terça-feira, 19 de agosto de 2014

Como brincar de esconde-esconde sozinho.

   


   Por ser um cara que mora sozinho, eu desenvolvi um gosto por jogos e brincadeiras para fazer sozinho. Muitos dos meus jogos de tabuleiro possuem a opção de "solo play", e eu me divirto muito, comigo mesmo, jogando-os dessa forma.
   Recentemente eu encontrei um site com um solo play um tanto diferente, que me chamou muita a atenção. Eu tentei.
   Não vou comentar meus resultados aqui, apenas citar as instruções que vi no site. Depois de ler esse texto, fica por sua conta, tentar ou não.
   Se estiver disposto, siga as instruções EXATAMENTE como descritas aqui. Eu não ousei desobedecer, não ouse também.
   Como brincar de esconde-esconde sozinho. É uma brincadeira bem popular em muitas partes da Ásia. Os que tentam, relatam que funciona, apesar do medo que sentem ou o sentimento de estar com a vida em risco.
   Se você, absolutamente, precisar fazer isso, você vai precisar:

1- Uma boneca, com pernas e braços, de preferência de pano. A boneca serve como recipiente para o espírito. É aconselhável que não use uma boneca muito parecia com ser humano, como Barbies e Max Steel, e também, não use uma boneca que você goste, pois é possível que o espírito não queria sair.
2- Arroz. O espírito que come essa oferenda, cresce mais forte.
3- Uma linha ou laço vermelho.Isso simboliza sangue e serve para selar o acordo.
4- Algo do seu corpo; unhas são o mais comum, mas sangue, cabelo, pele ou outras secreções do seu corpo funcionam bem. Não use partes de outra pessoa, ou isso pode ser perigoso.
5- Uma arma. Algo para cutucar a boneca, para "irritá-la". Facas de verdade são perigosas, então, muitas pessoas recomendam usar lápis, canetas ou agulhas.
6- Água com sal. Sem isso, vai ser impossível finalizar a brincadeira. Esse material é usado para se livrar o espírito.
7- Um esconderijo, claro, afinal, isso é um esconde-esconde.
8- Um nome. Nomes são a coisa mais poderosa que uma pessoa pode dar a um espírito. Nomes os deixam mais capazes de interagir neste mundo. 

   Se você não conseguiu algum desses itens exatamente como descrito, não faça a brincadeira. Se conseguiu e ainda assim quer levar isso adiante, siga os seguintes passos:
 Passo 1: corte a boneca, e substitua seu enchimento ( caso a boneca tenha) com arroz.
 Passo2: coloque algo do seu corpo, junto com o arroz.
 Passo 3: Enrole a linha ou fita vermelha na boneca e prenda com um laço, fechando a abertura que usou para por o arroz.
 Passo 4: No banheiro, coloque agua dentro de uma bacia, banheira ou balde.
 Passo 5: encontre um esconderijo para você.
 Passo 6: coloque uma xícara ou copo com aguá salgada, antes de começar o jogo.


  Preciso repetir: ou você segue as instruções exatamente como apresentadas, ou nem tente começar.
   Para brincar, comece às 3 da manhã, pois esta é a hora em que os espíritos estão mais ativos. Dê um nome à boneca. Pode ser qualquer nome que você queira, mas evite seu próprio nome. 
  Diga: "tá comigo!". Diga isso três vezes. Sempre que falar com a boneca, fale claramente, sem gritar.  Vá ao banheiro, coloquei a boneca dentro da bacia/balde com água e apague todas as luzes da sua casa. Feche os olhos, conte até dez e vá ao banheiro, onde a deixou, com sua arma nas mãos. Ao entrar, diga: "achei você!_________(nome da boneca)" e então, espete a boneca com sua arma.
   Feche os olhos e diga: "agora tá com você __________(nome da boneca)" . Repita três vezes. Deixe sua arma perto da boneca e corra para seu esconderijo, sem olhar pra trás.
   Faça silêncio durante o tempo que ficar escondido, pois acredite, você não quer ser encontrado. Você não pode encerrar o jogo na metade, se o começou, termine. Não alongue o jogo por mais de duas horas, pois além desse tempo, acredita-se que o espírito já esteja muito forte. E o mais importante de tudo: NÃO DURMA DURANTE O JOGO!

   Quando quiser terminar o jogo, coloque metade do copo de agua salgada na sua boca, mas não cuspa ou engula, o sal vai te proteger do espírito. Deixe o esconderijo, levando o resto da agua salgada com você. Caso você deixe o esconderijo sem a agua salgada na boca, é capaz que você encontre algo vagando pela sua casa. Algo que você iria preferir nunca ter visto.
   Não importa o que aconteça, não cuspa ou engula a água salgada em sua boca. Procure pela boneca. Tenha em mente que a boneca não precisa necessariamente estar no banheiro, onde você a deixou. Quando a encontrar, tome cuidado, sua arma vai estar em algum lugar, nas proximidades dela. Despeje a água do copo sobre ela, e cuspa a agua salgada em sua boca, também sobre ela. Diga três vezes: "Eu venci _______(nome da boneca)". Isso fará o espírito desistir. E o jogo acaba.
    Seque a boneca e depois a queime. De maneira alguma, mantenha ela em sua casa.


    Notas:
    Jogue sozinho. Se houver mais alguém na casa, você estará pondo a vida dessa pessoa em risco, pois a boneca não vai diferenciar você da outra pessoa.

    Não saia da casa.
   Ao se esconder, repito: faça total silêncio. Desligue o celular.
   Caso você seja encontrado pela boneca, os resultados podem variar de acordo com o espírito nela; você pode levar uma cutucada da arma ou mesmo, ser possuído. Preciso repetir: você não vai querer ser encontrado por ela. Ela não pode vencer.
   Depois que se livrar da boneca, recomendo que coloque sal no banheiro e no lugar onde a encontrou. sal, supostamente espante espíritos.
   As pessoas que jogaram, dizem que coisas passaram a acontecer em suas casas, desde o jogo; TVs que mudam de canal sozinhas, luzes perfeitas, oscilando sem motivo, portas rangendo durante a noite, e , em casos mais sérios, ouvir uma baixa e distante risada, quando se deita pra dormir....

   Já ouviu falar da boneca Annabelle? Não sou especialista, só posso dizer que... ela não foi queimada.



 



 

terça-feira, 1 de julho de 2014

O segredo de treasure island

   

   Pouca gente sabe, mas a Disney é a principal responsável por tornar uma pequena vila, em uma vila fantasma que hoje em dia é conhecida apenas como Ghost Town.
   A Disney construiu o Treasure Island Resort, ou, resort da ilha do tesouro, que, em 1999 teve seu nome alterado para Discovery Island, ou, Ilha da descoberta., localizado na baia de Becker, nas Bahamas. 
   Outro fato é que a Disney investiu cerca de 30 milhões nesse paraíso tropical e em pouco tempo de existência, eles simplesmente fecharam as portas, abandonando o local. A desculpa dada foi que as águas ao redor da ilha eram rasas demais para os seus navios operassem. Chegaram até mesmo a culpar os trabalhadores locais, acusados de preguiçosos demais para trabalhar em horário regular.
   Bom, aqui acaba toda a verdade sobre essa historia. Não era culpa das águas rasas ou por que os trabalhadores eram preguiçosos demais. Ambas eram apenas desculpas convenientes. Sinceramente, não acreditei desde o começo nessa conversa da Disney, por causa do palácio de Mogli. Talvez você ja tenha ouvido falar em Mogli o menino lobo. Se nunca leu o livro ou viu o filme, talvez já tenha visto a animação da Disney sobre Mogli.
   Trata-se de uma criança abandonada na selva que ao mesmo tempo era cuidada e ameaçada por animais. O palácio de Mogli foi um projeto polêmico desde o inicio; a Disney comprou um quantidade enorme de terra para a construção, e na verdade, houve um escândalo envolvendo essa compra de terras. O governo local vendeu as casas dos moradores para a Disney. Houve até um fato de uma família que tinha acabado de construir uma casa, e ela em seguida, fora demolida com pouca ou nenhuma explicação. 
   As casas foram arrasadas,  o terreno foi limpo e não houve nada que qualquer pessoa pudesse fazer sobre isso. Tvs e jornais locais, no inicio eram contra a construção e atacavam a Disney, mas, com alguma intervenção e provavelmente algum suborno, que as opiniões mudaram repentinamente. A Disney investiu e a construção foi enfim terminada.
   A construção estava completa, e os visitantes realmente puderam se hospedar nos hotéis do resort e a cidade, ficou atolada com tráfego e um numero enorme de turistas perdidos e mal humorados. 
   Então, um dia, simplesmente, tudo parou. A Disney desligou o lugar, fechou os portões e ninguém sabia se quer o que pensar. Isso deixou os moradores locais muito felizes; a perda da Disney foi hilária e maravilhosa para o grande numero de pessoas que nunca quis aquilo.
   Eu, sinceramente nem lembrava desse lugar, desde que soube que tinha sido fechado, à décadas atrás. Então, eu li um artigo sobre alguém que explorou parte da Treasure Island e criado um blog direcionado à sua aventura, com  fotos e textos que descreviam tudo que ele tinha achado por lá, coisas simplesmente que foram largadas para trás, coisas quebradas, desfiguradas, talvez, vandalizadas por alguns dos trabalhadores revoltados por terem perdido seus empregos. Depois de abandonado, os moradores irritados fizeram uma grande pilhagem e destruição, isso incluindo o palácio de Mogli. 
   E qual meu ponto nisso tudo? bem, eu pensei, que poderia ser legal explorar o palácio de Mogli, tirar umas fotos e escrever sobre as coisas que eu encontrasse, e quem sabe, com sorte, achar algo que estivesse parcialmente inteiro para trazer para casa. 
   Na verdade eu não fui de imediato, honestamente, levei um ano para fazer essa viagem, depois que li sobre o palácio do resort. Nesse tempo, fiz uma pesquisa sobre o local, ou pelo menos tentei; nenhum site da Disney ou qualquer outra fonte faz qualquer menção desses fatos. Como é de conhecimento geral, é possível para algumas empresas pagar ao google para remover certos links de suas buscas.  Então, no fim das contas eu descobri bem pouco sobre o lugar, tudo que eu tinha era um mapa velho, que eu tinha recebido pelo correio no anos 90. Era um item promocional que era enviados à pessoas que haviam ido recentemente à Disneyland, que foi eu caso, na época. Ainda assim, levei um bom tempo para localizar esse mapa, pois eu o havia esquecido junto com livros e revistas velhas, no porão da casa da minha mãe. 

   Os moradores locais não foram cooperativos, pior: zombavam de mim ou faziam gestos rudes, deixando bem claro sua xenofobia. 
   Os portões estavam enferrujados, mas, abertos o bastante para eu poder me espremer por entre eles, então, peguei a câmera e o mapa. O terreno interno estava todo devastado: palmeiras permaneciam tortas, apoiadas em restos de escombros. Haviam bananeiras também, mortas e decompostas. Toda estrutura externa estava quebrada, as madeiras, apodrecidas. O que parecia ter sido um balcão de informações, agora era apenas uma pilha de sujeira desgastada pelo tempo.
   A coisa mais interessante na entrada, era uma estátua de Balu, o urso de Mogli, o menino lobo. Ele estava ali, parado, com um sorriso alegre e braços abertos, em uma pose animada,e , por algum motivo, intacto, a não ser pelo castigo que o tempo tinha lhe dado. 
   Adentrei o palácio, apenas para ver longos saguões e corredores vazios, com pichações por toda parte, onde a parede ainda não havia descascado. As portas estavam ausentes, com as dobradiças removidas, o que me fez pensar que foram roubadas. O interior tinha um vazio gritante; até as molduras das paredes pareciam ter sido roubadas. Tudo mais que era grande ou pesado demais para ser roubado, tinha sido destruído. Segui minha aventura, com meus passos ecoando ao longo dos corredores.
   A cozinha era o que vocês podem esperar: uma grande área com equipamentos para produção de comida. Tudo que era de vidro estava quebrado, todas as portas, armários e superfícies metálicas estavam amassadas por chutes. Ao fundo, eu vi um enorme freezes, e o adentrei.  Tudo que encontrei lá dentro foram filas intermináveis de ganchos pendurados, provavelmente, ganchos onde a carne ficava pendurada. E enquanto eu explorava o local, notei que os tais ganchos estavam balançando. Olhei com atenção e notei que o balançar deles eram aleatórios, cada gancho balançava pra um lado e uma velocidade diferente. Me aproximei e segurei-os para faze-los parar de balançar, mas segundos depois que eu os soltei, eles voltaram a balançar.
   Os banheiros estavam em grande parte no mesmo estado que todo o resto. os vasos, pias e mictórios estavam moídos ou atolados de fezes secas e decompostas. O fedor eram tão grande que não consegui permanecer ali por muito tempo. 
   Haviam muitos quartos no palácio, mas, naturalmente eu não tinha tempo de olhar todos, então, explorei somente alguns para tirar umas fotos. Eles estavam igualmente vandalizados e pilhados, não que eu esperasse encontrar algo por lá, mas quando estava no corredor, pensei ter ouvido alguma coisa, como um rádio ou televisão ligada. Um voz, como um sussurro, vinha do fundo do corredor... pelo que me lembro, foi algo como " eu não sabia disso! eu não te disse!" ou algo assim. Eu sei, isso parece estranho, mas estou apenas relatando o que ouvi, ou pensei ter ouvido. Quando estava saindo, pensei ter visto algo ou alguém correndo por entre um dos quartos, provavelmente um mendigo que deve se esconder por alí. Tratei de sair rapidinho, antes que esses mendigos resolvessem me atacar de alguma forma. 
   Voltando mais uma vez às portas de entrada do palácio, percebi que não tinha achado anda interessante para fotografar e que minha viagem tinha sido a toa. Porém, enquanto olhava ao redor, notei algo interessante, algo que não tinha notado antes. Havia uma estátua realista de uma cobra enorme, cerca de dois metros e meio de comprimento, enrolada num pedestal, bem no centro do lugar. me aproximei e tirei uma boa foto, depois me aproximei mais e tirei mais uma. Por ultimo, quis uma foto bem de perto do rosto da cobra, mas para minha surpresa, quando mirei a câmera, a cobra lentamente levou a cabeça, olhou nos meus olhos e deslizou para fora, passando por um buraco na parede, em direção à floresta.
   Fiquei paralisado de medo, com a boca aberta, pensando o quão perto de morrer eu estive e não sabia. Fiquei ali por algum tempo, depois, pisquei os olhos, me recuperando do choque e me afastei dalí, voltando para o palácio. Com passos tortos, eu respirei fundo  estapeei meu próprio rosto, para tentar voltar a mim. Quando comecei a me sentir melhor, notei uma escada para baixo, atrás do demolido balcão de recepção. Usando o flash da câmera como um tipo de lanterna, eu pude ver que a escada terminava em uma porta de metal, que parecia estar intocada.  Ao me aproximar, vi um cadeado na porta e uma placa que dizia apenas "mascotes".
   Isso em animou bastante por dois motivos: 1- era uma area de mascotes, lá dentro definitivamente teria algo interessante para fotografar. 2- o cadeado ainda estava no local, ou seja, ninguém ainda havia ido lá: nem os moradores furiosos, nem os mendigos nem os vândalos, certamente, eu acharia algo para poder levar embora. 
   Não levei muito tempo para arrombar o cadeado, na verdade eu simplesmente puxei a placa de metal onde o cadeado estava preso. Repeti o processo até ela ceder, caindo no chão com o cadeado, algo que ninguém tinha aparentemente pensado em fazer ou, não tinha sido capas de fazer a alguns anos atrás.
   No interior, o quarto estava completamente escuro, usei mais uma vez o flash da câmera para procurar algum interruptor de luz na parede, mas não achei nada. Enquanto eu pensava no que fazer, fui jogado pra fora do meu ser, por um zumbido elétrico e estranho sobre minha cabeça, fileiras de luzes em cima de mim, de repente, começaram a se acender. O quarto era exatamente como eu havia imaginado: vários uniformes da Disney perdurados nas paredes; pareciam cadáveres animados e grudados por uma força invisível. Haviam prateleiras inteiras, cobertas de roupas e tangas nativas. Mas o que eu achei mais estranho e quis fotografar imediatamente, foi uma fantasia do Mickey Mouse, caída no chão, no centro da sala, deitada de costas como uma vítima de assassinato. O pelo sobre o traje estava podre e caindo aos poucos. Suas roupas estavam gastas e quase sem cor. Tirei fotos de outros trajes pendurados também, e em vários ângulos, para mostrar bem os personagens, com rostos podres e alguns com olhos faltando.
    Peguei cuidadosamente a cabeça de um traje do pato Donald, cuidando para ela não desmanchar nas minhas mãos, quando então ouvi um barulho de algo caindo no chão. Senti que algo caiu da cabeça do traje e se despedaçou aos meus pés. Olhei para meus pés e vi, entre meus tênis, um crânio humano. Ele tinha caído de dentro da cabeça do Donald quando eu a removi. Larguei a cabeça de pano e corri para porta, mas quando cheguei nela, parei e me virei para o quarto de novo. Aquilo daria uma boa foto, pensei. Eu precisava de uma foto para provar o que tinha acontecido ali. Aquilo era uma pessoa morta e a Disney, de algum a forma era a responsável. 
   Foi então, que no meio da sala, Mickey Mouse começou a se levantar. Com as mãos trêmulas, coração acelerado e pernas que mais pareciam geleia, eu levantei minha câmera e apontei para ele, que agora me avaliava calmamente, dos pés à cabeça. 
   Em seguida, minha camera ficou toda escura, como se a bateria, de uma vez, estivesse esgotado. Ergui mais uma vez os olhos para o traje do Mickey.
   "Hey" ele disse.
   Apenas olhei.
   "Quer ver a minha cabeça sair?"
   Num tom abafado e cansado, mas ainda assim, executando a voz do personagem.
   Ele levou as mãos cobertas de luva até a cabeça, e começou a puxa-la e torce-la. Seus movimentos eram impacientes, ele parecia ter muito anseio por se livrar daquela cabeça.
   Enquanto ele puxava a cabeça, muito sangue, muito sangue mesmo, grosso, espesso e nojento começou a escorrer do seu pescoço.
   Eu me virei para correr para fora do palácio, mas, quando em virei, ouvi um barulho horrível de carne e pano se rasgando. 
   Depois que fugi daquele lugar, pro bem da minha sanidade, eu finalmente entendi porque a Disney não queria que aquele lugar fosse descoberto. Eles não queriam, que um curioso como eu abrisse aquela porta, e soltasse o que estava lá dentro.
   Definitivamente, algo como aquilo, não deveria sair de lá... 
   







 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Myiabi Doll



Havia a muito tempo atrás, uma rica família, que vivia numa casa muito grande. O homem era um comerciante, casado com a filha de um fazendeiro. Eles tinham dois filhos: O mais velho se chamava Kameo e a mais nova, a princesinha da casa se chamava Okiri. 
     Os irmãos eram muito ligados; Kameo passava horas brincando com a irmã, sempre que podia. Quando atingiu certa idade, seu pai começou a leva-lo para o trabalho com ele, para que o garoto aprendesse os negócios da família o quanto antes, deixando a pequena sozinha a maior parte do dia. As vezes, Kameo e o pai chegavam em casa muito tarde, e a menina já tinha ido dormir. 
      Numa manhã, Okiri acordou e viu uma carta ao seu lado; era dos eu irmãozão. Ele tinha deixado para ela na noite passada. Na carta ele dizia o que estava fazendo no trabalho e como sentia a falta dela. Okiri ficou tão feliz que resolveu fazer o mesmo e deixou uma cartinha para ele, sobre a cama dele. A troca de cartinhas virou costume, e assim, mesmo não se vendo tanto, Okiri não se sentia tão sozinha.
      Infelizmente, em 1932, aos 8 anos, Okiri ficou muito fraca por causa de uma doença misteriosa que medico algum sabia dizer o que era. Kameo tentava passar o maior tempo possível com a irmã, sempre lhe dizendo que logo ela ficaria bem. Mas ele sabia da verdade, não havia cura para Okiri e a cada dia, ela ficava pior, mas nunca deixava de sorrir, sempre que o irmão chegava em casa.
      Alguns meses depois, a criança morreu. Seu corpo foi cremado junto com todas as cartinhas que tinha do seu irmão. A família ficou muito triste; a mãe chorava muito, o pai passou a beber e o irmão, ficava horas sozinho, lendo e relendo as cartinhas deixadas pela irmã, onde contava o que ela fazia em casa o dia todo quando ele não estava.
      O quarto da menina continuava intocado, suas roupas e seus brinquedos e suas bonecas. Numa noite, quando estava sem sono, o rapaz teve a ideia de organizar as bonecas na prateleira. As bonecas eram feitas de madeira e todas vestiam quimonos muito bonitos. Com paciência,  Kameo arrumou todas as bonecas de modo que ficasse alinhadas. Quando terminou ele estava para sair do quarto quando resolveu dar uma ultima olhada nos quimonos da sua irmã e foi ai que ele teve uma grande ideia: iria contratar o construtor de bonecas para lhe pedir uma boneca que tivesse exatamente o mesmo tamanho de Okiri, com cabelos do mesmo comprimento e olhos de vidro, seria perfeito! Vestiriam ela com as roupas da garota, e ela seria imortalizada como uma verdadeira boneca, a maior de todas.


        No dia seguinte, o rapaz fez o pedido da boneca e em menos de um mês, lá estava ela: vestida e penteada como Okiri, de joelhos em uma almofada, cercada por todas as outras bonecas. Todas as noites antes de ir dormir, Kameo abria a porta do quarto e dava boa noite à boneca. Numa noite em particular, quando abriu a porta, notou que a cabeça da boneca estava numa posição um pouco diferente do que de costume. Ficou furioso; alguns dos empregados deve ter tocado nela. Entrou no quarto e arrumou-a como deveria ser. Quando estava saindo, notou que a mão dela movia-se lentamente, fechando e abrindo os dedos. Deu um pulo com o susto; olhou bem para a boneca, que não mais movia os dedos. Bobagem, pensou, fechou a porta e foi para o quarto.
       Quando foi deitar-se, viu que havia uma pedacinho de papel branco dobrado em sua cama. Abriu-o e era uma cartinha escrita com a letra de Okiri: " Kameo, não!". Ele tinha certeza que nunca havia visto aquela carta antes, talvez estivesse perdida e algum dos empregado a achou e colocou sobre sua cama para que ele pudesse guardar com as outras. 
         No outro dia, logo que acordou, Kameo encontrou outro papel dobrado sobre sua coisas. A letra também era igual a de Okiri, mas desta vez, parecia que havia raiva na escrita, as letras estavam maiores: " Eu não sou ela!".
         Amassou o papel com raiva, alguém estava brincando com ele. Se vestiu e saiu para ir trabalhar, e ao passar pela porta do quarto da irmã, ouviu um barulho lá dentro, como se fosse algo caindo no chão. Abriu a porta e viu a boneca grande caída. Com paciência, ajeitou-a na almofada como sempre. Foi até a porta do quarto, e pelo espelho, viu a boneca levantar o rosto e olhar para ele com seus frios olhos de vidro. Deu um grito e olhou para trás: a boneca estava como ele havia deixado. Olhou mais uma vez para o espelho... estava tudo ok. Trancou a porta do quarto da menina e levou a chave consigo para o trabalho.
        Naquela noite quando voltou pra casa, sua mãe lhe disse que os empregados ouviram barulhos estranhos no quarto dele durante a tarde. Ao entrar em seu quarto, Kameo se deparou com uma mensagem escrita na parede " Eu odeio aquela boneca! eu não sou ela!"
         Agora a coisa estava séria: ou alguém tava muito afim de morrer ou... Deu uns tapas no próprio rosto, por pensar bobagem. Com pano e agua, removeu a mensagem. Decidiu não dizer nada a sua mãe. Antes de dormir, foi olhar as bonecas. Tudo estava em ordem.
          Mais e mais mensagens começaram a aparecer para ele; em forma de cartas ou nas paredes. As vezes, os empregados ouviam barulhos e gemidos vindos do quarto de Okiri, até que, as mensagens começaram a aparecer pela casa. Kameo não podia mais esconder ou ignorar, quando as paredes da sala estavam cobertas de tinta preta e uma mensagem " Odeio aquela boneca!". Junto à frase, marcas de mãozinhas de criança. Um a um, os empregados abandonaram os patrões.
         A noticia se espalhou de que a filha dos Sato havia voltado para assombra-los e todos pareciam acreditar nisso. Todos menos Kameo e seu pai. Eles estavam certos de que tinha sido uma brincadeira de mal gosto de alguns dos empregados. A senhora Sato, no entanto não gostava nada disso. Numa tarde, ela implorou para o filho queimar a boneca, pois ela não estava deixando sua irmã descansar. A senhora Sato estava ruim da saúde, e o rapaz não queria piorar sua situação, então, decidiu se livrar da boneca naquela noite.
        Quando entrou no quarto, Kameo deu um pulo para trás: todas as bonecas pequenas estavam amarradas pelo pescoço, penduradas no teto. O coração dele acelerou ainda mais quando notou a boneca maior, de pé, no canto do quarto, com o rosto virado para a parede... na verdade, duas delas. No outro canto do quarto, estava uma segunda boneca, na mesma posição, com a mesma roupa e cabelos, exatamente igual.
         "Kameo" disse uma voz. " Qual delas sou eu irmãozão? Você sabe dizer? qual sou eu e qual é a impostora feita de madeira? Sei que sabe, não sabe?" uma risadinha de criança preencheu o quarto, e logo em seguida, a voz tomou um tom mais sério. " Não erre!".
          O rapaz estava apavorado de verdade agora; aquelas bonecas enforcadas sobre ele e aquelas duas bonecas no canto do quarto... e a voz de Okiri... Olhou para as duas: eram idênticas de costas. Fechou os olhos, tentou se concentrar e caminhou ate uma delas. Quando estava perto o bastante para toca-la, ouviu mais uma vez a voz: "Eu sabia que não iria me decepcionar. Obrigada Kameo, eu te amo" e então, a boneca a sua frente sumiu no ar. Soltou o ar que estava preso em seu peito e se deixou chorar.
          Do lado de fora, acendeu uma fogueira para queimar a boneca. Finalmente tinha entendido os sentimentos de Okiri,e poderia deixa-la descansar em paz agora. O fogo consumiu rapidamente o corpo de madeira. Porém, enquanto queimava, aqueles olhos de vidro, tão iguais aos dela, continuavam a olha-lo...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sob Tortura

 

Os beijos que trocávamos eram quentes e me faziam estremecer a cada instante, o deslizar daquelas mãos sobre minha pele eram os estimuladores de uma corrente que percorria todo meu corpo. As respirações entrecortadas e os pulsos acelerados nos conduziram a um rítmo inebriante, a ponto de quase ficarmos sem fôlego.
Uma noite inteira de carícias, gemidos e altas temperaturas. Nossos corpos unidos percorriam um único caminho e encontravam juntos com nossas mentes, todo o prazer que alguém poderia ter em mãos.
Naqueles braços eu me entreguei, naquela pele eu me submergi, tornei-me pertencente ao ser que agora tentava me acalmar o fôlego e manter o seu próprio sob controle. Logo o sono veio, bem como o início da madrugada. Estávamos exaustos.
Assim que me situei novamente, consegui distinguir, à pouca luz, a figura que dormia abraçada em mim. Sorri e acariciei seu rosto, eu amava profundamente.
Meu coração estava entregue.
Mas mesmo em meio a todo aquele amor, mesmo sob todo aquele clima, existia uma presença. Uma mulher de olhos felinos e rosto angelical, alguém que se fazia presente enquanto nossas noites de amor se desdobravam sob aqueles lençóis.
Aproximei-me mais, pois no fundo queria demonstrar que aquela disputa já estava ganha e que não havia mais nada que ela pudesse fazer. Olhei mais algumas vezes para os travesseiros espalhados e senti quando sua boca colou em meu ouvido.
Os lábios doces e quentes que percorriam toda a extensão do meu pescoço, deixavam rastros de uma chama que há tempos estava apagada. Virei-me. Não queria mais sentir.
Deixei os braços em que estava e tentei me iludir com o sono que não voltava mais. Com o travesseiro sobre a cabeça parecia que estava tudo calmo, não havia mais perigos, mas eu sabia, ela estava lá. Sua presença era tão real quanto o fogo que me consumia naquele momento.
Virei-me novamente, mas já era tarde para fugir. Suas mãos em minhas pernas, sua boca contra minha barriga, e aqueles olhos se tornando cada vez mais inebriantes.
Precisava resistir, não deixar o desejo tomar conta. Era tão difícil, ela era tão perfeita, tão diabólica. Seduzia-me como se não fosse apenas um fantasma, como se ainda vivesse em mim. O pior era que eu tinha dúvidas se ela era realmente apenas uma lembrança.
Eu a odiava por isso. Não era certo. Eu a odiava por estar lá, por me confundir, por me fazer declinar nas horas em que não podia e por me atormentar com ideias absurdas. Eu não a queria lá, queria que ela sumisse, desejava que ela fosse embora, que não me atormentasse mais.
Quanto mais eu pensava, menos eu tinha forças e menos lutava contra tudo aquilo. Ao meu lado agora só existia ela e tudo o que eu fazia me comprometia ainda mais. Foi quando senti suas mãos delicadas passando sobre meu corpo até alcançar o que procurava. Arfei e gemi ao me sentir em abuso e controle completo daquela criatura.
Seus toques anunciavam a malícia escondida por detrás de seus olhos e sua boca me torturava com beijos ardentes. Era mais do que o normal, mais do que eu poderia suportar.
Quando finalmente me deixei levar, ela sorriu. Seu sorriso para mim era doce e quente ao mesmo tempo.
Nos amamos como se tudo o que eu precisasse fosse ela. E em meio aos gemidos e pensamentos que me tomavam, não houve, sequer, uma cogitação de misericórdia para mim ou para o outro ser que habitava o mesmo coração.
Não havia retorno, muito menos desculpas. Tudo o que havia era o silêncio que consumia o ambiente. Porém, dentro de mim, existia a plena certeza de que seria para sempre um ser dividido.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Irmãozinho


   Era manhã de 8 de maio.  Leo acordou cedo, afinal espera por esse dia a muito tempo. Era seu dia favorito, seu aniversário. Ele nem escovou os dentes, foi correndo para a sala, abrir seus presentes. Lá estavam eles, na sala, todos embrulhados e lindos, esperando para serem abertos. O primeiro foi um grande caminhão com uma caçamba grande o bastante parra carregar muitos brinquedos dentro. O segundo, foi uma porção de blocos de montar, coloridos. O terceiro foi especial, um carro de bombeiro, lindo, luminoso e reluzente. Mas este não foi o melhor dos presentes. Em um canto da sala, estava um outro embrulho, era grande e de formato peculiar... Leo sabia o que era. Ele sempre quis. A anos ele vem pedindo à sua mãe por um irmãozinho. Ela sempre dizia " esse ano não posso, é muito caro", mas desta vez, não havia engano... Leo correu até o embrulho e o rasgou. E estava certo.
   Era um irmãozinho.
   No momento em que Leo o tirou da caixa, ele abriu os olhos e começou a dar risadinhas de bebê.
   Leo deu o maior grito de surpresa que se lembra de ter dado, finalmente! finalmente ele tinha um irmãozinho, que a anos queria! Poderia brincar com ele o tempo todo e lhe ensinar coisas, faze-lo aprender tudo que ele ja sabe, como dizia na TV.
   "Obrigado mãe", disse ele, e abraçou o irmãozinho, passando os braços envolta do seu pescocinho. Nesse momento, Leo sentiu algo duro e frio na nuca do pequeno, e em seguida, ouviu um sonoro CLIC.
   O  irmãozinho foi ao chão, com o corpo todo mole e sem expressão alguma no rosto.
   "Leo!" gritou a mamãe.
   "E-eu não queria!" 
   A mamãe foi até ele, pegou o  irmãozinho, abraçou-o e apertou o botão na sua nuca. Logo que foi ativado, seu rostinho se contraiu e o  irmãozinho começou a chorar.
   " Seja mais cuidadoso Leo, quando ele é desligado, ele não pode se mexer nem falar, mas ele ainda consegue ouvir e sentir. E isso o assusta."
   Ela o abraçou mais um pouco, lhe fez carinho e deu um beijo na sua testa. O
irmãozinho acalmou-se sorriu pra ela.
   "Que bom menino que você é! agora vai brincar com o Leo" disse ela, deixando ele no chão.
   A mamãe foi para a cozinha preparar o café da manhã e os deixou na sala. Antes de sair, ela pediu a Leo para que junta-se todo o papel de presente rasgado.
   Leo pediu desculpas para o irmãozinho. Era divertido ver o modo com que ele andava; todo durinho e desajeitado. Com passinhos de bebê, ele pegou o papel que estava no chão e começou a rasga-lo. A cada rasgão, ele ria com o barulho do papel. Leo notou que isso o deixava feliz e começou a rasgar papel também. E mais uma vez, o irmãozinho riu.
   " Sabe o que mais é legal?" perguntou Leo. Pegou um pedaço de papel do chão, fez uma bola e o atirou na caçamba do caminhão. Mas o irmãozinho não gostou dessa brincadeira. A cada bola de papel que Leo jogava lá dentro, ele tirava e a jogava no chão.
   "Para com isso!" pediu ele. " A mamãe pediu para juntar todo o papel. Mais uma vez, ele juntou as bolas de papel e as jogou na caçamba. E mais uma vez, o bebê jogou toda no chão.
   "Não!" falou Leo, tentando não gritar. "Não pode!" Mais uma vez juntou tudo e colocou no caminhão. Os olhos do irmãozinho se encheram de agua, seu rosto ficou todo enrugado, ele estava prestes a chorar.
   Mas Leo agiu rápido. Ele o pegou pela mão e o mostrou os blocos coloridos. "Veja" disse ele. "Vou montar uma torre bem alta. Tão alta que vai chegar ao teto!"
   Leo começou a empilhar os blocos, mas quando a torre estava com três blocos de altura, o irmãozinho a derrubou com um tapa. Riu com risadinha de bebê. Leo riu também. " Agora fica olhando, vou montar uma bem grande"
   E mais uma vez, antes do quarto bloco, o bebê e derrubou com a mão. E riu de novo. Leo nada disse, apenas tentou montar a torre de novo. Quando o irmãozinho veio com sua mão gordinha para derrubar os blocos, ele gritou: "Não! não pode! seu bobo!" 
   Leo segurou a mão dele, impedindo-o.
   Imediatamente, o bebê começou a chorar, desta vez, bem alto. Alto o bastante para mamãe ouvir lá da cozinha.
   "Leo! o que vocês fez pra ele?"
   "Ele é um bobo! fica derrubando minha torre!"
   "Ele é um bebê! você tem que ensinar a ele como brincar!"
   Ela o pegou no colo, lhe deu mais um beijo e o chamou de bom menino, até acalma-lo. Depois de calmo, o irmãozinho voltou ao chão.
   "Agora comporte-se, não quero que seja malvada com ele!" disse ela e voltou para a cozinha.
   Leo estava bravo. Ele é meu! pensou ele. Era aniversário dele e estava levando bronca logo cedo, por culpa do irmãozinho. E a mamãe nem reparou que ele juntou todo o papel como ele pediu.
   Distraído em pensamentos, Leo percebeu tarde demais, quando o pequeno bebê estava mais uma vez jogando todo o papel no chão. Ele sentiu raiva mas não disse nada. Apenas o esperou terminar e cansar do papel. Quando o irmãozinho se afastou, ele foi lá e juntou todo o papel. Quando finalmente terminou, olhou para trás para procurar pelo bebê e o viu erguendo o carro de bombeiro sobre a cabeça.
  "Não!" pediu Leo, mas não adiantou. O irmãozinho soltou o carro no chão, quebrando uma das rodas e algumas das luzes. Era novinho, Leo nem ao menos tinha brincado com ele ainda...
   Mais tarde, a mamãe veio lhe chamar pra comer.
   "Mãe olha!" disse Leo, feliz. " Olha o tamanho da minha torre!"
   Na sala estava uma enorme torre de blocos coloridos, Leo usou todos os blocos para construi-la, foi bem difícil... mas a mamãe ignorou totalmente.
   "Cade o irmãozinho?" perguntou ela, brava. Antes que ele pudesse responder, ela o viu, deitado no sofá, imóvel. O rosto dela ficou todo vermelho, ela estava mesmo com muita raiva. Mas ele também estava!
   " Eu desliguei ele! ele derruba minha torre de blocos e ainda quebrou meu carro de bombeiro! e eu nem tinha brincado com ele ainda!"
   "Eu já te disse que ele é um bebê!" respondeu a mãe. "Você tem que ensinar as coisas pra ele!"
   Ela foi até o irmãozinho para liga-lo, mas Leo meteu-se na frente dela.
   "Não! gritou ele " ele é meu! eu não quero que o ligue!"
   A mamãe parecia mesmo muito brava. "Eu vou ligar! eu ja te disse que ele ainda ouve e sente tudo quando está desligado, e isso é assustador pra ele!"
   "Se vc o ligar eu desligo de novo! desligo e o escondo em um lugar escuro!"
   A mamãe lhe deu uma olhar severo. Ele sabia que tinha passado dos limites. Ela se aproximou dele. Leo fechou os olhos, iria apanhar com certeza, mas ele não se importava, estava com raiva também.     
   Ela chegou bem perto para lhe castigar. Passou a mão por trás de seu pescoço, alcançando algo duro e frio que estava lá. CLIC.



Estava escuro. Escuro e assustador. Ele não conseguia se mexer ou falar, mas ao longe, podia ouvir a voz da mamãe brincando com o irmãozinho...   






 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Missão anjo da guarda: capitulo 7:Enfrentando o demônio


Passei o último mês vivendo o meu pior pesadelo. Não adiantava mais fingir que aquilo não estava acontecendo ou era uma piadinha de mau gosto que logo iria acabar, pois há aquela altura já estava claro que não.  Já tinha chorado, esperneado, perdido a todos os anjos superiores e de nada adiantou. Eu era um anjo da guarda agora e ponto.
Proteger Pedro era de longe a coisa mais fácil do mundo. Ele era briguento, irresponsável, possuía todos os tipos de inimigos imagináveis. Como se isso já não fosse o bastante ainda havia o demônio dentro dele com o qual eu não sabia lidar, e que me impedia de tocar no garoto sem que eu o machucasse.
Se você acha que ser anjo é uma coisa legal, é porque nunca se imaginou no meu lugar. Oh mundo cruel, ainda tinha certeza de que não merecia aquilo.
– Isabela! – ouvi alguém gritar batendo na minha porta. – Isabela, acorda ou vamos nos atrasar para aula. – Pedro não parava de berrar do outro lado.
– To indo. – resmunguei sem querer me levantar.
Droga! Como eu odiava aquilo.
– Isabela! – ele insistiu
Ah, até que ele era um humano legal... Ahmmm? No que eu estava pensando? Ele é só um humano inferior.
– Isabela!
– To indo!!!
Saltei da cama e corri para o banheiro pegando uma muda de roupa no caminho. 15 minutos depois eu abri a porta do quarto e ele esta lá, escorado na parede, olhando para mim. Por um breve instante ele pareceu um garoto normal, como se não houvesse uma criatura perversa habitando o corpo dele.
– Achei que não iria sair nunca. – ele resmungou caminhando pele corredor e eu o segui.
Ignorei o comentário dele.
– Você é sempre assim? – ele parou de andar e se virou para mim.
– Assim como?
– Tão arrogante.
– Não sou arrogante.
– Imagina. – ele disse sarcástico e voltou a andar. – Ah – ele parou novamente. – Trouxe o seu café senhorita altruísta. – ele me estendeu um saco de papel marrom.
Nossos dedos se cruzaram por um breve segundo, ele tirou a mão como se tivesse encostado em uma panela quente. Seus olhos ficaram negros por um breve segundo.
– Já ouvi casos de pessoas que tomam choque ao encostar em outras. Mas isso é estranho. – ele resmungou.
– Vai saber o porquê, nunca fui muito boa em física mesmo. – desconversei, dando uma mordida no pão com queijo que ele me trouxe.
Ele começou a rir.
– O que foi? – perguntei sem entender o motivo da graça.
– A senhora perfeita admitiu que não é boa em alguma coisa.
Fechei a cara e ele continuou a rir.
Caminhei até a escola, ao lado dele, em completo silêncio. Estava pensativa. Será que eu era mesmo assim? Bobagem! Eu era um anjo, uma criatura divina, perfeita.
– Olha só quem vem ali. – resmungou um dos valentões da escola quando nos aproximamos. – Pedro e a namoradinha dele.
– Ela não é minha namorada. – Pedro rosnou.
– Oh, se é assim . – disse o garoto que deveria ter vinte e poucos anos, era alto, gordo, usava um boné para trás, roupas surradas e fedia como uma caçamba de lixo. Ele se aproximou de mim até ficar a poucos centímetros. – ela pode ser A MINHA namorada.
Pedro segurou a mão do cara no ar, antes que a mesma me tocasse.
– Tire suas mãos imundas dela. – Pedro rosnou.
– Ou o que? – o encrenqueiro desafiou em meio a uma gargalhada.
– Você não sabe do que eu sou capaz. – a voz de Pedro soou grave e assustadora. A partir dos olhos dele começaram a sair manchas negras que foram tomando conta do seu rosto.
Os curiosos que assistiam saíram correndo com medo. O cara tentou fazer o mesmo, no entanto Pedro segurava o seu braço com uma força descomunal.
– Pedro, ei Pedro, calma. – tentei interferir.
– Cala a boca, anjo! – ele rosnou em minha direção.  Seus dentes estavam pontudos e assustadores.
Há aquela altura o encrenqueiro já havia feito xixi nas calças. Eu era capaz de apostar que ele pensaria centenas de vezes antes de mexer com alguém novamente.
Sabia que Pedro não estava mais no controle, aquele a minha frente era o demônio.
– Você pode lutar Pedro! Você pode escolher.
– Cala a boca! – o demônio gritou novamente.
– Eu não tenho medo de você. – disse olhando-o nos olhos.
– Deveria ter. – ele soltou o cara e andou na minha direção.
O garoto saiu correndo como um cometa, sem nem ao menos olhar para trás.
Estávamos sozinhos, um Pedro inconsciente, o demônio e eu.
– Você só aparece quando ele perde o controle. – comecei a dizer. – Sabe muito bem que se ele quiser pode lutar contra você.
– Isso é mentira! Eu sou um demônio, mais forte do que qualquer humano medíocre.
Foi a minha vez de rir. Havia menosprezando os humanos toda a minha existência e estava ali dizendo para um demônio que a mesma criatura que eu julgava inútil era mais forte que ele. Foi engraçado. E por mais engraçado que fosse eu acreditava naquilo.
Permaneci olhando profundamente nos olhos de Pedro. Sabia que ele estava ali em algum lugar. Costumava ouvir que os olhos eram a janela da alma, mas como essa era uma dádiva apenas dos humanos eu não tinha certeza.
– Pedro você pode, lute contra ele.
Abri as minhas assas e deixei que a minha luz tomasse conta do ambiente ao meu redor.
– Vá embora, anjo enxerida! – o demônio berrou.
–Isabela! – ouvi a voz de Pedro ecoar baixinha. – Isabela!
– Não! –o demônio berrou.
A voz do mesmo foi se perdendo e a de Pedro se tornando mais forte.
Aquela luta pareceu interminável, até que os olhos de Pedro voltaram ao normal e eu soube que ele estava ali novamente. Mais forte, vitorioso!
– Isabela, você... eu? – ele me encarou surpreso enquanto eu recolhia as minhas asas.
– Longa história. – resmunguei.
– Não to a fim de assistir as aulas de hoje mesmo.
Virei às costas comecei a andar, ele me seguiu. Acabamos sentando as margens de um rio.
Permaneci em silêncio, não sabia o que podia ou não contar para ele, porém
Achava que ele merecia saber.
Contei “Ei, tem um demônio dentro de você” e “Eu sou um anjo” da forma mais fácil que consegui. No fim do meu discurso ele estava me olhando com os olhos esbugalhados em um misto de surpresa e incredulidade. Reação dentro do esperado.
– Você quer dizer que toda vez que eu apagava e não lembrava de nada depois era porque um demônio tomava conta do meu corpo?
– Basicamente.
– Caramba! – ele estava chocado demais para dizer qualquer coisa.
– Acho melhor irmos trabalhar. – foi a melhor coisa que consegui dizer.
– Ta bem. – ele concordou e começou a andar. – Mas se você é um anjo por que não simplesmente cria dinheiro? –perguntou curioso.
– Já me fiz a mesma pergunta, mas não funcionou. – lamentei.
Não conversamos muito durante o expediente. Acho que ele precisava de tempo para digerir tudo aquilo. Se não tivesse visto com os próprios olhos jamais acreditaria em mim.
Quando voltei para o meu quarto, na pensão barata e abri a porta tomei um grande susto.
Havia um anjo de pé ao lado da minha cama.
Engoli seco.  Comecei a me perguntar mentalmente qual era a punição pior do que me tornar um anjo da guarda.


Continua...


By Ashe 

Sonic . EXE


Olá. O que passo a relatar aqui será visto como insano, ou sonho. É o que todos dizem para mim, por mais que eu tente provar, mas eu vi, eu sei que vi. Cabe a você, quem quer que seja, acreditar ou não.
   Como toda criança na minha época, eu era fã do Sonic. Sonic e Mario eram os jogos favoritos de quase todo mundo, mas, alguns ficavam mais com o Sonic e outros com o Mario. Eu era mai da turma do azulzinho veloz; meus pais não em deixavam brincar na rua e me davam videogames para passar o tempo, acho que esse foi um dos principais motivos de eu sempre gostar mais do Sonic, ele é livre, pode correr para qualquer lugar e é super rápido; tem muitos amigos e salva os animais. No entanto conforme o tempo passava, a franquia começou a crescer e ganhar plataformas em 3d, o que mudou muito a jogabilidade original e eu aos poucos fui deixando de gostar da saga.
   A vida passa, a infância acaba e a vida adulta chega; hora de deixar o velhos herois de lado e encarar a realidade. Adultos não jogam, adultos estudam e trabalham e foi o que eu fiz entrei pra faculdade;mal tinha tempo para as coisas que eu gostava, quem dirá, jogar vídeo game, que era coisa de criança a toa.
   Um dia porém, mexendo numa caixas de coisas velhas, encontrei meu empoeirado e antigo mega drive. Ao toca-lo, foi como se todas as boas memórias e infância tivessem voltado á mim, lembrei das tardes que passava sentado no chão da sala, tomando coca e jogando ele, e das madrugadas, que jogava escondido da minha mãe. Rejuvenesci na mesma hora: as musicas, os sons, as sequencias de botões, tudo veio à mente, junto com uma enorme vontade de jogar mais uma vez.
    Tirei o pó de cima dele e o liguei na tv do meu quarto e para meu espanto, funcionou! Meu cartucho do Sonic não funcionava mais, infelizmente, entao, coloquei Streets of rage para jogar um pouco, mas logo cansei, não era bem o que eu queria. Então, calcei o tênis, vesti um boné e saí para o centro da cidade, procurar uma dessas lojinha de eletrônicos, onde se encontra coisas velhas quem ninguém mais quer.
     Depois de algum tempo procurando, eu encontrei uma dessas lojas, fui ao vendendo e perguntei: Você teria ai o cartucho do Sonic? aquele antigão mesmo.
        Mal terminei a pergunta o o cara respondeu:
     -   Tenho um aqui sim.
     Ele buscou atrás do balcão e me entregou um cartucho totalmente preto, sem rotulo, apenas um uma fita branca colocada na frente com o dizeres "Sonic". Torci o nariz, com razão, e o homem continuou:
     - Esse cartucho ta sempre voltando pra cá e considerando as péssimas condições dele, eu te faço por 10 reais, o que acha?
     Considerando que aquilo fosse mesmo Sonic, estava o preço muito bom, afinal, o valor sentimental que eu tinha por aquele jogo era muito maior do que isso. Como eu tinha exatamente 10 reais no bolso comprei-o, atirando a nota sobre o balcão quase automaticamente.
      Corri pra casa para pode jogar logo; em todos aqueles anos que eu deixei de lado os vídeo games, que me forcei a crescer, eu esqueci como é legal e divertido gastar um tempo relaxando com games eletrônicos, e eu estava prestes a reviver isso tudo. Mas antes não tivesse.
Liguei o jogo e fiquei feliz em ver que era mesmo Sonic. A tela de entrada, com sorrindo sorrindo confiante e agitando o dedo como sempre, porém.... quando apertei start, algo muito bizarro aconteceu que me fez pular do sofá: o céu ficou totalmente escuro, o mar, vermelho como sangue. O sorrio confiante de Sonic era agora um sorriso maligno e seus olhos totalmente negros com um ponto vermelho no meio, era como se a tela de inicio tivesse ido para inferno!
     O jogo nao começou como antes. A invés de ir para Green Hill zone, fui levado a uma tela vermelha com save files, porém, sem a opção de escolhe-los, a não ser uma delas. As outras duas estavam trancadas com um ícone de cadeado, e a musica do fundo era assustadora! era uma versão distorcia e demoníaca da musica da "data select" de sonic, mas num tom melancólico e macabro, como nunca ouvi antes. O Slot disponível tinha apenas a figura de Tails selecionada, tentei apertar tudo, mas parece que apenas poderia jogar com Tails sozinho. Eu odiava ele, queria o Sonic, mas não parecia ter opção, era como se o jogo quisesse que eu fosse o Tails. Apertei start para seleciona-lo... a luz do meu abajur oscilou quase que na mesma hora. gelei.
      Uma tela preta apareceu na sequencia, onde normalmente estaria escrita o nome da fase( Greenhill zone) apareceu uma mensagem em inglês "Bem vindo de volta". Como assim? o jogo estava falando comigo? em seguida sou jogado na Greenhill zone, mas tudo é apenas uma reta. Começo a correr com Tails e a musica do fundo para estar tocando de trás pra frente. Aquele som estava entrando na minha mente como uma agulha. Passo por varias árvores e pedras normais do cenários mas eis que então começam a aparecer rastros de sangue e destroços de animais por toda parte. Continuo a correr para frente, pois a tela trava e não me deixava recuar. Continuei a correr por aquele cenário horrível até que encontrei Sonic. Tails pára de correr, e sem que eu pudesse controla-lo ele caminhou até Sonic. Sonic que estava de braços cruzado e olhos fechados, abriu-os e seus olhos estavam vermelhos como na tela de abertura. A tela escureceu e eu ouvi uma risada que parecia vir de todos os cantos do meu quarto e uma mensagem apareceu na tela, " VOCÊ QUER BRINCAR COMIGO?"
     Em seguida, surgiu a mensagem de título de fase, como aparece em todas a fases que você acaba de entrar, mas ao invés de aparecer o nome de uma fase, apareceu ": esconde esconde".
      A tela seguinte era pavorosa: estava tudo em chamas, Tails estava parado com uma expressão de medo e ele apontava para mim! isso mesmo, para mim, ou para algo atrás de mim. 
Naquela hora senti um arrepio subindo pelas costas, mas resisti a tentação de olhar para trás. Peguei o controle, suando e comandei Tails a correr por entre aquela terra abrasada. Tão logo ele começou a correr, aquela risada assustadora mais uma vez pode ser ouvida por todo meu quarto, e a imagem do Sonic demoníaco surgiu, correndo atrás de Tails. Eu apertava com força o controlador para que ele fugisse, mas Sonic estava cada vez mais perto, e o que era pior, aquela musica desesperadora de quando se está morrendo afogado no jogo, começou a tocar. Conforme a musica acelerava, Sonic chegava mais e mais perto de Tails.
     Eu estava muito apavorado, eu sabia que algo bom não iria sair daquilo. Quando Sonic finalmente tocou Tails, ele sumiu... e então eu vi Tails, me encarando e chorando. Eu nunca vi tal animação antes, Tails estava olhando para mim e chorando desesperadamente como se implorasse minha ajuda....
     Então Sonic apareceu do nada, na frente dele, com as mãos em sua direção agarrou-o... em toda minha vida, eu nunca tinha ouvido um grito tão aterrador, tão assustador... a tela escureceu, mas o grito de Tails continuou por uns segundos, ecoando meu quarto todo...e meu abajur oscilou mais uma vez.
      Silêncio.
      Mais uma vez ouvi aquela risada e então outra mensagem na minha tela: "VOCÊ FOI MUITO LENTO. QUER BRINCAR DE NOVO?"
      Mais uma vez a tela de "data select" apareceu, mas desta vez, Tails estava cinzento e com lágrimas de sangue escorrendo pelo rosto. Meu deus! Tails estava morto? Sonic o matou enquanto eu jogava? isso não pode ser real, é só um jogo! e jogos são coisas de crianças! coisas divertidas!
      A tela de data select agora indicava que era a vez de Knuckles, o outro amigo, que eu também não achava legal... Sonic queria que eu o visse morrrer? Estava apavorado, mas muito curioso. Apaguei meu abajur e apertei start, selecionado-o. 
      O nome da próxima fazer era "VOCÊ NÃO PODE CORRER" . Era a chemical Plant, mas estava tudo destruído. Knuckles corria para direita e como tails, nao podia voltar, Corri. A certo ponto, o chão começou a ficar coberto por sangue. Continuei a correr sem me importar,quando, a maldita risada de Sonic, que sempre que causava a arrepios soou de novo. Ele aparecia e sumia em flashes, cercando Knuckles, a cada aparição, eu tinha menos espaço para me movimentar, quando então Knuckles cai ao chão exausto e Sonic aparece por trás dele com aquela cara demoníaca....
      A tela apagou e mais uma vez ouvi um grito, dessa vez, de Knuckles. O grito era tão terrível e assustador quanto o de Tails... Meu coração estava acelerado, quem seria agora?
       De volta à tela de data select, assim como Tails, Knuckles estava cinzento e sem vida, chorando sangue, e, para minha surpresa, o próximo slot pertencia ao Dr. Robotinik. Mesmo sabendo o que aconteceria a seguir, eu apertei start.
     A fase seguinte se chamava " ..."
      Robotinik estava seu laboratório, ma haviam marcas de sangue por toda parte. Comecei a correr com ele, mas era um pouco diferente, ele parecia chorar enquanto corria, era como se ele soubesse do que estava por vir; todos morreram, só sobrava ele. Seu laboratório em ruínas passava por ele, enquanto eu o fazia correr desesperadamente.
      A maldita risada de Sonic ecoava por toda parte e muitas vezes eu sentia como se ele estivesse bem atrás de mim! como se aquilo fosse um castigo por tê-lo esquecido por tanto anos!
Robotinik correu até a saída do laboratório, onde Sonic o esperava, com um largo sorriso e olhos vermelhos. O Doutor chorava desesperado, quando então a tela escureceu e num flash, surgiu uma imagem que nunca mais consegui esquecer, que sempre que fecho os olhos, eu vejo na minha mente. O rosto de Sonic, deformado, enorme na minha televisão, dizendo "EU SOU DEUS."

  Essa imagem permaneceu estática ai, não importava o que eu fizesse. Apertei o start mais uma vez e a tela mudou para uma cena com Tails, Knuckles e Ronotinik com as cabeças decepadas, e entre eles, Sonic, olhando para mim, com aquele par de olhos frios, como se me dissesse " você é o próximo".
      Pra mim chega! corri até o console para tirar aquele cartucho dali, nunca mais queria vê-lo de novo! minha infância fora totalmente destruída e eu jamais poderia fechar os olhos novamente sem lembrar daquele olhar, mas para terminar meu desespero, logo puxei o cartucho, a imagem sumiu, e mais uma vez pude ouvir aquela risada, agora, com a tela toda escura, o console desligado e o cartucho na minha mão... Sonic estava mandando uma mensagem para mim.... eu queria ter...Oh Deus...
( esta carta foi encontrada dias depois, no corpo de um homem de 23 anos, trancado no banheiro. Seu cadáver estava em posição fetal e era difícil identificar a causa da morte. Nas paredes, uma frase escrita em sangue: você não pode correr.)