Alguma vez você entrou num quarto, e de repente, esqueceu completamente o que foi fazer lá?
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Da próxima vez, você lembrará.
Alguma vez você já entrou em um quarto e encontrou um vampiro?
Não,não o tipo sexy de Hollywood, que se apaixona e brilha como uma fada.
Mas sim, uma criatura perversa, com braços e pernas ossudos e pele apodrecida?
O tipo que te encara, conforme entra, como uma fera selvagem, encarando uma presa.
O tipo que te atrai para o lugar escuro onde ele está, com profundos e hipnóticos olhos, te deixando incapaz de correr, enquanto você testemunha, apavorado, ele se soltar da escuridão que se encontra, e caminhar até você, indefeso, com o coração acelerado mas com as pernas travadas?
Você já sentiu o tempo diminuir à sua volta, enquanto a criatura atravessa a escuridão do quarto, na velocidade de um piscar de olhos ?
Alguma vez você já tremeu de medo, quando lhe tocam com uma longa e afiada garra na testa e outra no queixo, assim, virando sua cabeça de lado, para dar uma boa olhada no seu pescoço?
Já sentiu o arrepiar e o nojo, dele escorrendo sua língua comprida e pegajosa, nas suas bochechas, na sua boca e na garganta?
Já pôde sentir, o hálito quente dele,liberado como um sussurro, contra sua pele? Enquanto ele enfia lentamente, a ponta da língua, no seu ouvido, ficando assim por uns segundos, como se estivesse saboreando seu medo?
Você alguma vez já sentiu às trevas à mente, como se tudo que você pudesse ver e sentir, fosse sugado da sua cabeça, conforme você percebe, que nem todos os vampiros se alimentam de sangue, mas alguns, de memórias?
E então, já?
Provavelmente não, né?
Deixe-me reformular a pergunta:
Alguma vez você entrou num quarto, e de repente, esqueceu completamente o que foi fazer lá?
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Daruma-san caiu da banheira.
Já ouviu falar no jogo da banheira? Eu acho que não, este jogo não é muito difundido aqui nessas partes. O jogo tem esse nome pois consiste em provocar o espírito de Daruma-san, em uma banheira. Daruma foi uma mulher que morava sozinha, no Japão. Ela morreu numa noite em que estava tomando banho na banheira. Estava lavando seu cabelo e escorregou. Acertou o olho direito na torneira da banheira e sangrou até a morte. Por morar sozinha, Daruma não tinha ninguém para socorre-la.
Para ganhar a atenção de Daruma, você precisa de uma banheira. Encha-a de água e, a noite, antes de ir dormir, entre no banheiro, tire toda sua roupa e entre na água, sentando-se no meio da banheira. Feche bem seus olhos e lave seu cabelo. Ao lavar, repita a frase " Daruma-san caiu na banheira". Repita isso, enquanto lava o cabelo e não abra os olhos. Em sua mente, vai se formar a imagem de uma mulher japonesa escorregando na banheira e acertando o olho direito na torneira.
Quando isso acontecer, você vai sentir ou ouvir algo atrás de você, na água. Daruma-san vai erguer-se da água às suas costas talvez você sinta o cabelo dela tocando-o nas costas ou ombro direito. Não abra os olhos.
Você acabou da ganhar a atenção dela, zombando de sua morte. Trata-se de uma mulher asiática muito pálida com cabelos pretos e compridos. Seu olho direito é apenas um buraco preto, com sangue escorrendo. Ela está bem atrás de você.
Agora, ainda de olhos fechados pergunte, assim que sentir a presença dela: "porque você caiu na banheira?".
A lenda diz que toda vez que alguém toma banho de banheira a noite, Daruma-san o observa, esperando que a pessoa caia, como ela. Quando terminar de lavar o seu cabelo, saia da banheira com muito cuidado para não cair ou tropeçar e saia do banheiro, ainda de olhos fechados. É bom que você conheça bem o banheiro, para evitar acidentes.
Nota importante: deixe a água na banheira até o amanhecer para só então escoá-la. Seque-se, feche a porta e vá dormir.
Não se preocupe, você não terá pesadelos e nem ouvirá sons estranhos, mas se precisar ir ao banheiro durante, eu recomendo que use um outro banheiro da casa, se houver, caso contrario, segure, não volte àquele banheiro até o amanhecer.
Na manhã seguinte, quando acordar, o jogo começará. Escoe a agua da banheira.
Agora, Daruma-san está atrás de você, querendo pega-lo. Viva seu dia normalmente; escola, trabalho, passeio... enfim, o que quer que você pensava em fazer durante seu dia, faça, apenas, fique atento a um detalhe: Daruma-san vai aparecer atrás de você varias vezes durante seu dia, te encarando com ódio com seu único olho. Se você olhar para trás, ela irá sumir, porém, se você der uma breve espiada por sua do seu ombro direito, é capaz de vê-la de relance, pouco antes dela sumir. Não permita que Daruma-san o pegue.
Ao longo do dia, ela lentamente vai se aproximar de você. cada vez que a olhar, ela estará um pouco mais perto. Se você trabalha em uma situação em que tenha que ficar parado ou sentado, pode vir a ser um problema, pois em determinado ponto do jogo, você terá que fazer algo para se afastar dela. Se ao olhar por cima do ombro, você achar que a mulher está perto demais de você, diga " Damê!" que em japonês significa "pare!", e afaste-se dela. Corre, ande, não sei, so saia de onde está. Isso vai dar a você mais espaço sobre Daruma.
Para ser honesto, foi assim que eu fiquei sabendo desse jogo. Carla, a recepcionista da escola que eu trabalho, simplesmente disse "damê!" do nada, sem motivo. Levantou-se da cadeira, deu uma volta pela escola e voltou para a cadeira. Eu perguntei a ela que tinha acontecido, e então ela me contou sobre essa lenda.
Para finalizar o jogo, espere até anoitecer e diga "kittá!", o que significa " escapei de você!" e ao dizer isso, faça um sinal com a mão, como um golpe de caratê no ar. Isso fará Daruma-san desistir de você.
Notas:
Não estenda o jogo para além da meia noite, ou ele nunca mais poderá ser finalizado, fazendo com que você tenha que fugir de Daruma-san pro resto da sua vida.
Não estenda o jogo para além da meia noite, ou ele nunca mais poderá ser finalizado, fazendo com que você tenha que fugir de Daruma-san pro resto da sua vida.
Não durma antes de finalizar o jogo, ou ela ira persegui-lo em seus sonhos.
E como última dica, não jogue esse jogo.
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Como brincar de esconde-esconde sozinho.
Por ser um cara que mora sozinho, eu desenvolvi um gosto por jogos e brincadeiras para fazer sozinho. Muitos dos meus jogos de tabuleiro possuem a opção de "solo play", e eu me divirto muito, comigo mesmo, jogando-os dessa forma.
Recentemente eu encontrei um site com um solo play um tanto diferente, que me chamou muita a atenção. Eu tentei.
Não vou comentar meus resultados aqui, apenas citar as instruções que vi no site. Depois de ler esse texto, fica por sua conta, tentar ou não.
Se estiver disposto, siga as instruções EXATAMENTE como descritas aqui. Eu não ousei desobedecer, não ouse também.
Como brincar de esconde-esconde sozinho. É uma brincadeira bem popular em muitas partes da Ásia. Os que tentam, relatam que funciona, apesar do medo que sentem ou o sentimento de estar com a vida em risco.
Se você, absolutamente, precisar fazer isso, você vai precisar:
1- Uma boneca, com pernas e braços, de preferência de pano. A boneca serve como recipiente para o espírito. É aconselhável que não use uma boneca muito parecia com ser humano, como Barbies e Max Steel, e também, não use uma boneca que você goste, pois é possível que o espírito não queria sair.
2- Arroz. O espírito que come essa oferenda, cresce mais forte.
3- Uma linha ou laço vermelho.Isso simboliza sangue e serve para selar o acordo.
4- Algo do seu corpo; unhas são o mais comum, mas sangue, cabelo, pele ou outras secreções do seu corpo funcionam bem. Não use partes de outra pessoa, ou isso pode ser perigoso.
5- Uma arma. Algo para cutucar a boneca, para "irritá-la". Facas de verdade são perigosas, então, muitas pessoas recomendam usar lápis, canetas ou agulhas.
6- Água com sal. Sem isso, vai ser impossível finalizar a brincadeira. Esse material é usado para se livrar o espírito.
7- Um esconderijo, claro, afinal, isso é um esconde-esconde.
8- Um nome. Nomes são a coisa mais poderosa que uma pessoa pode dar a um espírito. Nomes os deixam mais capazes de interagir neste mundo.
Se você não conseguiu algum desses itens exatamente como descrito, não faça a brincadeira. Se conseguiu e ainda assim quer levar isso adiante, siga os seguintes passos:
Passo 1: corte a boneca, e substitua seu enchimento ( caso a boneca tenha) com arroz.
Passo2: coloque algo do seu corpo, junto com o arroz.
Passo 3: Enrole a linha ou fita vermelha na boneca e prenda com um laço, fechando a abertura que usou para por o arroz.
Passo 4: No banheiro, coloque agua dentro de uma bacia, banheira ou balde.
Passo 5: encontre um esconderijo para você.
Passo 6: coloque uma xícara ou copo com aguá salgada, antes de começar o jogo.
Preciso repetir: ou você segue as instruções exatamente como apresentadas, ou nem tente começar.
Para brincar, comece às 3 da manhã, pois esta é a hora em que os espíritos estão mais ativos. Dê um nome à boneca. Pode ser qualquer nome que você queira, mas evite seu próprio nome.
Diga: "tá comigo!". Diga isso três vezes. Sempre que falar com a boneca, fale claramente, sem gritar. Vá ao banheiro, coloquei a boneca dentro da bacia/balde com água e apague todas as luzes da sua casa. Feche os olhos, conte até dez e vá ao banheiro, onde a deixou, com sua arma nas mãos. Ao entrar, diga: "achei você!_________(nome da boneca)" e então, espete a boneca com sua arma.
Feche os olhos e diga: "agora tá com você __________(nome da boneca)" . Repita três vezes. Deixe sua arma perto da boneca e corra para seu esconderijo, sem olhar pra trás.
Faça silêncio durante o tempo que ficar escondido, pois acredite, você não quer ser encontrado. Você não pode encerrar o jogo na metade, se o começou, termine. Não alongue o jogo por mais de duas horas, pois além desse tempo, acredita-se que o espírito já esteja muito forte. E o mais importante de tudo: NÃO DURMA DURANTE O JOGO!
Quando quiser terminar o jogo, coloque metade do copo de agua salgada na sua boca, mas não cuspa ou engula, o sal vai te proteger do espírito. Deixe o esconderijo, levando o resto da agua salgada com você. Caso você deixe o esconderijo sem a agua salgada na boca, é capaz que você encontre algo vagando pela sua casa. Algo que você iria preferir nunca ter visto.
Não importa o que aconteça, não cuspa ou engula a água salgada em sua boca. Procure pela boneca. Tenha em mente que a boneca não precisa necessariamente estar no banheiro, onde você a deixou. Quando a encontrar, tome cuidado, sua arma vai estar em algum lugar, nas proximidades dela. Despeje a água do copo sobre ela, e cuspa a agua salgada em sua boca, também sobre ela. Diga três vezes: "Eu venci _______(nome da boneca)". Isso fará o espírito desistir. E o jogo acaba.
Seque a boneca e depois a queime. De maneira alguma, mantenha ela em sua casa.
Notas:
Jogue sozinho. Se houver mais alguém na casa, você estará pondo a vida dessa pessoa em risco, pois a boneca não vai diferenciar você da outra pessoa.
Não saia da casa.
Ao se esconder, repito: faça total silêncio. Desligue o celular.
Caso você seja encontrado pela boneca, os resultados podem variar de acordo com o espírito nela; você pode levar uma cutucada da arma ou mesmo, ser possuído. Preciso repetir: você não vai querer ser encontrado por ela. Ela não pode vencer.
Depois que se livrar da boneca, recomendo que coloque sal no banheiro e no lugar onde a encontrou. sal, supostamente espante espíritos.
As pessoas que jogaram, dizem que coisas passaram a acontecer em suas casas, desde o jogo; TVs que mudam de canal sozinhas, luzes perfeitas, oscilando sem motivo, portas rangendo durante a noite, e , em casos mais sérios, ouvir uma baixa e distante risada, quando se deita pra dormir....
Já ouviu falar da boneca Annabelle? Não sou especialista, só posso dizer que... ela não foi queimada.
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terça-feira, 1 de julho de 2014
O segredo de treasure island
Pouca gente sabe, mas a Disney é a principal responsável por tornar uma pequena vila, em uma vila fantasma que hoje em dia é conhecida apenas como Ghost Town.
A Disney construiu o Treasure Island Resort, ou, resort da ilha do tesouro, que, em 1999 teve seu nome alterado para Discovery Island, ou, Ilha da descoberta., localizado na baia de Becker, nas Bahamas.
Outro fato é que a Disney investiu cerca de 30 milhões nesse paraíso tropical e em pouco tempo de existência, eles simplesmente fecharam as portas, abandonando o local. A desculpa dada foi que as águas ao redor da ilha eram rasas demais para os seus navios operassem. Chegaram até mesmo a culpar os trabalhadores locais, acusados de preguiçosos demais para trabalhar em horário regular.
Bom, aqui acaba toda a verdade sobre essa historia. Não era culpa das águas rasas ou por que os trabalhadores eram preguiçosos demais. Ambas eram apenas desculpas convenientes. Sinceramente, não acreditei desde o começo nessa conversa da Disney, por causa do palácio de Mogli. Talvez você ja tenha ouvido falar em Mogli o menino lobo. Se nunca leu o livro ou viu o filme, talvez já tenha visto a animação da Disney sobre Mogli.
Trata-se de uma criança abandonada na selva que ao mesmo tempo era cuidada e ameaçada por animais. O palácio de Mogli foi um projeto polêmico desde o inicio; a Disney comprou um quantidade enorme de terra para a construção, e na verdade, houve um escândalo envolvendo essa compra de terras. O governo local vendeu as casas dos moradores para a Disney. Houve até um fato de uma família que tinha acabado de construir uma casa, e ela em seguida, fora demolida com pouca ou nenhuma explicação.
As casas foram arrasadas, o terreno foi limpo e não houve nada que qualquer pessoa pudesse fazer sobre isso. Tvs e jornais locais, no inicio eram contra a construção e atacavam a Disney, mas, com alguma intervenção e provavelmente algum suborno, que as opiniões mudaram repentinamente. A Disney investiu e a construção foi enfim terminada.
A construção estava completa, e os visitantes realmente puderam se hospedar nos hotéis do resort e a cidade, ficou atolada com tráfego e um numero enorme de turistas perdidos e mal humorados.
Então, um dia, simplesmente, tudo parou. A Disney desligou o lugar, fechou os portões e ninguém sabia se quer o que pensar. Isso deixou os moradores locais muito felizes; a perda da Disney foi hilária e maravilhosa para o grande numero de pessoas que nunca quis aquilo.
Eu, sinceramente nem lembrava desse lugar, desde que soube que tinha sido fechado, à décadas atrás. Então, eu li um artigo sobre alguém que explorou parte da Treasure Island e criado um blog direcionado à sua aventura, com fotos e textos que descreviam tudo que ele tinha achado por lá, coisas simplesmente que foram largadas para trás, coisas quebradas, desfiguradas, talvez, vandalizadas por alguns dos trabalhadores revoltados por terem perdido seus empregos. Depois de abandonado, os moradores irritados fizeram uma grande pilhagem e destruição, isso incluindo o palácio de Mogli.
E qual meu ponto nisso tudo? bem, eu pensei, que poderia ser legal explorar o palácio de Mogli, tirar umas fotos e escrever sobre as coisas que eu encontrasse, e quem sabe, com sorte, achar algo que estivesse parcialmente inteiro para trazer para casa.
Na verdade eu não fui de imediato, honestamente, levei um ano para fazer essa viagem, depois que li sobre o palácio do resort. Nesse tempo, fiz uma pesquisa sobre o local, ou pelo menos tentei; nenhum site da Disney ou qualquer outra fonte faz qualquer menção desses fatos. Como é de conhecimento geral, é possível para algumas empresas pagar ao google para remover certos links de suas buscas. Então, no fim das contas eu descobri bem pouco sobre o lugar, tudo que eu tinha era um mapa velho, que eu tinha recebido pelo correio no anos 90. Era um item promocional que era enviados à pessoas que haviam ido recentemente à Disneyland, que foi eu caso, na época. Ainda assim, levei um bom tempo para localizar esse mapa, pois eu o havia esquecido junto com livros e revistas velhas, no porão da casa da minha mãe.
Os moradores locais não foram cooperativos, pior: zombavam de mim ou faziam gestos rudes, deixando bem claro sua xenofobia.
Os portões estavam enferrujados, mas, abertos o bastante para eu poder me espremer por entre eles, então, peguei a câmera e o mapa. O terreno interno estava todo devastado: palmeiras permaneciam tortas, apoiadas em restos de escombros. Haviam bananeiras também, mortas e decompostas. Toda estrutura externa estava quebrada, as madeiras, apodrecidas. O que parecia ter sido um balcão de informações, agora era apenas uma pilha de sujeira desgastada pelo tempo.
A coisa mais interessante na entrada, era uma estátua de Balu, o urso de Mogli, o menino lobo. Ele estava ali, parado, com um sorriso alegre e braços abertos, em uma pose animada,e , por algum motivo, intacto, a não ser pelo castigo que o tempo tinha lhe dado.
Adentrei o palácio, apenas para ver longos saguões e corredores vazios, com pichações por toda parte, onde a parede ainda não havia descascado. As portas estavam ausentes, com as dobradiças removidas, o que me fez pensar que foram roubadas. O interior tinha um vazio gritante; até as molduras das paredes pareciam ter sido roubadas. Tudo mais que era grande ou pesado demais para ser roubado, tinha sido destruído. Segui minha aventura, com meus passos ecoando ao longo dos corredores.
A cozinha era o que vocês podem esperar: uma grande área com equipamentos para produção de comida. Tudo que era de vidro estava quebrado, todas as portas, armários e superfícies metálicas estavam amassadas por chutes. Ao fundo, eu vi um enorme freezes, e o adentrei. Tudo que encontrei lá dentro foram filas intermináveis de ganchos pendurados, provavelmente, ganchos onde a carne ficava pendurada. E enquanto eu explorava o local, notei que os tais ganchos estavam balançando. Olhei com atenção e notei que o balançar deles eram aleatórios, cada gancho balançava pra um lado e uma velocidade diferente. Me aproximei e segurei-os para faze-los parar de balançar, mas segundos depois que eu os soltei, eles voltaram a balançar.
Os banheiros estavam em grande parte no mesmo estado que todo o resto. os vasos, pias e mictórios estavam moídos ou atolados de fezes secas e decompostas. O fedor eram tão grande que não consegui permanecer ali por muito tempo.
Haviam muitos quartos no palácio, mas, naturalmente eu não tinha tempo de olhar todos, então, explorei somente alguns para tirar umas fotos. Eles estavam igualmente vandalizados e pilhados, não que eu esperasse encontrar algo por lá, mas quando estava no corredor, pensei ter ouvido alguma coisa, como um rádio ou televisão ligada. Um voz, como um sussurro, vinha do fundo do corredor... pelo que me lembro, foi algo como " eu não sabia disso! eu não te disse!" ou algo assim. Eu sei, isso parece estranho, mas estou apenas relatando o que ouvi, ou pensei ter ouvido. Quando estava saindo, pensei ter visto algo ou alguém correndo por entre um dos quartos, provavelmente um mendigo que deve se esconder por alí. Tratei de sair rapidinho, antes que esses mendigos resolvessem me atacar de alguma forma.
Voltando mais uma vez às portas de entrada do palácio, percebi que não tinha achado anda interessante para fotografar e que minha viagem tinha sido a toa. Porém, enquanto olhava ao redor, notei algo interessante, algo que não tinha notado antes. Havia uma estátua realista de uma cobra enorme, cerca de dois metros e meio de comprimento, enrolada num pedestal, bem no centro do lugar. me aproximei e tirei uma boa foto, depois me aproximei mais e tirei mais uma. Por ultimo, quis uma foto bem de perto do rosto da cobra, mas para minha surpresa, quando mirei a câmera, a cobra lentamente levou a cabeça, olhou nos meus olhos e deslizou para fora, passando por um buraco na parede, em direção à floresta.
Fiquei paralisado de medo, com a boca aberta, pensando o quão perto de morrer eu estive e não sabia. Fiquei ali por algum tempo, depois, pisquei os olhos, me recuperando do choque e me afastei dalí, voltando para o palácio. Com passos tortos, eu respirei fundo estapeei meu próprio rosto, para tentar voltar a mim. Quando comecei a me sentir melhor, notei uma escada para baixo, atrás do demolido balcão de recepção. Usando o flash da câmera como um tipo de lanterna, eu pude ver que a escada terminava em uma porta de metal, que parecia estar intocada. Ao me aproximar, vi um cadeado na porta e uma placa que dizia apenas "mascotes".
Isso em animou bastante por dois motivos: 1- era uma area de mascotes, lá dentro definitivamente teria algo interessante para fotografar. 2- o cadeado ainda estava no local, ou seja, ninguém ainda havia ido lá: nem os moradores furiosos, nem os mendigos nem os vândalos, certamente, eu acharia algo para poder levar embora.
Não levei muito tempo para arrombar o cadeado, na verdade eu simplesmente puxei a placa de metal onde o cadeado estava preso. Repeti o processo até ela ceder, caindo no chão com o cadeado, algo que ninguém tinha aparentemente pensado em fazer ou, não tinha sido capas de fazer a alguns anos atrás.
No interior, o quarto estava completamente escuro, usei mais uma vez o flash da câmera para procurar algum interruptor de luz na parede, mas não achei nada. Enquanto eu pensava no que fazer, fui jogado pra fora do meu ser, por um zumbido elétrico e estranho sobre minha cabeça, fileiras de luzes em cima de mim, de repente, começaram a se acender. O quarto era exatamente como eu havia imaginado: vários uniformes da Disney perdurados nas paredes; pareciam cadáveres animados e grudados por uma força invisível. Haviam prateleiras inteiras, cobertas de roupas e tangas nativas. Mas o que eu achei mais estranho e quis fotografar imediatamente, foi uma fantasia do Mickey Mouse, caída no chão, no centro da sala, deitada de costas como uma vítima de assassinato. O pelo sobre o traje estava podre e caindo aos poucos. Suas roupas estavam gastas e quase sem cor. Tirei fotos de outros trajes pendurados também, e em vários ângulos, para mostrar bem os personagens, com rostos podres e alguns com olhos faltando.
Peguei cuidadosamente a cabeça de um traje do pato Donald, cuidando para ela não desmanchar nas minhas mãos, quando então ouvi um barulho de algo caindo no chão. Senti que algo caiu da cabeça do traje e se despedaçou
aos meus pés. Olhei para meus pés e vi, entre meus tênis, um crânio
humano. Ele tinha caído de dentro da cabeça do Donald quando eu a
removi. Larguei a cabeça de pano e corri para porta, mas quando cheguei
nela, parei e me virei para o quarto de novo. Aquilo daria uma boa foto,
pensei. Eu precisava de uma foto para provar o que tinha acontecido
ali. Aquilo era uma pessoa morta e a Disney, de algum a forma era a responsável.
Foi então, que no meio da sala, Mickey Mouse começou a se levantar. Com as mãos trêmulas, coração acelerado e pernas que mais pareciam geleia, eu levantei minha câmera e apontei para ele, que agora me avaliava calmamente, dos pés à cabeça.
Em seguida, minha camera ficou toda escura, como se a bateria, de uma vez, estivesse esgotado. Ergui mais uma vez os olhos para o traje do Mickey.
"Hey" ele disse.
Apenas olhei.
"Quer ver a minha cabeça sair?"
Num tom abafado e cansado, mas ainda assim, executando a voz do personagem.
Ele levou as mãos cobertas de luva até a cabeça, e começou a puxa-la e torce-la. Seus movimentos eram impacientes, ele parecia ter muito anseio por se livrar daquela cabeça.
Enquanto ele puxava a cabeça, muito sangue, muito sangue mesmo, grosso, espesso e nojento começou a escorrer do seu pescoço.
Eu me virei para correr para fora do palácio, mas, quando em virei, ouvi um barulho horrível de carne e pano se rasgando.
Depois que fugi daquele lugar, pro bem da minha sanidade, eu finalmente entendi porque a Disney não queria que aquele lugar fosse descoberto. Eles não queriam, que um curioso como eu abrisse aquela porta, e soltasse o que estava lá dentro.
Definitivamente, algo como aquilo, não deveria sair de lá...
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Myiabi Doll
Havia
a muito tempo atrás, uma rica família, que vivia numa casa muito
grande. O homem era um comerciante, casado com a filha de um
fazendeiro. Eles tinham dois filhos: O mais velho se chamava Kameo e
a mais nova, a princesinha da casa se chamava Okiri.
Os
irmãos eram muito ligados; Kameo passava horas brincando com a irmã,
sempre que podia. Quando atingiu certa idade, seu pai começou a
leva-lo para o trabalho com ele, para que o garoto aprendesse os
negócios da família o quanto antes, deixando a pequena sozinha a
maior parte do dia. As vezes, Kameo e o pai chegavam em casa muito
tarde, e a menina já tinha ido dormir.
Numa
manhã, Okiri acordou e viu uma carta ao seu lado; era dos eu
irmãozão. Ele tinha deixado para ela na noite passada. Na carta ele
dizia o que estava fazendo no trabalho e como sentia a falta dela.
Okiri ficou tão feliz que resolveu fazer o mesmo e deixou uma
cartinha para ele, sobre a cama dele. A troca de cartinhas virou
costume, e assim, mesmo não se vendo tanto, Okiri não se sentia tão
sozinha.
Infelizmente, em 1932,
aos 8 anos, Okiri ficou muito fraca por causa de uma doença
misteriosa que medico algum sabia dizer o que era. Kameo tentava
passar o maior tempo possível com a irmã, sempre lhe dizendo que
logo ela ficaria bem. Mas ele sabia da verdade, não havia cura para
Okiri e a cada dia, ela ficava pior, mas nunca deixava de sorrir,
sempre que o irmão chegava em casa.
Alguns meses depois, a
criança morreu. Seu corpo foi cremado junto com todas as cartinhas
que tinha do seu irmão. A família ficou muito triste; a mãe
chorava muito, o pai passou a beber e o irmão, ficava horas sozinho,
lendo e relendo as cartinhas deixadas pela irmã, onde contava o que
ela fazia em casa o dia todo quando ele não estava.
O
quarto da menina continuava intocado, suas roupas e seus brinquedos e
suas bonecas. Numa noite, quando estava sem sono, o rapaz teve a
ideia de organizar as bonecas na prateleira. As bonecas eram feitas
de madeira e todas vestiam quimonos muito bonitos. Com paciência,
Kameo arrumou todas as bonecas de modo que ficasse alinhadas. Quando
terminou ele estava para sair do quarto quando resolveu dar uma
ultima olhada nos quimonos da sua irmã e foi ai que ele teve uma
grande ideia: iria contratar o construtor de bonecas para lhe pedir
uma boneca que tivesse exatamente o mesmo tamanho de Okiri, com
cabelos do mesmo comprimento e olhos de vidro, seria perfeito!
Vestiriam ela com as roupas da garota, e ela seria imortalizada como
uma verdadeira boneca, a maior de todas.
No dia seguinte, o rapaz
fez o pedido da boneca e em menos de um mês, lá estava ela: vestida
e penteada como Okiri, de joelhos em uma almofada, cercada por todas
as outras bonecas. Todas as noites antes de ir dormir, Kameo abria a
porta do quarto e dava boa noite à boneca. Numa noite em particular,
quando abriu a porta, notou que a cabeça da boneca estava numa
posição um pouco diferente do que de costume. Ficou furioso; alguns
dos empregados deve ter tocado nela. Entrou no quarto e arrumou-a
como deveria ser. Quando estava saindo, notou que a mão dela
movia-se lentamente, fechando e abrindo os dedos. Deu um pulo com o
susto; olhou bem para a boneca, que não mais movia os dedos.
Bobagem, pensou, fechou a porta e foi para o quarto.
Quando foi deitar-se,
viu que havia uma pedacinho de papel branco dobrado em sua cama.
Abriu-o e era uma cartinha escrita com a letra de Okiri: "
Kameo, não!". Ele tinha certeza que nunca havia visto aquela
carta antes, talvez estivesse perdida e algum dos empregado a achou e
colocou sobre sua cama para que ele pudesse guardar com as outras.
No outro dia, logo que
acordou, Kameo encontrou outro papel dobrado sobre sua coisas. A
letra também era igual a de Okiri, mas desta vez, parecia que havia
raiva na escrita, as letras estavam maiores: " Eu não sou
ela!".
Amassou o papel com
raiva, alguém estava brincando com ele. Se vestiu e saiu para ir
trabalhar, e ao passar pela porta do quarto da irmã, ouviu um
barulho lá dentro, como se fosse algo caindo no chão. Abriu a porta
e viu a boneca grande caída. Com paciência, ajeitou-a na almofada
como sempre. Foi até a porta do quarto, e pelo espelho, viu a boneca
levantar o rosto e olhar para ele com seus frios olhos de vidro. Deu
um grito e olhou para trás: a boneca estava como ele havia deixado.
Olhou mais uma vez para o espelho... estava tudo ok. Trancou a porta
do quarto da menina e levou a chave consigo para o trabalho.
Naquela noite quando
voltou pra casa, sua mãe lhe disse que os empregados ouviram
barulhos estranhos no quarto dele durante a tarde. Ao entrar em seu
quarto, Kameo se deparou com uma mensagem escrita na parede " Eu
odeio aquela boneca! eu não sou ela!"
Agora a coisa estava
séria: ou alguém tava muito afim de morrer ou... Deu uns tapas no
próprio rosto, por pensar bobagem. Com pano e agua, removeu a
mensagem. Decidiu não dizer nada a sua mãe. Antes de dormir, foi
olhar as bonecas. Tudo estava em ordem.
Mais e mais mensagens
começaram a aparecer para ele; em forma de cartas ou nas paredes. As
vezes, os empregados ouviam barulhos e gemidos vindos do quarto de
Okiri, até que, as mensagens começaram a aparecer pela casa. Kameo
não podia mais esconder ou ignorar, quando as paredes da sala
estavam cobertas de tinta preta e uma mensagem " Odeio aquela
boneca!". Junto à frase, marcas de mãozinhas de criança. Um a
um, os empregados abandonaram os patrões.
A noticia se espalhou de
que a filha dos Sato havia voltado para assombra-los e todos pareciam
acreditar nisso. Todos menos Kameo e seu pai. Eles estavam certos de
que tinha sido uma brincadeira de mal gosto de alguns dos empregados.
A senhora Sato, no entanto não gostava nada disso. Numa tarde, ela
implorou para o filho queimar a boneca, pois ela não estava deixando
sua irmã descansar. A senhora Sato estava ruim da saúde, e o rapaz
não queria piorar sua situação, então, decidiu se livrar da
boneca naquela noite.
Quando entrou no quarto,
Kameo deu um pulo para trás: todas as bonecas pequenas estavam
amarradas pelo pescoço, penduradas no teto. O coração dele
acelerou ainda mais quando notou a boneca maior, de pé, no canto do
quarto, com o rosto virado para a parede... na verdade, duas delas.
No outro canto do quarto, estava uma segunda boneca, na mesma
posição, com a mesma roupa e cabelos, exatamente igual.
"Kameo" disse
uma voz. " Qual delas sou eu irmãozão? Você sabe dizer? qual
sou eu e qual é a impostora feita de madeira? Sei que sabe, não
sabe?" uma risadinha de criança preencheu o quarto, e logo em
seguida, a voz tomou um tom mais sério. " Não erre!".
O rapaz estava apavorado
de verdade agora; aquelas bonecas enforcadas sobre ele e aquelas duas
bonecas no canto do quarto... e a voz de Okiri... Olhou para as duas:
eram idênticas de costas. Fechou os olhos, tentou se concentrar e
caminhou ate uma delas. Quando estava perto o bastante para toca-la,
ouviu mais uma vez a voz: "Eu sabia que não iria me
decepcionar. Obrigada Kameo, eu te amo" e então, a boneca a sua
frente sumiu no ar. Soltou o ar que estava preso em seu peito e se
deixou chorar.
Do lado de fora, acendeu
uma fogueira para queimar a boneca. Finalmente tinha entendido os
sentimentos de Okiri,e poderia deixa-la descansar em paz agora. O
fogo consumiu rapidamente o corpo de madeira. Porém, enquanto
queimava, aqueles olhos de vidro, tão iguais aos dela, continuavam a
olha-lo...
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Sob Tortura
Os beijos que trocávamos eram quentes e me faziam estremecer a cada
instante, o deslizar daquelas mãos sobre minha pele eram os
estimuladores de uma corrente que percorria todo meu corpo. As
respirações entrecortadas e os pulsos acelerados nos conduziram a
um rítmo inebriante, a ponto de quase ficarmos sem fôlego.
Uma noite
inteira de carícias, gemidos e altas temperaturas. Nossos corpos
unidos percorriam um único caminho e encontravam juntos com nossas
mentes, todo o prazer que alguém poderia ter em mãos.
Naqueles
braços eu me entreguei, naquela pele eu me submergi, tornei-me
pertencente ao ser que agora tentava me acalmar o fôlego e manter o
seu próprio sob controle. Logo o sono veio, bem como o início da
madrugada. Estávamos exaustos.
Assim que
me situei novamente, consegui distinguir, à pouca luz, a figura que
dormia abraçada em mim. Sorri e acariciei seu rosto, eu amava
profundamente.
Meu
coração estava entregue.
Mas mesmo
em meio a todo aquele amor, mesmo sob todo aquele clima, existia uma
presença. Uma mulher de olhos felinos e rosto angelical, alguém que
se fazia presente enquanto nossas noites de amor se desdobravam sob
aqueles lençóis.
Aproximei-me
mais, pois no fundo queria demonstrar que aquela disputa já estava
ganha e que não havia mais nada que ela pudesse fazer. Olhei mais
algumas vezes para os travesseiros espalhados e senti quando sua boca
colou em meu ouvido.
Os lábios
doces e quentes que percorriam toda a extensão do meu pescoço,
deixavam rastros de uma chama que há tempos estava apagada.
Virei-me. Não queria mais sentir.
Deixei os
braços em que estava e tentei me iludir com o sono que não voltava
mais. Com o travesseiro sobre a cabeça parecia que estava tudo
calmo, não havia mais perigos, mas eu sabia, ela estava lá. Sua
presença era tão real quanto o fogo que me consumia naquele
momento.
Virei-me
novamente, mas já era tarde para fugir. Suas mãos em minhas pernas,
sua boca contra minha barriga, e aqueles olhos se tornando cada vez
mais inebriantes.
Precisava
resistir, não deixar o desejo tomar conta. Era tão difícil, ela
era tão perfeita, tão diabólica. Seduzia-me como se não fosse
apenas um fantasma, como se ainda vivesse em mim. O pior era que eu
tinha dúvidas se ela era realmente apenas uma lembrança.
Eu a
odiava por isso. Não era certo. Eu a odiava por estar lá, por me
confundir, por me fazer declinar nas horas em que não podia e por me
atormentar com ideias absurdas. Eu não a queria lá, queria que ela
sumisse, desejava que ela fosse embora, que não me atormentasse
mais.
Quanto
mais eu pensava, menos eu tinha forças e menos lutava contra tudo
aquilo. Ao meu lado agora só existia ela e tudo o que eu fazia me
comprometia ainda mais. Foi quando senti suas mãos delicadas
passando sobre meu corpo até alcançar o que procurava. Arfei e gemi
ao me sentir em abuso e controle completo daquela criatura.
Seus
toques anunciavam a malícia escondida por detrás de seus olhos e
sua boca me torturava com beijos ardentes. Era mais do que o normal,
mais do que eu poderia suportar.
Quando
finalmente me deixei levar, ela sorriu. Seu sorriso para mim era doce
e quente ao mesmo tempo.
Nos
amamos como se tudo o que eu precisasse fosse ela. E em meio aos
gemidos e pensamentos que me tomavam, não houve, sequer, uma
cogitação de misericórdia para mim ou para o outro ser que
habitava o mesmo coração.
Não
havia retorno, muito menos desculpas. Tudo o que havia era o silêncio
que consumia o ambiente. Porém, dentro de mim, existia a plena
certeza de que seria para sempre um ser dividido.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
O Irmãozinho
Era manhã de 8 de maio. Leo acordou cedo, afinal espera por esse dia a muito tempo. Era seu dia favorito, seu aniversário. Ele nem escovou os dentes, foi correndo para a sala, abrir seus presentes. Lá estavam eles, na sala, todos embrulhados e lindos, esperando para serem abertos. O primeiro foi um grande caminhão com uma caçamba grande o bastante parra carregar muitos brinquedos dentro. O segundo, foi uma porção de blocos de montar, coloridos. O terceiro foi especial, um carro de bombeiro, lindo, luminoso e reluzente. Mas este não foi o melhor dos presentes. Em um canto da sala, estava um outro embrulho, era grande e de formato peculiar... Leo sabia o que era. Ele sempre quis. A anos ele vem pedindo à sua mãe por um irmãozinho. Ela sempre dizia " esse ano não posso, é muito caro", mas desta vez, não havia engano... Leo correu até o embrulho e o rasgou. E estava certo.
Era um irmãozinho.
No momento em que Leo o tirou da caixa, ele abriu os olhos e começou a dar risadinhas de bebê.
Leo deu o maior grito de surpresa que se lembra de ter dado, finalmente! finalmente ele tinha um irmãozinho, que a anos queria! Poderia brincar com ele o tempo todo e lhe ensinar coisas, faze-lo aprender tudo que ele ja sabe, como dizia na TV.
"Obrigado mãe", disse ele, e abraçou o irmãozinho, passando os braços envolta do seu pescocinho. Nesse momento, Leo sentiu algo duro e frio na nuca do pequeno, e em seguida, ouviu um sonoro CLIC.
O irmãozinho foi ao chão, com o corpo todo mole e sem expressão alguma no rosto.
"Leo!" gritou a mamãe.
"E-eu não queria!"
A mamãe foi até ele, pegou o irmãozinho, abraçou-o e apertou o botão na sua nuca. Logo que foi ativado, seu rostinho se contraiu e o irmãozinho começou a chorar.
" Seja mais cuidadoso Leo, quando ele é desligado, ele não pode se mexer nem falar, mas ele ainda consegue ouvir e sentir. E isso o assusta."
Ela o abraçou mais um pouco, lhe fez carinho e deu um beijo na sua testa. O
irmãozinho acalmou-se sorriu pra ela.
irmãozinho acalmou-se sorriu pra ela.
"Que bom menino que você é! agora vai brincar com o Leo" disse ela, deixando ele no chão.
A mamãe foi para a cozinha preparar o café da manhã e os deixou na sala. Antes de sair, ela pediu a Leo para que junta-se todo o papel de presente rasgado.
Leo pediu desculpas para o irmãozinho. Era divertido ver o modo com que ele andava; todo durinho e desajeitado. Com passinhos de bebê, ele pegou o papel que estava no chão e começou a rasga-lo. A cada rasgão, ele ria com o barulho do papel. Leo notou que isso o deixava feliz e começou a rasgar papel também. E mais uma vez, o irmãozinho riu.
" Sabe o que mais é legal?" perguntou Leo. Pegou um pedaço de papel do chão, fez uma bola e o atirou na caçamba do caminhão. Mas o irmãozinho não gostou dessa brincadeira. A cada bola de papel que Leo jogava lá dentro, ele tirava e a jogava no chão.
"Para com isso!" pediu ele. " A mamãe pediu para juntar todo o papel. Mais uma vez, ele juntou as bolas de papel e as jogou na caçamba. E mais uma vez, o bebê jogou toda no chão.
"Não!" falou Leo, tentando não gritar. "Não pode!" Mais uma vez juntou tudo e colocou no caminhão. Os olhos do irmãozinho se encheram de agua, seu rosto ficou todo enrugado, ele estava prestes a chorar.
Mas Leo agiu rápido. Ele o pegou pela mão e o mostrou os blocos coloridos. "Veja" disse ele. "Vou montar uma torre bem alta. Tão alta que vai chegar ao teto!"
Leo começou a empilhar os blocos, mas quando a torre estava com três blocos de altura, o irmãozinho a derrubou com um tapa. Riu com risadinha de bebê. Leo riu também. " Agora fica olhando, vou montar uma bem grande"
E mais uma vez, antes do quarto bloco, o bebê e derrubou com a mão. E riu de novo. Leo nada disse, apenas tentou montar a torre de novo. Quando o irmãozinho veio com sua mão gordinha para derrubar os blocos, ele gritou: "Não! não pode! seu bobo!"
Leo segurou a mão dele, impedindo-o.
Imediatamente, o bebê começou a chorar, desta vez, bem alto. Alto o bastante para mamãe ouvir lá da cozinha.
"Leo! o que vocês fez pra ele?"
"Ele é um bobo! fica derrubando minha torre!"
"Ele é um bebê! você tem que ensinar a ele como brincar!"
Ela o pegou no colo, lhe deu mais um beijo e o chamou de bom menino, até acalma-lo. Depois de calmo, o irmãozinho voltou ao chão.
"Agora comporte-se, não quero que seja malvada com ele!" disse ela e voltou para a cozinha.
Leo estava bravo. Ele é meu! pensou ele. Era aniversário dele e estava levando bronca logo cedo, por culpa do irmãozinho. E a mamãe nem reparou que ele juntou todo o papel como ele pediu.
Distraído em pensamentos, Leo percebeu tarde demais, quando o pequeno bebê estava mais uma vez jogando todo o papel no chão. Ele sentiu raiva mas não disse nada. Apenas o esperou terminar e cansar do papel. Quando o irmãozinho se afastou, ele foi lá e juntou todo o papel. Quando finalmente terminou, olhou para trás para procurar pelo bebê e o viu erguendo o carro de bombeiro sobre a cabeça.
"Não!" pediu Leo, mas não adiantou. O irmãozinho soltou o carro no chão, quebrando uma das rodas e algumas das luzes. Era novinho, Leo nem ao menos tinha brincado com ele ainda...
Mais tarde, a mamãe veio lhe chamar pra comer.
"Mãe olha!" disse Leo, feliz. " Olha o tamanho da minha torre!"
Na sala estava uma enorme torre de blocos coloridos, Leo usou todos os blocos para construi-la, foi bem difícil... mas a mamãe ignorou totalmente.
"Cade o irmãozinho?" perguntou ela, brava. Antes que ele pudesse responder, ela o viu, deitado no sofá, imóvel. O rosto dela ficou todo vermelho, ela estava mesmo com muita raiva. Mas ele também estava!
" Eu desliguei ele! ele derruba minha torre de blocos e ainda quebrou meu carro de bombeiro! e eu nem tinha brincado com ele ainda!"
"Eu já te disse que ele é um bebê!" respondeu a mãe. "Você tem que ensinar as coisas pra ele!"
Ela foi até o irmãozinho para liga-lo, mas Leo meteu-se na frente dela.
"Não! gritou ele " ele é meu! eu não quero que o ligue!"
A mamãe parecia mesmo muito brava. "Eu vou ligar! eu ja te disse que ele ainda ouve e sente tudo quando está desligado, e isso é assustador pra ele!"
"Se vc o ligar eu desligo de novo! desligo e o escondo em um lugar escuro!"
A mamãe lhe deu uma olhar severo. Ele sabia que tinha passado dos limites. Ela se aproximou dele. Leo fechou os olhos, iria apanhar com certeza, mas ele não se importava, estava com raiva também.
Ela chegou bem perto para lhe castigar. Passou a mão por trás de seu pescoço, alcançando algo duro e frio que estava lá. CLIC.
Estava escuro. Escuro e assustador. Ele não conseguia se mexer ou falar, mas ao longe, podia ouvir a voz da mamãe brincando com o irmãozinho...
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Unknown
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14:31
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