue.
A pressão subiu. Tudo ficou escuro. Suas pernas perderam a força e
ela desmaiou...
26/04/2002
Querida
Jacky.
Eu
voltei para casa hoje. Os médicos disseram que foi apenas um choque,
e que anda grave me aconteceu. Eu não contei a verdade para ninguém.
Juro. A policia diz que Nico deve ter sido morto por vândalos e
arruaceiros e estão fingindo estar interessados em investigar quem
realmente o matou. Eu juro que em momento algum eu mencionei o seu
nome. Você está certa sobre mim Jacky, eu errei, eu não tive
maturidade o bastante para levar nossa relação mais a sério. Eu
peço que me perdoe, eu nunca mais vou te ferir, por que eu te amo,
certo? E você me ama, certo? Eu não preciso de mais ninguém
enquanto eu tiver você. Por entre as rosas, eu entrego meu pedido de
perdão.
Eu só
preciso do seu amor Jacky. Nunca mais vou te contrariar, prometo.
Juntas
pra sempre.
Miri.
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domingo, 16 de março de 2014
Imortal
Duas da
manhã.
Ainda
não posso parar. Tenho que terminar....Tenho!!!
Com os
pensamentos voltados para sua mais recente aventura, Carlos não se
importava com os ponteiros do relógio que teimavam em percorrer
aquela mesma monótona circunferência de sempre.
As ideias
surgiam em sua mente como folhas e mais folhas de um roteiro pronto
esperando para ser lido. A criatividade no auge, tudo para que aquela
fosse sua obra prima, seu momento máster de uma carreira que até
hoje não havia ultrapassado a condição transcendental esperada por
muitos que a seguiam.
A
história, cujas letras eram marteladas num teclado, era inspirada
naquilo que mais impulsionava Carlos a escrever. E todas as noites
ele dedicava seu tempo para aquela exaustiva, mas compensatória
atividade.
Seus
dedos eram como máquinas e a mente estava a mil. Tudo o que ele
sentia era o som que as palavras produziam dentro de si como se
fossem parte de seu próprio organismo. Eram vivas as ideias que se
projetavam de sua cabeça e quase palpáveis.
E assim,
aquela dança com as palavras e ideias se prolongou até que a noite
se fez dia e o dia se fez noite novamente. Não sabia exatamente que
horas eram, mas quem se importava com aquilo? Não se lembrava do
dia, do sono, do banho, da comida, não se lembrava de nada, a não
ser de suas preciosas palavras.
E cada
vez que se levantava para fazer algo ou comer alguma coisa, ele se
lembrava de seu livro. Não queria abandona-lo, não tinha forças
para deixa-lo, era incapaz de se sentir bem estando longe das linhas
que continham as marcas de seus pensamentos.
A cada
parágrafo novo o colapso lhe vinha a mente.... Se eu o deixar
agora....não!! Sem intervalos, sem pausas!!!
Os dedos
anestesiados tornaram-se partes involuntárias dele mesmo. Não tinha
sono, não tinha fome, não tinha nada. Nada, a não ser sua ideia e
sua inspiração. Inspiração forte que o dominava por completo.
E a força
ou a inspiração que o fazia sempre persistir vinha de outra pessoa.
Vinha de alguém com quem Carlos desejava passar todos os dias, todos
os momentos e cada segundo. Essa força que lhe concedia capacidades
quase sobre-humanas estava impregnada no ambiente em que Carlos
escrevia. Cada parede, cada canto, em cima dos móveis, em cada
lugar. Lá estava. Era notável até mesmo para mim que não costumo
reparar muito e apenas faço o que tenho que fazer.
Mas para
Carlos eu abri uma exceção, um desvio da minha conduta imparcial e
inquestionável. E a primeira “coisa” que percebi ao encontrar
Carlos foi a extensão da sua inspiração, o tamanho irrevogável da
sua vontade. E todas as imagens, fotografias, recorte, textos,
pinturas, absolutamente tudo reportava o mesmo rosto, o mesmo traço,
a mesma descrição. A bela jovem, inspiração para Carlos.
Sua bela
obsessão que se transformou em palavras enquanto seu corpo definhava
por cansaço.
E agora
que observo mais atentamente a tela do monitor, percebo que Carlos
realmente está no fim de sua obra. Uma belíssima história
totalmente dedicada para seu amor.
O
ponteiro dá mais uma volta e para.
Acabou a
bateria, ele não percebeu.
Olho para
o lado e noto outro rosto. A familiar garota das fotos está ali.
Sorriso espectral.
No
monitor vejo Carlos digitar sua última frase e uma dedicatória
incrível. Não consigo esconder uma pontada de “sentimento”
quando vejo que também fui mencionada em seu livro.
Olho
novamente. Já esperei tempo demais e não posso atrasar. Já é
hora, Carlos. Penso comigo mesma.
Caminho
lentamente por detrás dele. E pela primeira vez em muito tempo sei
que fui também a responsável pelo cumprimento de algo, no caso,
aquelas palavras que se tornaram parte de um livro. Sou também a
causa da inspiração, mas isso não me engradece de forma alguma.
Em minhas
mãos sinto o peso que cada ser carrega e traz para mim.
Trabalho
terminado. Apago as luzes antes de sair.
O som do
teclado não é mais audível. A luz do monitor está acesa e as
palavras refletidas permanecerão fixas.
Os
ponteiros imóveis agora marcam duas da manhã.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Cem anos de perdão
Quem
nunca roubou nada, não consegue me entender. Eu roubo coisas. Coisas
que não são minhas, eu roubo. Roubo o que não tenho e gostaria de
ter... Não é assim que funciona? Comigo não seria diferente, sou
um ladrão.
O que eu
roubo é algo especial, pelo menos pra mim. Eu tenho um ajudante de
crime; alguém que fica vigiando, cuidando para que ninguém
atrapalhe. No começo eu fazia sozinho e fazia em um lugar diferente.
Era bem ao público mesmo; eu me sentava em um banco desses de praça
e ficava olhando mães carregando carrinhos de bebês, pais comprando
sorvete para os filhos, mas isso acabou enchendo o saco; eu queria
algo melhor.
Foi
então que, em uma das minhas caminhadas eu encontrei o lugar ideal:
um cemitério. Cemitérios são lugares onde muita saudade é
deixada. Um lugar cheio de lembranças boas, mas às vezes,
dolorosas. Ter saudades daqueles que você amou e perdeu é melhor do
que não ter ninguém pra ter saudades, não é? Eu sempre pensei que
sim.
É aqui
que entra meu ajudante; o coveiro. Eu dou pra ela um litro de cachaça
barata toda semana e ele me deixa entrar de madrugada. Quando eu
chego, ele abre o portão com cuidado e fica por lá um tempo,
cuidando se ninguém se aproxima. Ele fica me dando cobertura, por um
litro de pinga, mas eu não posso criticá-lo: aposto que ele pensa o
mesmo de mim.
Deixo-o
para trás, procurando por alguma lápide, pensando no que eu
gostaria de roubar hoje. Não tenho memórias de um pai, nunca tive
um. Eu quero um. Aproximo-me de um túmulo com um nome de homem, um
homem que pelas datas gravadas na lápide, teria idade para ser meu
pai. Encaro a lápide com olhos duros e penetrantes. Fico imaginando
que tipo de pai ele foi: será que foi amado como deveria? Ou será
que era do tipo que bebia muito e batia nos filhos? Muita gente sente
falta dele? Eu espero que sim... Ser esquecido, isso sim, é morrer.
Olhando seu túmulo, eu fico pensando se ele me amaria, e se cuidaria
bem de mim; se me compraria sorvete, ou me levaria para assistir
futebol com ele. Encosto a mão na lápide e solto um longo suspiro.
Não é meu.
O pouco
que me lembro da minha mãe, prefiro não lembra; não vale como
lembrança para se ter de mãe. Sempre me disseram que mãe só tem
uma e eu levo isso muito a serio. Eu roubo muitos pais, tios e primos
por aqui, mas mãe, só tem uma que eu gosto de roubar pra mim. Ah
sim, tem outra coisa que eu roubo: flores. Eu pego flores de outros
túmulos para levar para a Dona Cidinha. Dona Cidinha é a mãe que
eu roubei. O filho dela é um idiota que não dá valor para a mãe
que tinha, mas eu dou, por isso, agora ela é minha. Deixo flores
para ela e até converso. Criei na minha mente, uma personalidade pra
ela, e até um tom de voz especifico, quando a imagino falando.
Sempre
que venho ver minha mãe, lembro das palavras da minha velha amiga
Clarice: “Ladrões de rosas e de pitangas tem cem anos de perdão.”
Deixo as pitangas para a Clarice, mas fico com as rosas (que nem
sempre são rosas, mas não tem problema, a mamãe gosta de todo tipo
de flores), acreditando que meu crime merece cem anos de perdão.
Roubei a mãe de alguém e toda noite, roubos pais, tios e primos. Só
roubo o que preciso, sem me exceder. Mas às vezes eu pergunto pra
mamãe se eu poderia ter um irmão ou irmã...
Enquanto
eu fico aqui, falando com a mamãe, o coveiro fica lá enchendo a
cara, vigiando o portão e (muito provavelmente) rindo de mim. Bom
saber que eu o deixo feliz.
Ninguém
nunca soube; ladrão de mãe merece o mesmo perdão que ladrão de
pitangas. Se as velhinhas mortas pudessem falar, pediriam para que
alguém as roubasse, como eu fiz com a Dona Cidinha. Mamãe.
Postado por
Unknown
às
12:46
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Marcadores: amor, cemitério, Clarice Lispector., Kennen, ladrão, louco, mãe, perdão
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