terça-feira, 1 de julho de 2014
O segredo de treasure island
Pouca gente sabe, mas a Disney é a principal responsável por tornar uma pequena vila, em uma vila fantasma que hoje em dia é conhecida apenas como Ghost Town.
A Disney construiu o Treasure Island Resort, ou, resort da ilha do tesouro, que, em 1999 teve seu nome alterado para Discovery Island, ou, Ilha da descoberta., localizado na baia de Becker, nas Bahamas.
Outro fato é que a Disney investiu cerca de 30 milhões nesse paraíso tropical e em pouco tempo de existência, eles simplesmente fecharam as portas, abandonando o local. A desculpa dada foi que as águas ao redor da ilha eram rasas demais para os seus navios operassem. Chegaram até mesmo a culpar os trabalhadores locais, acusados de preguiçosos demais para trabalhar em horário regular.
Bom, aqui acaba toda a verdade sobre essa historia. Não era culpa das águas rasas ou por que os trabalhadores eram preguiçosos demais. Ambas eram apenas desculpas convenientes. Sinceramente, não acreditei desde o começo nessa conversa da Disney, por causa do palácio de Mogli. Talvez você ja tenha ouvido falar em Mogli o menino lobo. Se nunca leu o livro ou viu o filme, talvez já tenha visto a animação da Disney sobre Mogli.
Trata-se de uma criança abandonada na selva que ao mesmo tempo era cuidada e ameaçada por animais. O palácio de Mogli foi um projeto polêmico desde o inicio; a Disney comprou um quantidade enorme de terra para a construção, e na verdade, houve um escândalo envolvendo essa compra de terras. O governo local vendeu as casas dos moradores para a Disney. Houve até um fato de uma família que tinha acabado de construir uma casa, e ela em seguida, fora demolida com pouca ou nenhuma explicação.
As casas foram arrasadas, o terreno foi limpo e não houve nada que qualquer pessoa pudesse fazer sobre isso. Tvs e jornais locais, no inicio eram contra a construção e atacavam a Disney, mas, com alguma intervenção e provavelmente algum suborno, que as opiniões mudaram repentinamente. A Disney investiu e a construção foi enfim terminada.
A construção estava completa, e os visitantes realmente puderam se hospedar nos hotéis do resort e a cidade, ficou atolada com tráfego e um numero enorme de turistas perdidos e mal humorados.
Então, um dia, simplesmente, tudo parou. A Disney desligou o lugar, fechou os portões e ninguém sabia se quer o que pensar. Isso deixou os moradores locais muito felizes; a perda da Disney foi hilária e maravilhosa para o grande numero de pessoas que nunca quis aquilo.
Eu, sinceramente nem lembrava desse lugar, desde que soube que tinha sido fechado, à décadas atrás. Então, eu li um artigo sobre alguém que explorou parte da Treasure Island e criado um blog direcionado à sua aventura, com fotos e textos que descreviam tudo que ele tinha achado por lá, coisas simplesmente que foram largadas para trás, coisas quebradas, desfiguradas, talvez, vandalizadas por alguns dos trabalhadores revoltados por terem perdido seus empregos. Depois de abandonado, os moradores irritados fizeram uma grande pilhagem e destruição, isso incluindo o palácio de Mogli.
E qual meu ponto nisso tudo? bem, eu pensei, que poderia ser legal explorar o palácio de Mogli, tirar umas fotos e escrever sobre as coisas que eu encontrasse, e quem sabe, com sorte, achar algo que estivesse parcialmente inteiro para trazer para casa.
Na verdade eu não fui de imediato, honestamente, levei um ano para fazer essa viagem, depois que li sobre o palácio do resort. Nesse tempo, fiz uma pesquisa sobre o local, ou pelo menos tentei; nenhum site da Disney ou qualquer outra fonte faz qualquer menção desses fatos. Como é de conhecimento geral, é possível para algumas empresas pagar ao google para remover certos links de suas buscas. Então, no fim das contas eu descobri bem pouco sobre o lugar, tudo que eu tinha era um mapa velho, que eu tinha recebido pelo correio no anos 90. Era um item promocional que era enviados à pessoas que haviam ido recentemente à Disneyland, que foi eu caso, na época. Ainda assim, levei um bom tempo para localizar esse mapa, pois eu o havia esquecido junto com livros e revistas velhas, no porão da casa da minha mãe.
Os moradores locais não foram cooperativos, pior: zombavam de mim ou faziam gestos rudes, deixando bem claro sua xenofobia.
Os portões estavam enferrujados, mas, abertos o bastante para eu poder me espremer por entre eles, então, peguei a câmera e o mapa. O terreno interno estava todo devastado: palmeiras permaneciam tortas, apoiadas em restos de escombros. Haviam bananeiras também, mortas e decompostas. Toda estrutura externa estava quebrada, as madeiras, apodrecidas. O que parecia ter sido um balcão de informações, agora era apenas uma pilha de sujeira desgastada pelo tempo.
A coisa mais interessante na entrada, era uma estátua de Balu, o urso de Mogli, o menino lobo. Ele estava ali, parado, com um sorriso alegre e braços abertos, em uma pose animada,e , por algum motivo, intacto, a não ser pelo castigo que o tempo tinha lhe dado.
Adentrei o palácio, apenas para ver longos saguões e corredores vazios, com pichações por toda parte, onde a parede ainda não havia descascado. As portas estavam ausentes, com as dobradiças removidas, o que me fez pensar que foram roubadas. O interior tinha um vazio gritante; até as molduras das paredes pareciam ter sido roubadas. Tudo mais que era grande ou pesado demais para ser roubado, tinha sido destruído. Segui minha aventura, com meus passos ecoando ao longo dos corredores.
A cozinha era o que vocês podem esperar: uma grande área com equipamentos para produção de comida. Tudo que era de vidro estava quebrado, todas as portas, armários e superfícies metálicas estavam amassadas por chutes. Ao fundo, eu vi um enorme freezes, e o adentrei. Tudo que encontrei lá dentro foram filas intermináveis de ganchos pendurados, provavelmente, ganchos onde a carne ficava pendurada. E enquanto eu explorava o local, notei que os tais ganchos estavam balançando. Olhei com atenção e notei que o balançar deles eram aleatórios, cada gancho balançava pra um lado e uma velocidade diferente. Me aproximei e segurei-os para faze-los parar de balançar, mas segundos depois que eu os soltei, eles voltaram a balançar.
Os banheiros estavam em grande parte no mesmo estado que todo o resto. os vasos, pias e mictórios estavam moídos ou atolados de fezes secas e decompostas. O fedor eram tão grande que não consegui permanecer ali por muito tempo.
Haviam muitos quartos no palácio, mas, naturalmente eu não tinha tempo de olhar todos, então, explorei somente alguns para tirar umas fotos. Eles estavam igualmente vandalizados e pilhados, não que eu esperasse encontrar algo por lá, mas quando estava no corredor, pensei ter ouvido alguma coisa, como um rádio ou televisão ligada. Um voz, como um sussurro, vinha do fundo do corredor... pelo que me lembro, foi algo como " eu não sabia disso! eu não te disse!" ou algo assim. Eu sei, isso parece estranho, mas estou apenas relatando o que ouvi, ou pensei ter ouvido. Quando estava saindo, pensei ter visto algo ou alguém correndo por entre um dos quartos, provavelmente um mendigo que deve se esconder por alí. Tratei de sair rapidinho, antes que esses mendigos resolvessem me atacar de alguma forma.
Voltando mais uma vez às portas de entrada do palácio, percebi que não tinha achado anda interessante para fotografar e que minha viagem tinha sido a toa. Porém, enquanto olhava ao redor, notei algo interessante, algo que não tinha notado antes. Havia uma estátua realista de uma cobra enorme, cerca de dois metros e meio de comprimento, enrolada num pedestal, bem no centro do lugar. me aproximei e tirei uma boa foto, depois me aproximei mais e tirei mais uma. Por ultimo, quis uma foto bem de perto do rosto da cobra, mas para minha surpresa, quando mirei a câmera, a cobra lentamente levou a cabeça, olhou nos meus olhos e deslizou para fora, passando por um buraco na parede, em direção à floresta.
Fiquei paralisado de medo, com a boca aberta, pensando o quão perto de morrer eu estive e não sabia. Fiquei ali por algum tempo, depois, pisquei os olhos, me recuperando do choque e me afastei dalí, voltando para o palácio. Com passos tortos, eu respirei fundo estapeei meu próprio rosto, para tentar voltar a mim. Quando comecei a me sentir melhor, notei uma escada para baixo, atrás do demolido balcão de recepção. Usando o flash da câmera como um tipo de lanterna, eu pude ver que a escada terminava em uma porta de metal, que parecia estar intocada. Ao me aproximar, vi um cadeado na porta e uma placa que dizia apenas "mascotes".
Isso em animou bastante por dois motivos: 1- era uma area de mascotes, lá dentro definitivamente teria algo interessante para fotografar. 2- o cadeado ainda estava no local, ou seja, ninguém ainda havia ido lá: nem os moradores furiosos, nem os mendigos nem os vândalos, certamente, eu acharia algo para poder levar embora.
Não levei muito tempo para arrombar o cadeado, na verdade eu simplesmente puxei a placa de metal onde o cadeado estava preso. Repeti o processo até ela ceder, caindo no chão com o cadeado, algo que ninguém tinha aparentemente pensado em fazer ou, não tinha sido capas de fazer a alguns anos atrás.
No interior, o quarto estava completamente escuro, usei mais uma vez o flash da câmera para procurar algum interruptor de luz na parede, mas não achei nada. Enquanto eu pensava no que fazer, fui jogado pra fora do meu ser, por um zumbido elétrico e estranho sobre minha cabeça, fileiras de luzes em cima de mim, de repente, começaram a se acender. O quarto era exatamente como eu havia imaginado: vários uniformes da Disney perdurados nas paredes; pareciam cadáveres animados e grudados por uma força invisível. Haviam prateleiras inteiras, cobertas de roupas e tangas nativas. Mas o que eu achei mais estranho e quis fotografar imediatamente, foi uma fantasia do Mickey Mouse, caída no chão, no centro da sala, deitada de costas como uma vítima de assassinato. O pelo sobre o traje estava podre e caindo aos poucos. Suas roupas estavam gastas e quase sem cor. Tirei fotos de outros trajes pendurados também, e em vários ângulos, para mostrar bem os personagens, com rostos podres e alguns com olhos faltando.
Peguei cuidadosamente a cabeça de um traje do pato Donald, cuidando para ela não desmanchar nas minhas mãos, quando então ouvi um barulho de algo caindo no chão. Senti que algo caiu da cabeça do traje e se despedaçou
aos meus pés. Olhei para meus pés e vi, entre meus tênis, um crânio
humano. Ele tinha caído de dentro da cabeça do Donald quando eu a
removi. Larguei a cabeça de pano e corri para porta, mas quando cheguei
nela, parei e me virei para o quarto de novo. Aquilo daria uma boa foto,
pensei. Eu precisava de uma foto para provar o que tinha acontecido
ali. Aquilo era uma pessoa morta e a Disney, de algum a forma era a responsável.
Foi então, que no meio da sala, Mickey Mouse começou a se levantar. Com as mãos trêmulas, coração acelerado e pernas que mais pareciam geleia, eu levantei minha câmera e apontei para ele, que agora me avaliava calmamente, dos pés à cabeça.
Em seguida, minha camera ficou toda escura, como se a bateria, de uma vez, estivesse esgotado. Ergui mais uma vez os olhos para o traje do Mickey.
"Hey" ele disse.
Apenas olhei.
"Quer ver a minha cabeça sair?"
Num tom abafado e cansado, mas ainda assim, executando a voz do personagem.
Ele levou as mãos cobertas de luva até a cabeça, e começou a puxa-la e torce-la. Seus movimentos eram impacientes, ele parecia ter muito anseio por se livrar daquela cabeça.
Enquanto ele puxava a cabeça, muito sangue, muito sangue mesmo, grosso, espesso e nojento começou a escorrer do seu pescoço.
Eu me virei para correr para fora do palácio, mas, quando em virei, ouvi um barulho horrível de carne e pano se rasgando.
Depois que fugi daquele lugar, pro bem da minha sanidade, eu finalmente entendi porque a Disney não queria que aquele lugar fosse descoberto. Eles não queriam, que um curioso como eu abrisse aquela porta, e soltasse o que estava lá dentro.
Definitivamente, algo como aquilo, não deveria sair de lá...
Postado por
Unknown
às
11:56
0
comentários
Marcadores: Disney, Donald, Kennen., medo, Mickey Mouse, Mogli, morte, Suspense
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Myiabi Doll
Havia
a muito tempo atrás, uma rica família, que vivia numa casa muito
grande. O homem era um comerciante, casado com a filha de um
fazendeiro. Eles tinham dois filhos: O mais velho se chamava Kameo e
a mais nova, a princesinha da casa se chamava Okiri.
Os
irmãos eram muito ligados; Kameo passava horas brincando com a irmã,
sempre que podia. Quando atingiu certa idade, seu pai começou a
leva-lo para o trabalho com ele, para que o garoto aprendesse os
negócios da família o quanto antes, deixando a pequena sozinha a
maior parte do dia. As vezes, Kameo e o pai chegavam em casa muito
tarde, e a menina já tinha ido dormir.
Numa
manhã, Okiri acordou e viu uma carta ao seu lado; era dos eu
irmãozão. Ele tinha deixado para ela na noite passada. Na carta ele
dizia o que estava fazendo no trabalho e como sentia a falta dela.
Okiri ficou tão feliz que resolveu fazer o mesmo e deixou uma
cartinha para ele, sobre a cama dele. A troca de cartinhas virou
costume, e assim, mesmo não se vendo tanto, Okiri não se sentia tão
sozinha.
Infelizmente, em 1932,
aos 8 anos, Okiri ficou muito fraca por causa de uma doença
misteriosa que medico algum sabia dizer o que era. Kameo tentava
passar o maior tempo possível com a irmã, sempre lhe dizendo que
logo ela ficaria bem. Mas ele sabia da verdade, não havia cura para
Okiri e a cada dia, ela ficava pior, mas nunca deixava de sorrir,
sempre que o irmão chegava em casa.
Alguns meses depois, a
criança morreu. Seu corpo foi cremado junto com todas as cartinhas
que tinha do seu irmão. A família ficou muito triste; a mãe
chorava muito, o pai passou a beber e o irmão, ficava horas sozinho,
lendo e relendo as cartinhas deixadas pela irmã, onde contava o que
ela fazia em casa o dia todo quando ele não estava.
O
quarto da menina continuava intocado, suas roupas e seus brinquedos e
suas bonecas. Numa noite, quando estava sem sono, o rapaz teve a
ideia de organizar as bonecas na prateleira. As bonecas eram feitas
de madeira e todas vestiam quimonos muito bonitos. Com paciência,
Kameo arrumou todas as bonecas de modo que ficasse alinhadas. Quando
terminou ele estava para sair do quarto quando resolveu dar uma
ultima olhada nos quimonos da sua irmã e foi ai que ele teve uma
grande ideia: iria contratar o construtor de bonecas para lhe pedir
uma boneca que tivesse exatamente o mesmo tamanho de Okiri, com
cabelos do mesmo comprimento e olhos de vidro, seria perfeito!
Vestiriam ela com as roupas da garota, e ela seria imortalizada como
uma verdadeira boneca, a maior de todas.
No dia seguinte, o rapaz
fez o pedido da boneca e em menos de um mês, lá estava ela: vestida
e penteada como Okiri, de joelhos em uma almofada, cercada por todas
as outras bonecas. Todas as noites antes de ir dormir, Kameo abria a
porta do quarto e dava boa noite à boneca. Numa noite em particular,
quando abriu a porta, notou que a cabeça da boneca estava numa
posição um pouco diferente do que de costume. Ficou furioso; alguns
dos empregados deve ter tocado nela. Entrou no quarto e arrumou-a
como deveria ser. Quando estava saindo, notou que a mão dela
movia-se lentamente, fechando e abrindo os dedos. Deu um pulo com o
susto; olhou bem para a boneca, que não mais movia os dedos.
Bobagem, pensou, fechou a porta e foi para o quarto.
Quando foi deitar-se,
viu que havia uma pedacinho de papel branco dobrado em sua cama.
Abriu-o e era uma cartinha escrita com a letra de Okiri: "
Kameo, não!". Ele tinha certeza que nunca havia visto aquela
carta antes, talvez estivesse perdida e algum dos empregado a achou e
colocou sobre sua cama para que ele pudesse guardar com as outras.
No outro dia, logo que
acordou, Kameo encontrou outro papel dobrado sobre sua coisas. A
letra também era igual a de Okiri, mas desta vez, parecia que havia
raiva na escrita, as letras estavam maiores: " Eu não sou
ela!".
Amassou o papel com
raiva, alguém estava brincando com ele. Se vestiu e saiu para ir
trabalhar, e ao passar pela porta do quarto da irmã, ouviu um
barulho lá dentro, como se fosse algo caindo no chão. Abriu a porta
e viu a boneca grande caída. Com paciência, ajeitou-a na almofada
como sempre. Foi até a porta do quarto, e pelo espelho, viu a boneca
levantar o rosto e olhar para ele com seus frios olhos de vidro. Deu
um grito e olhou para trás: a boneca estava como ele havia deixado.
Olhou mais uma vez para o espelho... estava tudo ok. Trancou a porta
do quarto da menina e levou a chave consigo para o trabalho.
Naquela noite quando
voltou pra casa, sua mãe lhe disse que os empregados ouviram
barulhos estranhos no quarto dele durante a tarde. Ao entrar em seu
quarto, Kameo se deparou com uma mensagem escrita na parede " Eu
odeio aquela boneca! eu não sou ela!"
Agora a coisa estava
séria: ou alguém tava muito afim de morrer ou... Deu uns tapas no
próprio rosto, por pensar bobagem. Com pano e agua, removeu a
mensagem. Decidiu não dizer nada a sua mãe. Antes de dormir, foi
olhar as bonecas. Tudo estava em ordem.
Mais e mais mensagens
começaram a aparecer para ele; em forma de cartas ou nas paredes. As
vezes, os empregados ouviam barulhos e gemidos vindos do quarto de
Okiri, até que, as mensagens começaram a aparecer pela casa. Kameo
não podia mais esconder ou ignorar, quando as paredes da sala
estavam cobertas de tinta preta e uma mensagem " Odeio aquela
boneca!". Junto à frase, marcas de mãozinhas de criança. Um a
um, os empregados abandonaram os patrões.
A noticia se espalhou de
que a filha dos Sato havia voltado para assombra-los e todos pareciam
acreditar nisso. Todos menos Kameo e seu pai. Eles estavam certos de
que tinha sido uma brincadeira de mal gosto de alguns dos empregados.
A senhora Sato, no entanto não gostava nada disso. Numa tarde, ela
implorou para o filho queimar a boneca, pois ela não estava deixando
sua irmã descansar. A senhora Sato estava ruim da saúde, e o rapaz
não queria piorar sua situação, então, decidiu se livrar da
boneca naquela noite.
Quando entrou no quarto,
Kameo deu um pulo para trás: todas as bonecas pequenas estavam
amarradas pelo pescoço, penduradas no teto. O coração dele
acelerou ainda mais quando notou a boneca maior, de pé, no canto do
quarto, com o rosto virado para a parede... na verdade, duas delas.
No outro canto do quarto, estava uma segunda boneca, na mesma
posição, com a mesma roupa e cabelos, exatamente igual.
"Kameo" disse
uma voz. " Qual delas sou eu irmãozão? Você sabe dizer? qual
sou eu e qual é a impostora feita de madeira? Sei que sabe, não
sabe?" uma risadinha de criança preencheu o quarto, e logo em
seguida, a voz tomou um tom mais sério. " Não erre!".
O rapaz estava apavorado
de verdade agora; aquelas bonecas enforcadas sobre ele e aquelas duas
bonecas no canto do quarto... e a voz de Okiri... Olhou para as duas:
eram idênticas de costas. Fechou os olhos, tentou se concentrar e
caminhou ate uma delas. Quando estava perto o bastante para toca-la,
ouviu mais uma vez a voz: "Eu sabia que não iria me
decepcionar. Obrigada Kameo, eu te amo" e então, a boneca a sua
frente sumiu no ar. Soltou o ar que estava preso em seu peito e se
deixou chorar.
Do lado de fora, acendeu
uma fogueira para queimar a boneca. Finalmente tinha entendido os
sentimentos de Okiri,e poderia deixa-la descansar em paz agora. O
fogo consumiu rapidamente o corpo de madeira. Porém, enquanto
queimava, aqueles olhos de vidro, tão iguais aos dela, continuavam a
olha-lo...
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Sob Tortura
Os beijos que trocávamos eram quentes e me faziam estremecer a cada
instante, o deslizar daquelas mãos sobre minha pele eram os
estimuladores de uma corrente que percorria todo meu corpo. As
respirações entrecortadas e os pulsos acelerados nos conduziram a
um rítmo inebriante, a ponto de quase ficarmos sem fôlego.
Uma noite
inteira de carícias, gemidos e altas temperaturas. Nossos corpos
unidos percorriam um único caminho e encontravam juntos com nossas
mentes, todo o prazer que alguém poderia ter em mãos.
Naqueles
braços eu me entreguei, naquela pele eu me submergi, tornei-me
pertencente ao ser que agora tentava me acalmar o fôlego e manter o
seu próprio sob controle. Logo o sono veio, bem como o início da
madrugada. Estávamos exaustos.
Assim que
me situei novamente, consegui distinguir, à pouca luz, a figura que
dormia abraçada em mim. Sorri e acariciei seu rosto, eu amava
profundamente.
Meu
coração estava entregue.
Mas mesmo
em meio a todo aquele amor, mesmo sob todo aquele clima, existia uma
presença. Uma mulher de olhos felinos e rosto angelical, alguém que
se fazia presente enquanto nossas noites de amor se desdobravam sob
aqueles lençóis.
Aproximei-me
mais, pois no fundo queria demonstrar que aquela disputa já estava
ganha e que não havia mais nada que ela pudesse fazer. Olhei mais
algumas vezes para os travesseiros espalhados e senti quando sua boca
colou em meu ouvido.
Os lábios
doces e quentes que percorriam toda a extensão do meu pescoço,
deixavam rastros de uma chama que há tempos estava apagada.
Virei-me. Não queria mais sentir.
Deixei os
braços em que estava e tentei me iludir com o sono que não voltava
mais. Com o travesseiro sobre a cabeça parecia que estava tudo
calmo, não havia mais perigos, mas eu sabia, ela estava lá. Sua
presença era tão real quanto o fogo que me consumia naquele
momento.
Virei-me
novamente, mas já era tarde para fugir. Suas mãos em minhas pernas,
sua boca contra minha barriga, e aqueles olhos se tornando cada vez
mais inebriantes.
Precisava
resistir, não deixar o desejo tomar conta. Era tão difícil, ela
era tão perfeita, tão diabólica. Seduzia-me como se não fosse
apenas um fantasma, como se ainda vivesse em mim. O pior era que eu
tinha dúvidas se ela era realmente apenas uma lembrança.
Eu a
odiava por isso. Não era certo. Eu a odiava por estar lá, por me
confundir, por me fazer declinar nas horas em que não podia e por me
atormentar com ideias absurdas. Eu não a queria lá, queria que ela
sumisse, desejava que ela fosse embora, que não me atormentasse
mais.
Quanto
mais eu pensava, menos eu tinha forças e menos lutava contra tudo
aquilo. Ao meu lado agora só existia ela e tudo o que eu fazia me
comprometia ainda mais. Foi quando senti suas mãos delicadas
passando sobre meu corpo até alcançar o que procurava. Arfei e gemi
ao me sentir em abuso e controle completo daquela criatura.
Seus
toques anunciavam a malícia escondida por detrás de seus olhos e
sua boca me torturava com beijos ardentes. Era mais do que o normal,
mais do que eu poderia suportar.
Quando
finalmente me deixei levar, ela sorriu. Seu sorriso para mim era doce
e quente ao mesmo tempo.
Nos
amamos como se tudo o que eu precisasse fosse ela. E em meio aos
gemidos e pensamentos que me tomavam, não houve, sequer, uma
cogitação de misericórdia para mim ou para o outro ser que
habitava o mesmo coração.
Não
havia retorno, muito menos desculpas. Tudo o que havia era o silêncio
que consumia o ambiente. Porém, dentro de mim, existia a plena
certeza de que seria para sempre um ser dividido.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
O Irmãozinho
Era manhã de 8 de maio. Leo acordou cedo, afinal espera por esse dia a muito tempo. Era seu dia favorito, seu aniversário. Ele nem escovou os dentes, foi correndo para a sala, abrir seus presentes. Lá estavam eles, na sala, todos embrulhados e lindos, esperando para serem abertos. O primeiro foi um grande caminhão com uma caçamba grande o bastante parra carregar muitos brinquedos dentro. O segundo, foi uma porção de blocos de montar, coloridos. O terceiro foi especial, um carro de bombeiro, lindo, luminoso e reluzente. Mas este não foi o melhor dos presentes. Em um canto da sala, estava um outro embrulho, era grande e de formato peculiar... Leo sabia o que era. Ele sempre quis. A anos ele vem pedindo à sua mãe por um irmãozinho. Ela sempre dizia " esse ano não posso, é muito caro", mas desta vez, não havia engano... Leo correu até o embrulho e o rasgou. E estava certo.
Era um irmãozinho.
No momento em que Leo o tirou da caixa, ele abriu os olhos e começou a dar risadinhas de bebê.
Leo deu o maior grito de surpresa que se lembra de ter dado, finalmente! finalmente ele tinha um irmãozinho, que a anos queria! Poderia brincar com ele o tempo todo e lhe ensinar coisas, faze-lo aprender tudo que ele ja sabe, como dizia na TV.
"Obrigado mãe", disse ele, e abraçou o irmãozinho, passando os braços envolta do seu pescocinho. Nesse momento, Leo sentiu algo duro e frio na nuca do pequeno, e em seguida, ouviu um sonoro CLIC.
O irmãozinho foi ao chão, com o corpo todo mole e sem expressão alguma no rosto.
"Leo!" gritou a mamãe.
"E-eu não queria!"
A mamãe foi até ele, pegou o irmãozinho, abraçou-o e apertou o botão na sua nuca. Logo que foi ativado, seu rostinho se contraiu e o irmãozinho começou a chorar.
" Seja mais cuidadoso Leo, quando ele é desligado, ele não pode se mexer nem falar, mas ele ainda consegue ouvir e sentir. E isso o assusta."
Ela o abraçou mais um pouco, lhe fez carinho e deu um beijo na sua testa. O
irmãozinho acalmou-se sorriu pra ela.
irmãozinho acalmou-se sorriu pra ela.
"Que bom menino que você é! agora vai brincar com o Leo" disse ela, deixando ele no chão.
A mamãe foi para a cozinha preparar o café da manhã e os deixou na sala. Antes de sair, ela pediu a Leo para que junta-se todo o papel de presente rasgado.
Leo pediu desculpas para o irmãozinho. Era divertido ver o modo com que ele andava; todo durinho e desajeitado. Com passinhos de bebê, ele pegou o papel que estava no chão e começou a rasga-lo. A cada rasgão, ele ria com o barulho do papel. Leo notou que isso o deixava feliz e começou a rasgar papel também. E mais uma vez, o irmãozinho riu.
" Sabe o que mais é legal?" perguntou Leo. Pegou um pedaço de papel do chão, fez uma bola e o atirou na caçamba do caminhão. Mas o irmãozinho não gostou dessa brincadeira. A cada bola de papel que Leo jogava lá dentro, ele tirava e a jogava no chão.
"Para com isso!" pediu ele. " A mamãe pediu para juntar todo o papel. Mais uma vez, ele juntou as bolas de papel e as jogou na caçamba. E mais uma vez, o bebê jogou toda no chão.
"Não!" falou Leo, tentando não gritar. "Não pode!" Mais uma vez juntou tudo e colocou no caminhão. Os olhos do irmãozinho se encheram de agua, seu rosto ficou todo enrugado, ele estava prestes a chorar.
Mas Leo agiu rápido. Ele o pegou pela mão e o mostrou os blocos coloridos. "Veja" disse ele. "Vou montar uma torre bem alta. Tão alta que vai chegar ao teto!"
Leo começou a empilhar os blocos, mas quando a torre estava com três blocos de altura, o irmãozinho a derrubou com um tapa. Riu com risadinha de bebê. Leo riu também. " Agora fica olhando, vou montar uma bem grande"
E mais uma vez, antes do quarto bloco, o bebê e derrubou com a mão. E riu de novo. Leo nada disse, apenas tentou montar a torre de novo. Quando o irmãozinho veio com sua mão gordinha para derrubar os blocos, ele gritou: "Não! não pode! seu bobo!"
Leo segurou a mão dele, impedindo-o.
Imediatamente, o bebê começou a chorar, desta vez, bem alto. Alto o bastante para mamãe ouvir lá da cozinha.
"Leo! o que vocês fez pra ele?"
"Ele é um bobo! fica derrubando minha torre!"
"Ele é um bebê! você tem que ensinar a ele como brincar!"
Ela o pegou no colo, lhe deu mais um beijo e o chamou de bom menino, até acalma-lo. Depois de calmo, o irmãozinho voltou ao chão.
"Agora comporte-se, não quero que seja malvada com ele!" disse ela e voltou para a cozinha.
Leo estava bravo. Ele é meu! pensou ele. Era aniversário dele e estava levando bronca logo cedo, por culpa do irmãozinho. E a mamãe nem reparou que ele juntou todo o papel como ele pediu.
Distraído em pensamentos, Leo percebeu tarde demais, quando o pequeno bebê estava mais uma vez jogando todo o papel no chão. Ele sentiu raiva mas não disse nada. Apenas o esperou terminar e cansar do papel. Quando o irmãozinho se afastou, ele foi lá e juntou todo o papel. Quando finalmente terminou, olhou para trás para procurar pelo bebê e o viu erguendo o carro de bombeiro sobre a cabeça.
"Não!" pediu Leo, mas não adiantou. O irmãozinho soltou o carro no chão, quebrando uma das rodas e algumas das luzes. Era novinho, Leo nem ao menos tinha brincado com ele ainda...
Mais tarde, a mamãe veio lhe chamar pra comer.
"Mãe olha!" disse Leo, feliz. " Olha o tamanho da minha torre!"
Na sala estava uma enorme torre de blocos coloridos, Leo usou todos os blocos para construi-la, foi bem difícil... mas a mamãe ignorou totalmente.
"Cade o irmãozinho?" perguntou ela, brava. Antes que ele pudesse responder, ela o viu, deitado no sofá, imóvel. O rosto dela ficou todo vermelho, ela estava mesmo com muita raiva. Mas ele também estava!
" Eu desliguei ele! ele derruba minha torre de blocos e ainda quebrou meu carro de bombeiro! e eu nem tinha brincado com ele ainda!"
"Eu já te disse que ele é um bebê!" respondeu a mãe. "Você tem que ensinar as coisas pra ele!"
Ela foi até o irmãozinho para liga-lo, mas Leo meteu-se na frente dela.
"Não! gritou ele " ele é meu! eu não quero que o ligue!"
A mamãe parecia mesmo muito brava. "Eu vou ligar! eu ja te disse que ele ainda ouve e sente tudo quando está desligado, e isso é assustador pra ele!"
"Se vc o ligar eu desligo de novo! desligo e o escondo em um lugar escuro!"
A mamãe lhe deu uma olhar severo. Ele sabia que tinha passado dos limites. Ela se aproximou dele. Leo fechou os olhos, iria apanhar com certeza, mas ele não se importava, estava com raiva também.
Ela chegou bem perto para lhe castigar. Passou a mão por trás de seu pescoço, alcançando algo duro e frio que estava lá. CLIC.
Estava escuro. Escuro e assustador. Ele não conseguia se mexer ou falar, mas ao longe, podia ouvir a voz da mamãe brincando com o irmãozinho...
Postado por
Unknown
às
14:31
0
comentários
Marcadores: brinquedos. Kennen., crianças. mães, Suspense
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Missão anjo da guarda: capitulo 7:Enfrentando o demônio
Passei o último
mês vivendo o meu pior pesadelo. Não adiantava mais fingir que aquilo não estava
acontecendo ou era uma piadinha de mau gosto que logo iria acabar, pois há aquela
altura já estava claro que não. Já tinha
chorado, esperneado, perdido a todos os anjos superiores e de nada adiantou. Eu
era um anjo da guarda agora e ponto.
Proteger Pedro
era de longe a coisa mais fácil do mundo. Ele era briguento, irresponsável, possuía
todos os tipos de inimigos imagináveis. Como se isso já não fosse o bastante
ainda havia o demônio dentro dele com o qual eu não sabia lidar, e que me
impedia de tocar no garoto sem que eu o machucasse.
Se você acha
que ser anjo é uma coisa legal, é porque nunca se imaginou no meu lugar. Oh mundo
cruel, ainda tinha certeza de que não merecia aquilo.
– Isabela! –
ouvi alguém gritar batendo na minha porta. – Isabela, acorda ou vamos nos atrasar
para aula. – Pedro não parava de berrar do outro lado.
– To indo. –
resmunguei sem querer me levantar.
Droga! Como eu
odiava aquilo.
– Isabela! –
ele insistiu
Ah, até que
ele era um humano legal... Ahmmm? No que eu estava pensando? Ele é só um humano
inferior.
– Isabela!
– To indo!!!
Saltei da
cama e corri para o banheiro pegando uma muda de roupa no caminho. 15 minutos
depois eu abri a porta do quarto e ele esta lá, escorado na parede, olhando
para mim. Por um breve instante ele pareceu um garoto normal, como se não
houvesse uma criatura perversa habitando o corpo dele.
– Achei que não
iria sair nunca. – ele resmungou caminhando pele corredor e eu o segui.
Ignorei o
comentário dele.
– Você é
sempre assim? – ele parou de andar e se virou para mim.
– Assim
como?
– Tão
arrogante.
– Não sou
arrogante.
– Imagina. –
ele disse sarcástico e voltou a andar. – Ah – ele parou novamente. – Trouxe o
seu café senhorita altruísta. – ele me estendeu um saco de papel marrom.
Nossos dedos
se cruzaram por um breve segundo, ele tirou a mão como se tivesse encostado em
uma panela quente. Seus olhos ficaram negros por um breve segundo.
– Já ouvi
casos de pessoas que tomam choque ao encostar em outras. Mas isso é estranho. –
ele resmungou.
– Vai saber o
porquê, nunca fui muito boa em física mesmo. – desconversei, dando uma mordida
no pão com queijo que ele me trouxe.
Ele começou
a rir.
– O que foi?
– perguntei sem entender o motivo da graça.
– A senhora
perfeita admitiu que não é boa em alguma coisa.
Fechei a
cara e ele continuou a rir.
Caminhei até
a escola, ao lado dele, em completo silêncio. Estava pensativa. Será que eu era
mesmo assim? Bobagem! Eu era um anjo, uma criatura divina, perfeita.
– Olha só
quem vem ali. – resmungou um dos valentões da escola quando nos aproximamos. – Pedro
e a namoradinha dele.
– Ela não é
minha namorada. – Pedro rosnou.
– Oh, se é
assim . – disse o garoto que deveria ter vinte e poucos anos, era alto, gordo,
usava um boné para trás, roupas surradas e fedia como uma caçamba de lixo. Ele se
aproximou de mim até ficar a poucos centímetros. – ela pode ser A MINHA
namorada.
Pedro segurou
a mão do cara no ar, antes que a mesma me tocasse.
– Tire suas
mãos imundas dela. – Pedro rosnou.
– Ou o que? –
o encrenqueiro desafiou em meio a uma gargalhada.
– Você não
sabe do que eu sou capaz. – a voz de Pedro soou grave e assustadora. A partir
dos olhos dele começaram a sair manchas negras que foram tomando conta do seu
rosto.
Os curiosos
que assistiam saíram correndo com medo. O cara tentou fazer o mesmo, no entanto
Pedro segurava o seu braço com uma força descomunal.
– Pedro, ei Pedro,
calma. – tentei interferir.
– Cala a
boca, anjo! – ele rosnou em minha direção.
Seus dentes estavam pontudos e assustadores.
Há aquela
altura o encrenqueiro já havia feito xixi nas calças. Eu era capaz de apostar
que ele pensaria centenas de vezes antes de mexer com alguém novamente.
Sabia que Pedro
não estava mais no controle, aquele a minha frente era o demônio.
– Você pode
lutar Pedro! Você pode escolher.
– Cala a boca!
– o demônio gritou novamente.
– Eu não tenho
medo de você. – disse olhando-o nos olhos.
– Deveria
ter. – ele soltou o cara e andou na minha direção.
O garoto
saiu correndo como um cometa, sem nem ao menos olhar para trás.
Estávamos sozinhos,
um Pedro inconsciente, o demônio e eu.
– Você só
aparece quando ele perde o controle. – comecei a dizer. – Sabe muito bem que se
ele quiser pode lutar contra você.
– Isso é
mentira! Eu sou um demônio, mais forte do que qualquer humano medíocre.
Foi a minha
vez de rir. Havia menosprezando os humanos toda a minha existência e estava ali
dizendo para um demônio que a mesma criatura que eu julgava inútil era mais
forte que ele. Foi engraçado. E por mais engraçado que fosse eu acreditava
naquilo.
Permaneci olhando
profundamente nos olhos de Pedro. Sabia que ele estava ali em algum lugar. Costumava
ouvir que os olhos eram a janela da alma, mas como essa era uma dádiva apenas
dos humanos eu não tinha certeza.
– Pedro você
pode, lute contra ele.
Abri as
minhas assas e deixei que a minha luz tomasse conta do ambiente ao meu redor.
– Vá embora,
anjo enxerida! – o demônio berrou.
–Isabela! –
ouvi a voz de Pedro ecoar baixinha. – Isabela!
– Não! –o demônio
berrou.
A voz do
mesmo foi se perdendo e a de Pedro se tornando mais forte.
Aquela luta
pareceu interminável, até que os olhos de Pedro voltaram ao normal e eu soube
que ele estava ali novamente. Mais forte, vitorioso!
– Isabela, você...
eu? – ele me encarou surpreso enquanto eu recolhia as minhas asas.
– Longa
história. – resmunguei.
– Não to a
fim de assistir as aulas de hoje mesmo.
Virei às
costas comecei a andar, ele me seguiu. Acabamos sentando as margens de um rio.
Permaneci em
silêncio, não sabia o que podia ou não contar para ele, porém
Achava que
ele merecia saber.
Contei “Ei,
tem um demônio dentro de você” e “Eu sou um anjo” da forma mais fácil que
consegui. No fim do meu discurso ele estava me olhando com os olhos
esbugalhados em um misto de surpresa e incredulidade. Reação dentro do
esperado.
– Você quer
dizer que toda vez que eu apagava e não lembrava de nada depois era porque um demônio
tomava conta do meu corpo?
–
Basicamente.
– Caramba! –
ele estava chocado demais para dizer qualquer coisa.
– Acho
melhor irmos trabalhar. – foi a melhor coisa que consegui dizer.
– Ta bem. –
ele concordou e começou a andar. – Mas se você é um anjo por que não simplesmente
cria dinheiro? –perguntou curioso.
– Já me fiz
a mesma pergunta, mas não funcionou. – lamentei.
Não conversamos
muito durante o expediente. Acho que ele precisava de tempo para digerir tudo
aquilo. Se não tivesse visto com os próprios olhos jamais acreditaria em mim.
Quando voltei
para o meu quarto, na pensão barata e abri a porta tomei um grande susto.
Havia um
anjo de pé ao lado da minha cama.
Engoli seco. Comecei a me perguntar mentalmente qual era a
punição pior do que me tornar um anjo da guarda.
Continua...
By Ashe
Postado por
Unknown
às
22:16
0
comentários
Marcadores: adolescentes, Anjos, Ashe, briga, conflito, Demônios, Deus, Misticismo, Sobrenatural
Sonic . EXE
Olá.
O que passo a relatar aqui será visto como insano, ou sonho. É o
que todos dizem para mim, por mais que eu tente provar, mas eu vi, eu
sei que vi. Cabe a você, quem quer que seja, acreditar ou não.
Como toda criança na
minha época, eu era fã do Sonic. Sonic e Mario eram os jogos
favoritos de quase todo mundo, mas, alguns ficavam mais com o Sonic e
outros com o Mario. Eu era mai da turma do azulzinho veloz; meus pais
não em deixavam brincar na rua e me davam videogames para passar o
tempo, acho que esse foi um dos principais motivos de eu sempre
gostar mais do Sonic, ele é livre, pode correr para qualquer lugar e
é super rápido; tem muitos amigos e salva os animais. No entanto
conforme o tempo passava, a franquia começou a crescer e ganhar
plataformas em 3d, o que mudou muito a jogabilidade original e eu aos
poucos fui deixando de gostar da saga.
A vida passa, a infância
acaba e a vida adulta chega; hora de deixar o velhos herois de lado e
encarar a realidade. Adultos não jogam, adultos estudam e trabalham
e foi o que eu fiz entrei pra faculdade;mal tinha tempo para as
coisas que eu gostava, quem dirá, jogar vídeo game, que era coisa
de criança a toa.
Um dia porém, mexendo
numa caixas de coisas velhas, encontrei meu empoeirado e antigo mega
drive. Ao toca-lo, foi como se todas as boas memórias e infância
tivessem voltado á mim, lembrei das tardes que passava sentado no
chão da sala, tomando coca e jogando ele, e das madrugadas, que
jogava escondido da minha mãe. Rejuvenesci na mesma hora: as
musicas, os sons, as sequencias de botões, tudo veio à mente, junto
com uma enorme vontade de jogar mais uma vez.
Tirei o pó de cima dele
e o liguei na tv do meu quarto e para meu espanto, funcionou! Meu
cartucho do Sonic não funcionava mais, infelizmente, entao, coloquei
Streets of rage para jogar um pouco, mas logo cansei, não era bem o
que eu queria. Então, calcei o tênis, vesti um boné e saí para o
centro da cidade, procurar uma dessas lojinha de eletrônicos, onde
se encontra coisas velhas quem ninguém mais quer.
Depois de algum tempo
procurando, eu encontrei uma dessas lojas, fui ao vendendo e
perguntei: Você teria ai o cartucho do Sonic? aquele antigão mesmo.
Mal
terminei a pergunta o o cara respondeu:
- Tenho um
aqui sim.
Ele buscou atrás do
balcão e me entregou um cartucho totalmente preto, sem rotulo,
apenas um uma fita branca colocada na frente com o dizeres "Sonic".
Torci o nariz, com razão, e o homem continuou:
- Esse cartucho ta
sempre voltando pra cá e considerando as péssimas condições dele,
eu te faço por 10 reais, o que acha?
Considerando que aquilo
fosse mesmo Sonic, estava o preço muito bom, afinal, o valor
sentimental que eu tinha por aquele jogo era muito maior do que isso.
Como eu tinha exatamente 10 reais no bolso comprei-o, atirando a nota
sobre o balcão quase automaticamente.
Corri pra casa para pode
jogar logo; em todos aqueles anos que eu deixei de lado os vídeo
games, que me forcei a crescer, eu esqueci como é legal e divertido
gastar um tempo relaxando com games eletrônicos, e eu estava prestes
a reviver isso tudo. Mas antes não tivesse.
Liguei
o jogo e fiquei feliz em ver que era mesmo Sonic. A tela de entrada,
com sorrindo sorrindo confiante e agitando o dedo como sempre,
porém.... quando apertei start, algo muito bizarro aconteceu que me
fez pular do sofá: o céu ficou totalmente escuro, o mar, vermelho
como sangue. O sorrio confiante de Sonic era agora um sorriso maligno
e seus olhos totalmente negros com um ponto vermelho no meio, era
como se a tela de inicio tivesse ido para inferno!
O jogo nao começou como
antes. A invés de ir para Green Hill zone, fui levado a uma tela
vermelha com save files, porém, sem a opção de escolhe-los, a não
ser uma delas. As outras duas estavam trancadas com um ícone de
cadeado, e a musica do fundo era assustadora! era uma versão
distorcia e demoníaca da musica da "data select" de sonic,
mas num tom melancólico e macabro, como nunca ouvi antes. O Slot
disponível tinha apenas a figura de Tails selecionada, tentei
apertar tudo, mas parece que apenas poderia jogar com Tails sozinho.
Eu odiava ele, queria o Sonic, mas não parecia ter opção, era como
se o jogo quisesse que eu fosse o Tails. Apertei start para
seleciona-lo... a luz do meu abajur oscilou quase que na mesma hora.
gelei.
Uma tela preta apareceu
na sequencia, onde normalmente estaria escrita o nome da fase(
Greenhill zone) apareceu uma mensagem em inglês "Bem vindo de
volta". Como assim? o jogo estava falando comigo? em seguida sou
jogado na Greenhill zone, mas tudo é apenas uma reta. Começo a
correr com Tails e a musica do fundo para estar tocando de trás pra
frente. Aquele som estava entrando na minha mente como uma agulha. Passo por varias árvores e pedras normais do cenários mas eis que
então começam a aparecer rastros de sangue e destroços de animais
por toda parte. Continuo a correr para frente, pois a tela trava e
não me deixava recuar. Continuei a correr por aquele cenário
horrível até que encontrei Sonic. Tails pára de correr, e sem que
eu pudesse controla-lo ele caminhou até Sonic. Sonic que estava de
braços cruzado e olhos fechados, abriu-os e seus olhos estavam
vermelhos como na tela de abertura. A tela escureceu e eu ouvi uma
risada que parecia vir de todos os cantos do meu quarto e uma
mensagem apareceu na tela, " VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO?"
Em seguida, surgiu a
mensagem de título de fase, como aparece em todas a fases que você
acaba de entrar, mas ao invés de aparecer o nome de uma fase,
apareceu ": esconde esconde".
A tela seguinte era
pavorosa: estava tudo em chamas, Tails estava parado com uma
expressão de medo e ele apontava para mim! isso mesmo, para mim, ou
para algo atrás de mim.
Naquela hora senti um arrepio subindo pelas
costas, mas resisti a tentação de olhar para trás. Peguei o
controle, suando e comandei Tails a correr por entre aquela terra
abrasada. Tão logo ele começou a correr, aquela risada assustadora
mais uma vez pode ser ouvida por todo meu quarto, e a imagem do Sonic
demoníaco surgiu, correndo atrás de Tails. Eu apertava com força o
controlador para que ele fugisse, mas Sonic estava cada vez mais
perto, e o que era pior, aquela musica desesperadora de quando se
está morrendo afogado no jogo, começou a tocar. Conforme a musica
acelerava, Sonic chegava mais e mais perto de Tails.
Eu estava muito
apavorado, eu sabia que algo bom não iria sair daquilo. Quando Sonic
finalmente tocou Tails, ele sumiu... e então eu vi Tails, me
encarando e chorando. Eu nunca vi tal animação antes, Tails estava
olhando para mim e chorando desesperadamente como se implorasse minha
ajuda....
Então Sonic apareceu do
nada, na frente dele, com as mãos em sua direção agarrou-o... em
toda minha vida, eu nunca tinha ouvido um grito tão aterrador, tão
assustador... a tela escureceu, mas o grito de Tails continuou por
uns segundos, ecoando meu quarto todo...e meu abajur oscilou mais uma
vez.
Silêncio.
Mais uma vez ouvi aquela
risada e então outra mensagem na minha tela: "VOCÊ FOI MUITO
LENTO. QUER BRINCAR DE NOVO?"
Mais uma vez a tela de
"data select" apareceu, mas desta vez, Tails estava
cinzento e com lágrimas de sangue escorrendo pelo rosto. Meu deus!
Tails estava morto? Sonic o matou enquanto eu jogava? isso não pode
ser real, é só um jogo! e jogos são coisas de crianças! coisas
divertidas!
A tela de data select
agora indicava que era a vez de Knuckles, o outro amigo, que eu
também não achava legal... Sonic queria que eu o visse morrrer?
Estava apavorado, mas muito curioso. Apaguei meu abajur e apertei
start, selecionado-o.
O nome da próxima
fazer era "VOCÊ NÃO PODE CORRER" . Era a chemical Plant,
mas estava tudo destruído. Knuckles corria para direita e como
tails, nao podia voltar, Corri. A certo ponto, o chão começou a
ficar coberto por sangue. Continuei a correr sem me importar,quando,
a maldita risada de Sonic, que sempre que causava a arrepios soou de
novo. Ele aparecia e sumia em flashes, cercando Knuckles, a cada
aparição, eu tinha menos espaço para me movimentar, quando então
Knuckles cai ao chão exausto e Sonic aparece por trás dele com
aquela cara demoníaca....
A tela apagou e mais uma
vez ouvi um grito, dessa vez, de Knuckles. O grito era tão terrível
e assustador quanto o de Tails... Meu coração estava acelerado,
quem seria agora?
De volta à tela de data
select, assim como Tails, Knuckles estava cinzento e sem vida,
chorando sangue, e, para minha surpresa, o próximo slot pertencia ao
Dr. Robotinik. Mesmo sabendo o que aconteceria a seguir, eu apertei
start.
A fase seguinte se
chamava " ..."
Robotinik estava seu
laboratório, ma haviam marcas de sangue por toda parte. Comecei a
correr com ele, mas era um pouco diferente, ele parecia chorar
enquanto corria, era como se ele soubesse do que estava por vir;
todos morreram, só sobrava ele. Seu laboratório em ruínas passava
por ele, enquanto eu o fazia correr desesperadamente.
A maldita risada de
Sonic ecoava por toda parte e muitas vezes eu sentia como se ele
estivesse bem atrás de mim! como se aquilo fosse um castigo por
tê-lo esquecido por tanto anos!
Robotinik
correu até a saída do laboratório, onde Sonic o esperava, com um
largo sorriso e olhos vermelhos. O Doutor chorava desesperado, quando
então a tela escureceu e num flash, surgiu uma imagem que nunca mais
consegui esquecer, que sempre que fecho os olhos, eu vejo na minha
mente. O rosto de Sonic, deformado, enorme na minha televisão,
dizendo "EU SOU DEUS."
Essa imagem permaneceu
estática ai, não importava o que eu fizesse. Apertei o start mais
uma vez e a tela mudou para uma cena com Tails, Knuckles e Ronotinik
com as cabeças decepadas, e entre eles, Sonic, olhando para mim, com
aquele par de olhos frios, como se me dissesse " você é o
próximo".
Pra mim chega! corri até
o console para tirar aquele cartucho dali, nunca mais queria vê-lo
de novo! minha infância fora totalmente destruída e eu jamais
poderia fechar os olhos novamente sem lembrar daquele olhar, mas para terminar meu desespero, logo puxei o cartucho, a imagem sumiu, e mais uma vez pude ouvir aquela risada, agora, com a tela toda escura, o console desligado e o cartucho na minha mão... Sonic estava mandando uma mensagem para mim.... eu queria ter...Oh Deus...
( esta carta foi
encontrada dias depois, no corpo de um homem de 23 anos, trancado no
banheiro. Seu cadáver estava em posição fetal e era difícil
identificar a causa da morte. Nas paredes, uma frase escrita em
sangue: você não pode correr.)
Postado por
Unknown
às
06:16
0
comentários
Marcadores: assassinato, Kennen., morte, perseguição, Sonic, Terror, video game
quinta-feira, 27 de março de 2014
Crush
Por que fui ouvir meu coração ?
E me deixei levar pela vontade de te abraçar,
Mal sabia que estava me condenando a uma prisão,
Da qual não existe forma de escapar;
E me deixei levar pela vontade de te abraçar,
Mal sabia que estava me condenando a uma prisão,
Da qual não existe forma de escapar;
Apenas me lançando um sorriso,
Você me deixa completamente perdido,
Me faz sentir que perdi o juízo;
Faz com que todo o resto perca o sentido,
Você me deixa completamente perdido,
Me faz sentir que perdi o juízo;
Faz com que todo o resto perca o sentido,
Então tenho que encarar a verdade,
De que estou completamente a sua mercê,
Pois quando me pedem para pensar em felicidade,
A única coisa que consigo pensar é você.
De que estou completamente a sua mercê,
Pois quando me pedem para pensar em felicidade,
A única coisa que consigo pensar é você.
By Talon
Postado por
Unknown
às
16:30
0
comentários
Marcadores: amor, declaração, felicidade, Talon.
Assinar:
Postagens (Atom)















